Warm Up Inversa #9 - COPA: Por trás do luxo de Moscou

Pedro Carvalho Publicado em 13/06/2018
9 min
O espectro do consumismo

Warm Up

Nota do editor: Olá. A Copa do Mundo já vai começar e com grandes chances para a Seleção Brasileira. Enquanto a maioria das pessoas estiver colada na televisão, investidores profissionais estarão de olho nas ações com maior potencial. Por isso, faço um alerta: você precisa agir até amanhã, dia 14 de junho, se quiser aproveitar uma rara janela de oportunidade na Bolsa. Um abraço, André Zara.

 

 

https://inversa-store.s3.us-east-2.amazonaws.com/60591/avatar-carvalho-name.pngCaro leitor, cara leitora,

A capital russa é a terceira cidade do mundo com maior número de bilionários – são 60 na lista da Forbes, enquanto São Paulo tem 14. Quando pensei em contar a você sobre o mercado de luxo moscovita na newsletter “Inversa na Copa”, logo associei mentalmente o assunto a esses magnatas.

Bem, eu estava errado.

Ao conhecer os points locais de compra, percebi que não eram lugares com Mercedes conversíveis e homens de aparência meio mafiosa. Não havia um clima de ostentação exagerada. Quem parece mover esse mercado por aqui, na verdade, é uma classe média numerosa e bem vestida (que no Brasil facilmente chamaríamos de média alta), bastante presente também nas ruas e metrôs da cidade.       



O “shopping” mais emblemático desse filão fica no ponto central de Moscou, encostado na Praça Vermelha. Ele se chama GUM, sigla para Gosudarstvenny Universalny Magazin, ou Loja de Departamentos Pública. É uma construção vitoriana de 1893 que ocupa um enorme quarteirão a poucos metros do Kremlin, ali mesmo onde Ivan, o Terrível, celebrou suas conquistas, Napoleão viu a cidade queimar e Lenin comandou a revolução proletária.

Nos anos 1980, o GUM simbolizou o pior da economia comunista daquele período: longas filas e poucos produtos nas prateleiras. Privatizado em 1993, no centenário de sua inauguração, tornou-se um dos principais ancoradouros de grifes de luxo da Europa.

Ainda que esses lugares sejam sempre meio parecidos, o GUM tem suas peculiaridades – afinal de contas, estamos na Rússia. A começar por sua fachada elegante, bem no estilo europeu do século XIX. Tem ainda segurança ostensiva nas entradas (guardas e detectores de metais), vitrines que misturam sofisticação com eslavismo tradicional (pense em manequins reproduzindo uma cena doméstica e vestindo sobretudos sisudos e invernais – porém, tudo da Versace) e uma incontornável presença de caríssimos potinhos de caviar (falaremos de preços adiante).

A parte isso, todas as grifes de luxo estão lá, assim como em Miami ou Londres ou Berlim: Hermès, Gucci, Vacheron Constantin, Chanel, Salvatore Ferragamo e por aí vai.

A poucos quarteirões do GUM, está o concorrente. O TSUM fica de frente para outro ponto turístico de Moscou: o prédio do balé Bolshoi. Apesar de também ocupar um edifício lindo e antigo, o TSUM é mais sem graça.

De propriedade do grupo Mercury, seu andar térreo é exatamente igual a um free shop de aeroporto. Nos pisos de cima, bem, isso não muda muito, embora as lojas sejam individualizadas e ele se pareça mais com um shopping de luxo paulistano. Fui numa segunda-feira à tarde e estava meio vazio. O GUM, por sua vez, estava cheio, provavelmente por ser um prédio mais integrado com a rua e estar no epicentro turístico da cidade, agora tomado de gente com camisas de futebol.

Os artigos não são exatamente uma pechincha. No GUM, uma calça jeans básica da Calvin Klein custa 9.300 rublos, ou 700 reais (sempre que falar de preços nas newsletters, vou usar a conversão que paguei poucos dias antes de viajar, numa casa de câmbio da Av. Paulista). No TSUM, uma jaqueta de plumas (bem na moda por aqui, por sinal) da Belstaff sai por 2.100 reais.

