Warm Up #84 - O que mexe com o mercado brasileiro?

Ivan Sant'Anna Publicado em 19/10/2018
3 min
Juros, eleições, petróleo...

Nota do Editor: Olá! Nesta edição, o Ivan comenta os principais acontecimentos mundiais que poderão interferir no mercado brasileiro. Considerado um dos traders mais bem-sucedidos do Brasil, hoje ele tem um convite especial para você. Garanto que é uma oportunidade única para você potencializar seus investimentos. Confira aqui o recado do Ivan. Um abraço, André Zara. 

  

Caro leitor,

Escrevi esta newsletter antes da última pesquisa Datafolha para as eleições presidenciais, divulgada ontem à noite. Não aguardei o resultado para elaborar o texto, simplesmente porque não interessa para o mercado, que já embutiu a vitória de Jair Bolsonaro e está olhando para outro fundamento: Wall Street.

No início do ano, se projetava para o momento atual enorme volatilidade no mercado brasileiro por causa do segundo turno das eleições presidenciais. Realmente, a instabilidade está se materializando. Só que o motivo é outro: Índice Industrial Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York, que atravessa um momento de grande convulsão. E o mundo vai a reboque.

Anteontem, após o fechamento do pregão em Wall Street, foi divulgada a ata da última reunião do FOMC (Federal Open Market Committee – equivalente ao nosso Copom). O colegiado deixou claro que este ano haverá mais uma elevação nas taxas de juros (a quarta), dando continuidade ao aperto monetário.

Alguns integrantes do FOMC foram além: disseram que, para que a inflação não ultrapasse os 2% a.a., talvez a dose do remédio amargo tenha de ser aumentada (leia-se 50 gotas ao invés de 25).

No momento, a inflação anual americana se situa em 2,3%. Os Treasuries de 10 anos estão rendendo 3,17%. Com a economia dos Estados Unidos superaquecida e o mercado de trabalho vivendo um período de pleno emprego, esse yield talvez não seja suficiente para refrear o consumo.

Outro assunto que parecia encerrado, mas voltou a monopolizar a mídia mundial, é o caso da tortura, assassinato, esquartejamento e ocultação de cadáver do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Ele residia nos Estados Unidos e o crime foi perpetrado no consulado da Arábia Saudita, em Istambul.

O senador republicano Bob Corker, chairman do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, assim como diversos representantes (deputados), também republicanos, fora a grande maioria dos democratas, estão criticando severamente o presidente Donald Trump.

Isso poderá alterar, em desfavor de Trump, o resultado das eleições para o Capitólio daqui a 18 dias.

Nesse cenário de alta dos juros e incerteza política, fica difícil para o bull market da Bolsa de Valores de Nova York fazer novos highs. As relações entre os Estados Unidos e o reino saudita poderão sofrer uma guinada por pressão da imprensa e da opinião pública. Trump pode até querer ser um déspota absolutista. Só que não é.

Os americanos, agora autossuficientes em petróleo, já não dependem tanto dos sauditas, como foi o caso em 1973, após a guerra do Yom Kippur.


Então me escreva contando a sua opinião no warmup@inversapub.com.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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