Warm Up #306 - Como tomar boas decisões de investimento

Mark Ford Publicado em 26/05/2020
4 min
Dominar a inteligência emocional pode fazer toda diferença entre o sucesso e o fracasso: vou compartilhar com você minha técnica exclusiva.

Nota do editor: hoje com a palavra nosso sócio norte-americano Mark Ford. Como humanos, possuímos uma variedade de fraquezas. Nossas emoções são particularmente complicadas. Se você já tomou uma decisão por impulso e pagou o preço depois, você sabe sobre o que estou falando. Contra isso, existem algumas técnicas para aprimorar a sua inteligência emocional.

A audácia de aproveitar novas oportunidades de negócios é considerada por muitos como uma virtude, e a timidez, um vício.

Eu não tenho tanta certeza.

Quando faço algo ousado, costumo investir meu tempo e dinheiro em projetos que não fazem sentido, desnecessários e/ou improváveis de terem sucesso. Por outro lado, quando estou me sentindo mais ressabiado, eu desperdiço boas oportunidades com uma alta probabilidade de sucesso.

As tendências emocionais importam. Se você entende a sua natureza, você está apto a tomar melhores decisões de investimento e de negócios adotando medidas contrárias ao seu humor dominante.
Mas como você descobre uma coisa dessas?

Determinando sua natureza 

Você é naturalmente otimista ou pessimista? Ao responder as seguintes questões, você deverá   descobrir:

1. Quando lhe é oferecido(a) alguma oportunidade de investimento ou de negócios, você fica animado(a) instantaneamente?

2. Você geralmente inicia projetos que se arrepende depois?

3. Você gosta de encontrar pessoas novas, conhecer novos pontos turísticos e se aventurar?

4. Quando está comentando sobre um novo negócio ou investimento com amigos ou colegas, você tende a exagerar sobre os benefícios e o potencial de lucro?

5. Você geralmente assume compromissos que depois se arrepende?

Caso você tenha respondido “sim” para três ou mais questões acima, eu deveria te chamar de “geralmente otimista”. Você pode até ser “demasiadamente otimista”.

Agora, responda a estas cinco perguntas:

1. Você sente que, em linhas gerais, tem mais desafios e obrigações do que necessariamente consegue lidar?

2. Em situações sociais, você se encontra geralmente pensando sobre coisas do trabalho ou problemas? Você tem dificuldade em viver “o aqui e o agora”?

3. Você avaliaria negativamente seu chefe e seus colegas?

4. Com qual frequência você se sente ansioso ou até triste por ter que ir a viagens de negócios ou atender a ofícios do trabalho?

5. Você divaga sobre sua aposentadoria ou imagina pedir demissão e procurar outro emprego?

Se você respondeu “sim” para três ou mais dessas cinco perguntas, você pode ter tendências pessimistas. Caso tenha afirmado “sim” para todas as cinco, você tem grandes chances de ser “excessivamente pessimista”.

É certo que este não é um teste científico. Em contrapartida, otimismo e pessimismo não são termos realmente científicos.

E, como disse acima, as tendências emocionais importam quando falamos sobre decisões de negócios. Para criar defesas contra seu humor dominante, isso é o que recomendo fazer...



Otimistas: contenham seu entusiasmo

Entenda que existe uma parte do seu cérebro que não está operando eficientemente. Essa é a parte que, nas outras pessoas, causa dúvidas e medo.

Seja feliz por ter um estado de espírito que lhe concede a sensação de que você pode realizar praticamente qualquer coisa, mas prometa a si mesmo que você domará todos seus impulsos através de um filtro externo.

Não assine quaisquer contratos ou memorandos de quaisquer negócios sem que um advogado ou um contador de confiança analise os documentos. Diga aos conselheiros que faz parte do trabalho identificar os problemas e ser duro com você quando você tenta convencê-los com argumentos e retórica (isso é o que você quer fazer quando alguém te joga um balde de água fria). 

Não compre qualquer coisa cara por impulso. Não contrate ninguém por impulso. Não demita ninguém por impulso. Não aceite um emprego por impulso.

