Warm Up #87 - Hora do medo

José Castro e Ivan Sant'Anna Publicado em 25/10/2018
4 min
Buy the rumor, sell the fact

Nota do editor: Olá, leitor. Na Warm Up de hoje, o Ivan comenta o que levaria a Bolsa, no cenário atual, para mais uma onda de alta. Na parte PRO, o José Castro indica um ativo para que você lucre muito com essa tendência. Libere seu acesso aqui.


Caro leitor,

Numa época, às vésperas do 2º turno, em que quase todo mundo (inclusive eu) esperava um clima de incerteza na Bolsa, com a possibilidade de dois adversários antagônicos em relação ao mercado disputando “pau a pau” a presidência, o clima tenso realmente se manifesta, só que por outros motivos.

Apesar de a diferença entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad ter encolhido de 18 para 14 pontos na pesquisa de votos válidos do Ibope, faltando apenas três dias para as eleições, a situação ainda é muito folgada para o capitão.

Quem vem apostando nesse cenário, já ganhou muito dinheiro na Bolsa, seja na compra de ações, ficando long no índice Ibovespa futuro ou na aquisição de calls. Fora os “cabras-machos” que venderam puts.

Agora, está havendo uma tremenda realização de lucros, estimulada por dois fatores: daqui e lá de fora. Em especial de lá.

No cenário externo, muitas empresas americanas, as que dependem de matéria-prima e insumos importados, estão na expectativa de resultados piores provocados pela guerra comercial entre Donald Trump e diversos países - principalmente a China - guerra essa que se reflete em seus custos de produção.

A situação complicada das finanças dos bancos italianos não contribui em nada para aliviar a tensão.

  

Na Grã-Bretanha, a saída do país da Comunidade Europeia, decidida por um referendo em 23 de junho de 2016, e que ficou conhecida por Brexit, está cada vez mais difícil de se consumar na prática. Ninguém, nem no Reino Unido nem no continente, consegue se entender sobre quando e como a separação irá acontecer.

Fala-se em nova consulta à opinião pública inglesa. Quem sabe outra e mais outra, até que o Brexit seja desaprovado.

Não bastassem esses fundamentos negativos para as Bolsas, o presidente Donald Trump decidiu brigar com o FED, atacando diariamente o chairman da instituição, Jerome Powell, nomeado por... Trump.

Voltando às eleições brasileiras, o mercado já vive a situação pós-apuração das urnas.

Vamos nos adiantar três dias no tempo.

É noite de domingo e o TSE anuncia a vitória de Bolsonaro.

O capitão faz seu primeiro pronunciamento de presidente eleito.

A praxe nessas horas é um discurso conciliatório, aquela lenga-lenga de que irá governar para todos os brasileiros e estender as mãos aos adversários.

Acontece que Jair pode dar uma de Jair e já sair (as rimas são intencionais) “descendo o malho” no sistema eleitoral, na imprensa, na Justiça, na oposição e em quem mais lhe vier à cabeça.

O que faria o mercado de ações subir - e muito - na próxima segunda-feira, dia 29, seria Jair Bolsonaro, em sua ode de vitória, falar logo em reforma da Previdência, privatizações e apoio integral ao livre empreendedorismo.

Como essa hipótese é apenas uma hipótese, aconselho o caro amigo leitor que tem posições compradas no Ibovespa futuro, que as liquide hoje ou amanhã.

No mínimo, por causa do “Buy the rumor, sell the fact”, que, inclusive, já pode ter começado. Ou por pavor de um crash em Wall Street.

Na próxima semana, quando se iniciar a transição, a tendência liberalizante na economia se confirmar, e o Dow Jones ficar calmo, não faltarão oportunidades na Bolsa para se ganhar dinheiro. Muito dinheiro.

Mas não agora. Agora é hora do medo.

Gostou dessa newsletter? Então me escreva contando a sua opinião no warmup@inversapub.com.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

Um ativo para acompanhar a alta da Bolsa, por José Castro

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