Warm Up #310 - A mais longa das noites

Ivan Sant'Anna Publicado em 03/11/2020
1 min
Eleições na maior potência do mundo centram atenção de todos

Nota do editor: hoje, especialmente por conta das eleições nos EUA, Ivan Sant’Anna traz para você sua visão única de como se desenrolará a disputa entre Biden e Trump. Para ter acesso exclusivo às maiores empresas dos EUA direto do Brasil clique aqui.

Nesta noite de terça para quarta-feira (ou dia claro de quarta no Extremo Oriente e na Oceania), o mundo que pensa no mundo vai parar.

Na eleição mais importante de todos os tempos nos Estados Unidos, o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden irão duelar nas urnas.

Aliás, não é exagero dizer que já se bateram, uma vez que a maior parte dos eleitores votou antecipadamente, seja pelo correio, seja nas seções eleitorais.

Em minha opinião, Biden irá vencer com enorme folga (landslide) no voto popular e com alguma vantagem no Colégio Eleitoral. Seria mais fácil se ele não tivesse cometido a asneira de, durante o último debate, dizer que uma de suas prioridades seria fazer o país depender menos do petróleo.

À pergunta da mediadora Kristen Welker sobre sua política energética, bastaria o candidato democrata dizer que os Estados Unidos voltariam a aderir às decisões do Acordo de Paris e esse desestímulo ao uso de hidrocarbonetos estaria implícito.

Isso pode ter custado a Biden os votos do Texas, segundo estado em peso no Colégio Eleitoral, perdendo apenas para a Califórnia (38 contra 55). É verdade que os texanos são em sua maioria republicanos, mas desta vez os eleitores de lá ameaçavam virar casaca.

De acordo com o site RealClear Politics, o mais confiável dos Estados Unidos em termos de pesquisas de intenção de votos, nos seis swing states, Flórida, Carolina do Norte, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin e Arizona, (que não têm partido preferencial constante), Biden perde apenas na Carolina do Norte.

Joe Biden vai ganhar as eleições.

A Câmara dos Deputados é barbada para os democratas.

Já no Senado o buraco é mais embaixo.

Atualmente os republicanos têm seis cadeiras a mais (53 a 47).

Como apenas um terço da Casa Alta do Capitólio será renovado, os burros (símbolo democrata) tem de massacrar os elefantes (republicanos) para obter maioria.

Em meu juízo, Wall Street já precificou uma vitória de Biden.

A partir da proclamação dos resultados, e mesmo que Donald Trump não os reconheça, as bolsas de valores vão olhar para o fundamento 2020.

Refiro-me, é claro, à pandemia da Covid-19, que está tendo um segundo turno.

O lockdown praticado no momento em diversos países da Europa garante uma recessão (para não dizer depressão) prolongada. Garante também um longo período de taxas de juros reais (e até absolutas) negativas. Isso, aliado à chegada das vacinas, o mais tardar em meados do ano que vem, deverá servir de estímulo aos mercados de renda variável.

Para os investidores brasileiros, o momento é de ter sangue-frio e comprar ações nos recuos da Bolsa, principalmente das empresas que não foram muito afetadas pela crise e que se beneficiaram com a desvalorização do real.

Que tal comprar alguns papéis hoje na B3, antes da abertura das urnas mais importantes do mundo?

Por volta das 22h, encha um balde de pipocas, passe um bule de café e se prepare para a mais longa das noites.

Você vai ver os fotogramas da história se desenrolando à sua frente.

Ivan Sant'Anna

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