Warm Up #97 - Calma que o urso é manso

Ivan Sant'Anna Publicado em 14/11/2018
3 min
O touro é forte

Caro leitor,
Desde que alcançou suas máximas históricas, há seis semanas, o Índice Industrial Dow Jones da Bolsa de Nova York já caiu cerca de 6%.

Alguns analistas mais afobados cogitam a possibilidade de um novo crash, como os de 1929 e 1987, ou pelo menos uma crise de graves proporções como a das hipotecas (subprime), ocorrida de 2007 a 2010.

Vejo poucas possibilidades disso acontecer agora. Para fundamentar meu raciocínio, vamos às comparações.

O colapso de 1929 se deu por diversos fatores, entre eles uma alta colossal no preço das ações de empresas artificiais – que compravam cotas de fundos que por sua vez compravam cotas de outros fundos e assim por diante −, empresas essas que não valiam absolutamente nada.

1929 foi também o fim de um período de desvario coletivo, a ideia de que poderia haver uma sociedade onde todos seriam ricos.

Não há nada importante ocorrendo atualmente nos Estados Unidos que possa ser comparado com a situação daquele país no final dos anos 1920.

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A principal causa do crash de 1987 foi a febre dos junk bonds (títulos de alto risco – lixo). Esse episódio de fúria especulativa consistia na captação de dinheiro a taxas de juros muito acima das praticadas pelo mercado. O capital obtido era usado para comprar empresas deficitárias, fatiá-las e vender as fatias (imóveis, equipamentos, patentes, etc) em separado.

Os junk bonds enriqueceram homens como Michael Milken (inspiração para o personagem Gordon Gekko do filme Wall Street, interpretado por Michael Douglas), que acabou sentenciado a 10 anos de cadeia, dos quais cumpriu apenas 22 meses. Não é só aqui, não!

A atuação do Federal Reserve, chefiado por Alan Greenspan, foi tão eficiente durante o crash de 1987 que o mercado de ações se recuperou do baque rapidamente e fechou aquele ano com ligeira alta acumulada de 2,26%.

Black Monday, Black Tuesday, Black Sunday (esta última, uma tempestade de areia ocorrida num domingo de 1935, durante a grande seca do Dust Bowl)... Acho que foi para tirar o cunho politicamente incorreto da expressão que eles criaram (e nós copiamos), a Black Friday, dia útil espremido entre o feriado de Thanksgiving Day (última quinta-feira de novembro) e o sábado subsequente, quando o comércio dá (ou finge que dá) descontos incríveis.
Bem menos dramática do que o colapso da Bolsa em 1929, mas pior do que o de 1987, foi a queda no mercado de ações ocorrida durante a crise do subprime.

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