Warm Up #69 - Xô, sigla maldita

Ivan Sant'Anna Publicado em 21/09/2018
5 min
Direita x esquerda

Caro leitor,

Saiu a última pesquisa Datafolha para as eleições presidenciais. Há poucas diferenças em relação aos dados divulgados pelo Ibope na terça-feira.

Bolsonaro continua na frente, com uma subida constante e regular: 22, 24, 26 e 28 por cento das intenções de voto. Embora Haddad esteja apenas 3 por cento à frente de Ciro Gomes, o que configura, no jargão dos estatísticos, um empate técnico, se examinarmos a subida do candidato petista (4, 9, 13 e 16 por cento) e a compararmos com a estagnação de Ciro (10, 13, 13 e 13 por cento), podemos dar como praticamente certo que o segundo turno será disputado entre Bolsonaro e Haddad.

Nos últimos dias, autonomeados porta-vozes de Jair Bolsonaro fizeram declarações prejudiciais à candidatura do capitão.

Antes de mais nada, é bom lembrar que o general Hamilton Mourão só está na chapa do PSL após o senador Magno Malta e a advogada Janaína Paschoal terem recusado o posto e o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança ter se atrasado duas horas no dia do lançamento das candidaturas.

Bolsonaro olhou para o lado, viu o general Mourão e o escolheu para parceiro.


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Em seu livro Green Hills of Africa, no qual narra uma viagem, em 1933, pelas precárias estradas de chão batido do interior do Quênia, o mítico escritor norte-americano Ernest Hemingway fala a respeito de nativos altos e magros que, por pura diversão, corriam ao lado do caminhão no qual Hemingway viajava.

Fanfarrão, e se aproveitando do fato de que o verdadeiro candidato está no hospital, Mourão chamou os emergentes da América do Sul e da África de "mulambada". Não vejo o que a chapa possa ganhar com essa ofensa. Parece coisa de Donald Trump, que até nome de país já inventou: a inexistente Nâmbia.

Como se não bastasse, o general declarou que “casa só com mãe e avó é fábrica de desajustados”. Tudo bem, essa frase pode ter sido tirada de um contexto mais abrangente. Mas pegou muito mal. É lógico que o PT e a imprensa exploraram isso.

Se fosse um pouco mais inteligente ou menos obtuso, Hamilton Mourão poderia ter dito: “Os pais que abandonam os filhos estão ajudando a pôr mais um delinquente nas ruas.”

É quase a mesma coisa. Só que, nessa segunda versão, ao invés de parecer uma crítica às mulheres, seria uma censura aos homens, o que eleitoralmente é muito mais positivo.

Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda de Bolsonaro, não fez por menos. Ao defender uma ampla diminuição da carga tributária, pronunciou a sigla maldita, CPMF, o odiado imposto do cheque. Que, por sinal, o PT tentou ressuscitar duas vezes.

Tanto o general como Guedes foram desautorizados por Bolsonaro. Mas o estrago foi feito.

Voltando à pesquisa Datafolha, as simulações do segundo turno continuam apontando um empate: 41 a 41.


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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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