Warm Up #98 - Reino desunido

Ivan Sant'Anna Publicado em 14/11/2018
3 min
E a libra?

Caro leitor,

No final da década de 1910, após o armistício que encerrou a Primeira Guerra Mundial, as nações vencedoras adotaram uma série de imposições que praticamente invalidaram a possibilidade de uma paz duradoura.

Países artificiais, como a Iugoslávia, foram criados; fronteiras demarcadas na marra; punições draconianas à Alemanha. Deu no que deu: ascensão de Adolf Hitler e Segunda Guerra: 50 milhões de mortos.

Os estadistas europeus aprenderam muito com os dois eventos. Doze anos após a derrota alemã, e com a Europa separada pela Cortina de Ferro (expressão criada por Winston Churchill em 1946), os líderes do lado oeste do continente se reuniram na Itália.

Nessa ocasião foi assinado o Tratado de Roma, pedra basilar da Comunidade Europeia. Com o passar do tempo, foi dando tudo certo. Barreiras alfandegárias abolidas; cidadãos transitando livremente pela Comunidade e até mesmo podendo trabalhar em outro país do bloco.

Veio então a queda do Muro de Berlim. As duas Alemanhas (capitalista e comunista) se reunificaram.

Faltava um passo importante: a criação de uma moeda única. Isso aconteceu no Tratado de Maastricht, assinado em fevereiro de 1992. O euro foi instituído para começar a circular a partir de 1º de janeiro de 2002.

As exceções foram a Dinamarca e o Reino Unido que, embora permanecessem na Comunidade Europeia, preferiram manter suas moedas, a coroa dinamarquesa e a libra esterlina, respectivamente.

Como a Alemanha tinha despesas colossais para modernizar o lado Oriental (estradas, indústrias, ferrovias, combate à poluição, equiparação de salários, etc, etc), precisou captar dinheiro no mercado internacional. Para isso, o Bundesbank elevou as taxas de juros.

De acordo com os dispositivos de Maastricht, que exigia rigorosas metas fiscais de seus membros para implantar o euro, os demais países tiveram de acompanhar a Alemanha.

Taxas de juros para cima. Resultado: recessão.

Tendo moeda própria, o Reino Unido pôde manter taxas de juros baixas e passou a crescer com robustez, não raro acima de 3,5% ao ano.

Com o passar do tempo, diversos países do Leste Europeu se juntaram à Comunidade Europeia. Em Londres ou Manchester, um eletricista polonês topava fazer o serviço de um inglês por metade do preço.

Numa espécie de “trumpismo” pré-Trump, operários do Reino Unido passaram a protestar slogans do tipo “England First”. Veio então o plebiscito do Brexit, convocado pelo primeiro-ministro David Cameron. Os “brexistas” venceram. Cameron renunciou.

Agora, os problemas estão surgindo, um atrás do outro. Theresa May, substituta de Cameron, conseguiu assinar um acordo com a Comunidade Europeia, mais tarde chancelado pelo Gabinete em Londres (ao custo da renúncia de quatro ministros), mas que terá de ser submetido ao Parlamento.

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