“Os produtos de luxo na Rússia costumam ser 30 por cento mais caros que no resto da Europa, por causa das altas taxas do país”, conta Marina Anikieieva, uma consultora de negócios especializada na área. Ela me disse que muitas lojas colocam placas de "preços iguais a Milão" para fazer propaganda.

Mas se você realmente quiser levar um susto, entre na loja/restaurante da Beluga do GUM, onde as estrelas são o caviar e a vodca da marca. Um prato com 50g de caviar negro vai de 750 a 1.560 reais, dependendo do peixe que botou as ovas. Não me pergunte, obviamente, sobre o sabor.

Nos anos 1990, uma primeira geração de consumidores de luxo (essa sim) se caracterizou como uma pequena elite que gostava de ostentar marcas e logotipos, como um efeito rebote das décadas de economia planificada.

“Antes as pessoas não tinham nada disso, então quiseram compensar. Mesmo andar com uma Coca-Cola era algo tipo ‘uau!’. Eu fazia coleção de bottons de marcas, o que agora me parece engraçado”, disse a Marina. 

Hoje, com Moscou transformada em típica cidade europeia de classe média, a coisa mudou.

“As pessoas de 25 ou 30 anos já estudaram fora, conheceram lugares, não têm esse deslumbramento e se preocupam mais com a qualidade das marcas”, ela diz.

E é fácil notar como a juventude daqui se veste bem – não apenas sem ostentar marcas, mas com ótimo senso de moda.


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A Praça Vermelha também é cercada pelos hotéis mais caros da cidade. Do tradicional Metropol ao elegante Four Seasons, todos têm vista para as longas e famosas paredes da Praça Vermelha. Nas entradas, sim, se veem carrões chamativos parados. Suas marcas não são muito diferentes daquelas que vemos nos bairros nobres de São Paulo – Porsches, Mercedes, Audis etc. A frota de veículos da cidade, em geral, é bem moderna e revela um aparente gosto pelas SUVs – sim, pode esquecer os velhos Ladas dos anos 1990.

Além de shoppings como o GUM e o TSUM, existe uma série de ruas cheias de boutiques de grife, como a Kuznetsky Most, a Bolshaya Nikitskaya e a Stokeshnikov Pereulok. Nas vitrines e fachadas, as marcas também são conhecidas, desde aquelas de superluxo (IWC, Cartier etc) até Apple, McDonald’s, KFC, Burger King e Starbucks (onde, por sinal, parei para escrever esse texto).


               

Entre uma loja e outra, os clientes aproveitam os restaurante e cafés com mesas na calçada, típicos dos bulevares europeus.

Só não espere – em lugar algum – encontrar funcionários que falem bem inglês, espanhol ou francês (o português não estou nem tentando). Quando falam, é sempre naquele nível meio iniciante. Principalmente se tiverem mais de 40 anos. Nem mesmo a dona do hotel onde estou fala uma palavra que não seja em russo.

Mas são todos simpáticos, esforçados e terão boa vontade em ajudar os turistas que quiserem se engajar nessa revolução consumista.

Quero saber sua opinião sobre a “Inversa na Copa”. Você também pode enviar suas sugestões ou dúvidas para warmup@inversapub.com.
      
Um forte abraço,
Pedro Carvalho  

P.S.: Quero saber o que você achou desta newsletter (escreva para  warmup@inversapub.com).  Também aceito sugestões de novas abordagens e dicas para a Rússia. Por fim, sugiro que veja aqui as duas ações para investir agora, que o Money Maker selecionou para os leitores da Inversa. Abraço.

 

Radar Diário

Por volta de 10h05, Ibovespa operava em alta de 0,62 por cento, aos 72.754 pontos. O dólar, por sua vez, recuava de 0,55 por cento, a R$ 3,69.
            
Ontem, o Ibovespa fechou com alta de 0,62 por cento, aos 72.754 pontos. Já o dólar comercial cedeu 0,52 por cento para R$ 3,70 na venda.

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