Warm Up #91 - Nunca antes na história deste país

Ivan Sant'Anna Publicado em 01/11/2018
4 min
O exterior fica mais longe

Nota do editor: Nesta véspera de feriado, o Ivan fala sobre a evolução da corrupção no Brasil e as oportunidades de mudanças. Na parte PRO, os especialistas da Inversa falam sobre as expectativas para o mercado acionário dos EUA com eleições legislativas por lá. Enquanto torcemos para que as mudanças no Brasil aconteçam logo e os ventos sejam favoráveis no exterior, podemos também te ajudar a conquistar seus objetivos financeiros. O investidor Money Maker está compartilhando com você seus segredos de sucesso na minissérie O Smart Trade. Os dois primeiros episódios já estão no ar. Assista aqui e comece hoje mesmo a planejar sua independência financeira.

 

Caro leitor,

Como todo mundo sabe, a corrupção sempre existiu no Brasil. Mas alavancou barbaramente após a redemocratização. Não estou defendendo a ditadura, apenas constatando um fato: naquela época roubava-se menos. Muito menos.

Um general aceitava, duma incorporadora, financiamento de imóvel a longo prazo (cujas parcelas a inflação pagava). Funcionários públicos graduados compravam os últimos modelos de Aero Willys, ou Simca Tufão, também em módicas prestações, que o tempo esfarinhava. Não ia muito além disso.

Vieram Sarney, Collor e sucessores e os agrados se transformaram em roubalheira. Da grossa. Assaltaram os cofres do Tesouro e das estatais. Desviaram fundos dos hospitais públicos, da merenda escolar, da alimentação dos detentos, dos programas sociais.

O Congresso Nacional se prostituiu. ONGs, sindicatos e fundações foram criadas apenas para que se pudesse roubar. Enfim, afanaram a grana quase toda.

Como cada real em propina costuma redundar em gastos inúteis no mínimo cinco vezes maiores, o Tesouro faliu.

Esta última fase (digamos que a quinta onda de Elliot da corrupção) começou com uma singela viagem, custeada pelos cofres públicos, da ministra Benedita da Silva para assistir a cultos evangélicos na Argentina. Seguiu-se o recebimento de propina de R$ 3.000,00 (sim, três mil reais) pelo funcionário dos Correios Mauricio Marinho. Houve o encontro do contraventor Carlinhos Cachoeira com o presidente da Loterj, Waldomiro Diniz, no qual Diniz pediu um cala-boca pra intermediar um negócio.

Surgiram então os escândalos do Mensalão e do Petrolão, que desaguaram na Lava Jato.

A República de Curitiba revelou aos poucos os pezzonovanti: Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Antonio Palocci, Marcelo Odebrecht, Renato Duque, Léo Pinheiro e dezenas e mais dezenas de outros. Lula foi posto na cadeia.

Desses episódios emergiu a figura de Jair Bolsonaro.

Na expectativa da não renovação dos mandatos de políticos corruptos, e de melhorar a segurança nas ruas do país, os eleitores aceitaram se submeter a medidas até então amaldiçoadas, tais como a reforma da Previdência, a redução dos direitos trabalhistas, a privatização das estatais.

Embora acusado de machista, no 2º turno o capitão teve mais votos femininos do que seu adversário.

Bolsonaro está com a faca e o queijo na mão. Para melhorar as coisas, não precisará nomear dezenas de milhares de apadrinhados políticos para cargos de confiança.

Parafraseando vocês sabem quem, “nunca antes na história deste país” tivemos tanta chance de crescer. Mesmo porque estamos partindo de um patamar muito baixo, como baixas são a inflação e as taxas de juros.

É hora de investir. E não estou me limitando a aconselhar as pessoas a comprar ações na Bolsa. Isso é o mínimo que devem fazer.

Refiro-me aos empreendedores arregaçarem suas mangas, expandirem seus negócios, contratarem pessoal. Hora de as empresas abrirem o capital através de IPOs. Hora de atrair os gringos de volta.


Gostou dessa newsletter? Então me escreva contando a sua opinião no warmup@inversapub.com.

Um abraço,

A Inversa é uma Casa de Análise regulada pela CVM e credenciada pela APIMEC. Produzimos e publicamos conteúdo direcionado à análise de valores mobiliários, finanças e economia.
 
Adotamos regras, diretrizes e procedimentos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Resolução nº 20/2021 e Políticas Internas implantadas para assegurar a qualidade do que entregamos.
 
Nossos analistas realizam suas atividades com independência, comprometidos com a busca por informações idôneas e fidedignas, e cada relatório reflete exclusivamente a opinião pessoal do signatário.
 
O conteúdo produzido pela Inversa não oferece garantia de resultado futuro ou isenção de risco.
 
O material que produzimos é protegido pela Lei de Direitos Autorais para uso exclusivo de seu destinatário. Vedada sua reprodução ou distribuição, no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa.
 
Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Antonyo Giannini, CNPI EM-2476

Conteúdo protegido contra cópia