Warm Up #57 - Terra? Não! Pedra!

Ivan Sant'Anna Publicado em 31/08/2018
7 min
“Terra!” 

Caro leitor,

Normalmente, quando se abre concorrência para a obra de um túnel, seja ele rodoviário ou ferroviário, os licitantes dão dois valores para a retirada de material de uma montanha. Um é para o caso de se encontrar terra, que sai com uma escavadeira; o outro, muito mais caro, na hipótese de haver pedra, que exige explosão com dinamite e britadeiras.

Uma das falcatruas mais comuns no Brasil é uma empreiteira, após vencer a concorrência, classificar terra como sendo pedra para receber mais pela construção. Para isso, precisa subornar o fiscal da obra.

Uma piada antiga, que corria entre os engenheiros civis, é que, na descoberta do Brasil, o vigia da gávea da caravela teria gritado:

“Terra!” 

Como havia um empreiteiro na embarcação, ele rebateu na hora:

“Pedra!”

Molecagens à parte, em sua entrevista ao Jornal Nacional, o candidato Geraldo Alckmin defendeu seu ex-secretário Laurence Casagrande, atualmente em prisão preventiva justamente por ter aceito, em troca de propina, uma dessas embromações: a troca de terra por pedra no reajuste de preço de uma das etapas da construção do Rodoanel de São Paulo.

“O Casagrande é honestíssimo”, o ex-governador de São Paulo não deixou por menos, na sabatina à qual foi submetido por William Bonner e Renata Vasconcellos.

Não é isso que acha a polícia nem o Ministério Público.

Antes de prosseguir, gostaria de explicar que, nessas minhas crônicas a respeito dos candidatos à Presidência, não tenho a menor intenção de tentar cabalar votos para esse ou aquele. Tento apenas falar sobre as chances de cada um, assim como mostrar como o mercado os vê.

Para evitar ilações, declaro logo meu voto. Será de João Amoêdo, do Partido Novo.


Enquanto o mercado brasileiro patina à espera do futuro presidente, o atual ciclo de alta nas Bolsas americanas acaba de superar o recorde registrado na década de 90. A boa notícia é que, agora, você também pode surfar os maiores Bull Markets do mundo. E sem precisar investir milhões ou mesmo ser um especialista no assunto. Retire agora mesmo seu Global Pass e saiba como obter o dobro do dobro de retornos. 


Também não tenho a pretensão de ser o dono da verdade. Tanto é assim que achava Hillary Clinton uma barbada e tinha certeza de que o Brexit perderia o plebiscito no Reino Unido.

Mas acertei em cheio a vitória de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves, inclusive o percentual de votos de cada um. Simplesmente porque acreditei na pesquisa do Datafolha divulgada na véspera das eleições de 2014.

Outra coisa de que não gosto é de teorias conspiratórias, como essa de que o processo eletrônico de votação é fraudado. Não só não é como muitos países enviam representantes ao Brasil para copiá-lo.

Pois bem... Voltemos a Geraldo Alckmin e sua triste aparição no JN. Só deu mancada. Mentiu, ao dizer que não era aliado de Collor em Alagoas, e tentou justificar o injustificável: juntar-se a bandidos que vêm atuando na política brasileira nos últimos anos.

Para sua sorte, a bancada do JN não se lembrou – ou não teve tempo – de mencionar o nome de Paulinho da Força e de seu famigerado imposto sindical.

Alckmin deve achar que basta ter metade do horário eleitoral no rádio e na TV para se eleger.

Antes de mais nada, se ele ocupar esse tempo falando, vai perder ainda mais votos. Mas duvido que faça isso. Seus marqueteiros usarão e abusarão de truques tipo João Santana, quem sabe mostrando crianças felizes em creches e escolas públicas, jovens em cursos profissionalizantes, rodovias, ferrovias e portos sendo construídos.

Sem contar a exibição de imagens com o intuito de desconstruir os adversários.

Nos comerciais de Geraldo Alckmin, ele será vendido como um novo gel fixador para os cabelos. Será que cola?

Não o gel, é claro, mas o candidato.


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Ivan Sant'Anna

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