Warm Up #88 - O que o seu mestre mandar, faremos todos

Ivan Sant'Anna Publicado em 26/10/2018
2 min
Ordens de Nova York

Caro leitor,

Esta é a minha última crônica para a Warm Up PRO antes das eleições presidenciais.

Desde o início do ano havia expectativa de grande volatilidade na Bolsa brasileira neste período. Mas não pelos fundamentos que estão ocorrendo.

Negociar no Ibovespa futuro está sendo a mesma coisa do que especular no S&P500. Só muda a moeda da margem e do ajuste: real ou dólar. 

No momento em que escrevo este texto, 17h45 de quinta-feira (25), o Índice Industrial Dow Jones está subindo 1,63% enquanto São Paulo ganha 1,23%. Durante toda a semana o Ibovespa foi escravo do Dow.

“O que o seu mestre mandar, faremos todos”, quem tem a minha idade sabe que a gente recitava isso na brincadeira de “pular carniça”, décadas antes de inventarem os videogames, celulares, tablets, etc.

Nos últimos meses, eu tinha toda uma estratégia pensada para este pregão pré-eleitoral.

Se um candidato do PT (Lula ou um dos seus postes) estivesse, com folga, à frente das pesquisas, eu compraria o Ibovespa futuro MOC (Market on Close – no fechamento do mercado) na sexta-feira, 26.

Caso um liberal (Geraldo Alckmin, por exemplo) se situasse, também folgadamente, na liderança, eu ficaria vendido a descoberto no índice futuro da Bolsa.

“Pera aí, Ivan”, pode estar questionando o leitor. “Não é o contrário? Vendido com o PT, comprado com o liberal?”

Não nos esqueçamos da máxima de Wall Street “Buy the rumor, sell the fact”. O que é exatamente a mesma coisa do que “Sell the rumor, buy the fact”.

  

Se Lula (ou algum lulista) fosse barbada neste 2º turno, o Ibovespa estaria por volta dos 65.000 pontos ou até menos. E, confirmada sua vitória, haveria um rally de short covering. Daí minha compra MOC no último pregão antes da consumação do fato.

Na hipótese oposta, a do liberal na dianteira folgada, a queda de segunda-feira seria motivada por realização de lucros.

“Mas e o Bolsonaro?”, a esta altura o leitor pode estar irritado. “Você não incluía o Bolsonaro entre os favoritos?”

Honestamente, confesso, há alguns meses, não. As pesquisas de intenção de voto mostravam que o capitão Jair Bolsonaro perderia para todos os adversários, inclusive a Marina Silva, em um 2º turno.


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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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