Warm Up #78 - The day after

Ivan Sant'Anna Publicado em 09/10/2018
3 min
O início da república bolsonariana

Nota do editor: Na Warm Up de hoje, o Ivan fala do otimismo do mercado com a possível vitória de Bolsonaro. E quem está se aproveitando desse momento é o bem-sucedido investidor Money Maker. Nos últimos quatro meses, período em que a Bolsa passou por momentos turbulentos e sofreu quedas de até 8%, ele fechou oito operações com ganho médio superior a 17%. Agora, com a alta, sua carteira está obtendo os mais altos retornos. Conheça agora as três ações que ele está sugerindo para aproveitar o momento.

Caro leitor,

Tal como vínhamos antecipando em edições anteriores da Warm Up, o primeiro dia de mercado após a rodada inicial de votações foi uma festa para os touros, na Bolsa de Valores, e para os ursos, no câmbio.

Embora algumas pessoas acreditassem na vitória de Jair Bolsonaro no primeiro turno, essa possibilidade era remota. E realmente não se materializou.

O que poucos esperavam era a landslide victory dos candidatos apoiados e apoiadores do capitão. Esses viraram o quadro político de cabeça para baixo, com perdas notáveis para os anacrônicos MDB e PSDB, e um encolhimento, não menos digno de nota, do PT. Tem gente expressiva virando nanica. Tem nanico se transformando em gigante.

Para implantar suas reformas, que incluem mudanças constitucionais, Bolsonaro teria de contar com uma sólida base parlamentar, base essa que ele pretendia, e continua pretendendo, obter com bancadas apartidárias (da bala, do boi, evangélica, etc.).

Acredito que nem em seus melhores delírios o capitão poderia imaginar eleger um grupo político “bolsonariano” tão forte no Congresso e nas Assembleias Legislativas Estaduais.

Jair Bolsonaro é agora um partido, um puta partido. Como foram Getúlio Vargas e Lula.

Ao contrário de Fernando Collor de Mello, em 1989, que precisou se valer de seu magnetismo pessoal de recém-eleito para aprovar o Plano Collor, Bolsonaro poderá juntar as duas coisas - prestígio popular e base parlamentar - para enxugar o Estado brasileiro, reduzir os impostos e estimular a livre iniciativa e o empreendedorismo.

A resposta da Bolsa de Valores foi rápida. O Ibovespa subiu mais de quatro por cento. No câmbio, o dólar comercial caiu para pouco mais de R$ 3,75, mínima desde o dia 7 de agosto.

“Ah, mas a imprensa internacional está desancando o Bolsonaro”, pode alegar alguém.

É verdade. O jornal britânico The Guardian, por exemplo, em artigo assinado pela jornalista brasileira Eliane Brum, não deixa por menos (a tradução é minha):

“Como uma ‘coisa’ (o grifo é dela) homofóbica, misógina e racista pode ser o próximo presidente brasileiro.”

E prossegue:

“Jair Bolsonaro é o produto monstruoso do silêncio do país a respeito dos crimes cometidos pela ditadura (militar).”

Pois bem, jornalistas são jornalistas, investidores são investidores. E são estes, e não aqueles, que fazem o mercado. A era Donald Trump, nos Estados Unidos, é um bom exemplo disso.


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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

 

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