Não envie e-mails “reativos” por impulso. Espere por 24 horas, e então delete ou modifique o e-mail. Se, ao ler o e-mail 24 horas depois, você ficou nervoso novamente e queira mandar o e-mail sem alterações, desligue-se desse ímpeto por mais 24 horas. Não envie aquele primeiro e-mail sob quaisquer circunstâncias. Você vai se arrepender.

Nunca fale nada em um e-mail sobre qualquer pessoa, a não ser que você imagine que ela lerá aquele e-mail, porque certamente o fará. Essa mesma regra se aplica para escrever textos, falar ao telefone ou pessoalmente.

Pessimistas: encham seu copo um pouco mais

Aceite o fato de que você tem um pouco de deficiência na química de seu cérebro. Reconheça que sua tendência instintiva de ver o lado negativo das coisas pode, às vezes, limitar seu sucesso ao diminuir seu entusiasmo ou o entusiasmo dos outros.

Seja contente porque você tem uma habilidade natural de detectar problemas potenciais em qualquer situação. Use esse talento para avaliar os riscos e os problemas inerentes a qualquer grande projeto que você empreenda.

Cultive o hábito de sempre dizer algo positivo antes de pronunciar qualquer coisa que lhe vier à mente.

Depois de você escrever sua lista de tarefas diárias, passe cinco ou dez minutos visualizando-se em toda tarefa. Imagine-se feliz ao atingir o objetivo. Mesmo se você achar seu trabalho detestável e a pessoa que você lida diariamente irritante, encontre alguma forma de realmente aproveitar a experiência.

Isso pode ser visto como um conselho que beira o absurdo – certamente foi o que pensei na primeira vez que tentei colocar em prática – mas você ficará surpreso ao ver o quanto isso funciona no dia-a-dia. 

Pratique sorrisos no espelho. Faça isso o quanto sua força de vontade permitir. E faça ainda mais vezes. Devo repetir: esse conselho pode parecer ridículo, mas funciona.

Quando conversar ao telefone, sorria. A pessoa no outro lado da linha está sentindo a energia que sai da sua voz. Se você quer que a pessoa responda de forma entusiasmada às suas ideias, você deve transparecer esse entusiasmo pelo tom da sua voz.

Toda vez que ver alguém pela primeira vez, cumprimente-o(a) com um aperto de mão firme, um sorriso e um olhar confiante.

Reconheça em qual humor você está

Você pode achar que seu humor oscila entre otimista e pessimista. Se você é igual a mim, essa mudança pode ser muito ampla.

Depois de entrar em uma depressão profunda algum tempo atrás, eu comecei a desenhar meu estado mental em termos sobre como eu me sentia, o que eu pensava sobre isso e qual tipo de funcionalidade eu tinha.

Quando estava com nota mínima na escala, eu me sentia suicida, tinha pensamentos negativos frequentemente e não conseguia sair da cama ou até ter uma conversa. Quando atingia a nota máxima, eu vivia eufórico. Eu amava todo mundo e tudo que encontrava.

Ao ter o dimensionamento de meus humores, descobri que, quando estava abaixo de 6 (em uma escala até 10), eu tomava decisões ruins. Eu me desviava de qualquer oportunidade ou desafio, incluindo muitos que me trariam vários benefícios.

Quando estava acima de 8, frequentemente optava por decisões ruins na direção oposta. Eu entrava em algum investimento ou projeto novo, qualquer oportunidade de negócios que aparecesse.

Hoje em dia, eu sigo uma regra que me mantém sempre em boa forma: nunca tomo decisões de negócio ou de investimento até que eu esteja entre 6 e 8 na escala.

Você não precisa usar meu sistema para obter o mesmo efeito. Simplesmente avalie que, se você tem humores que variam ao longo do tempo, você deve adiar decisões quando está se sentindo especialmente bem ou mal.

Em outras palavras, diga sim a novas oportunidades somente quando você não está sendo chacoalhado pelas suas emoções. Seja otimista, pessimista ou algo entre as duas: reconheça que, quaisquer que sejam seus objetivos, você tem uma melhor chance de atingi-los e de estar mais perto deles quando está com o humor em dia.

Bons investimentos,

Mark

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