Warm Up #301 - Sinta o Cheiro das Rosas

Mark Ford Publicado em 21/04/2020
1 min
A edição especial de hoje traz nosso sócio norte-americano Mark Ford. Ele vai compartilhar com você todo o segredo de desfrutar a simplicidade da vida para criar a verdadeira prosperidade, e como isso pode ajudar você a multiplicar os seus bens.

Olá, leitor da Inversa.

A coisa mais importante sobre “a vida de rico” que eu aprendi, me foi ensinada por um cara que era rico e largou tudo para estudar filosofia chinesa. 

Jeff e eu éramos amigos desde o colégio. Vinte e cinco anos atrás, quando nós ainda éramos relativamente jovens, fomos sócios em um negócio de vending machines (máquinas de vendas automáticas) que estava dando muito dinheiro. A remuneração anual de Jeff estava na faixa dos seis dígitos.

Um dia, ele se demitiu. Desde então, ele se sustenta dando consultoria e ensinando artes marciais chinesas. Sua saída dos negócios não diminuiu nosso relacionamento de forma alguma. Em vez disso, nos permitiu seguir diferentes carreiras e comparar nossas visões ao longo do caminho. 

Jeff é um pensador sério e atencioso. Sempre que estamos juntos, desfrutamos de conversas sem fim sobre assuntos que interessam a ambos. 

Nós falamos sobre ontologia. Nós falamos sobre sexualidade. Falamos sobre envelhecimento e saúde. Uma coisa que raramente discutimos é dinheiro. Mas, uma vez, o assunto surgiu. 

Eu mencionei a Jeff que estava trabalhando em um livro sobre “a vida de rico”.

“A mensagem que quero passar”, disse, “é que você não necessita de muito dinheiro para viver bem. Por outro lado, a maioria das pessoas que querem se tornar ricas gastam muito dinheiro em símbolos de riqueza, coisas que não importam. E investem pouco dinheiro em coisas que realmente importam... como colchões”.   

“Colchões?”, Jeff levantou uma sobrancelha.

“Uma pessoa normal passa sete ou oito horas por noite na cama”, eu disse. “Mas quando chega a hora de comprar um colchão, procura por barganhas. Ainda mesmo que um colchão de ótima qualidade dure dez vezes mais que um barato e garanta dezenas de horas de sono bom”. 

Jeff me ouviu, se divertindo. Então ele perguntou: “No que você pensa quando pensa em riqueza?” 

Além de ser especialista em filosofia chinesa antiga, Jeff é um mestre do diálogo socrático. Eu sabia que essa pergunta era somente o primeiro passo de uma caminhada que eu faria com ele: eu fui junto.  

“Eu não tenho certeza. Eu acho que penso em símbolos. A casa grande com uma piscina. Os carros chiques”.

“Isso é interessante”, ele disse. “Agora faça este exercício: imagine a si mesmo deitado em uma espreguiçadeira perto de uma piscina. De fundo, existe uma casa enorme e um grande carro preto estacionado na garagem”.  

Eu fechei meus olhos e fiz o que ele pediu.

“Você está se vendo nesse cenário?” Jeff perguntou.

“Sim”, eu disse. 

“E como você se sente?” ele perguntou. 

“Eu não sei”, eu disse. “Bem”.

“Pode ser mais preciso?” 

Eu foquei no sentimento. “Tranquilo”, eu disse. “E Seguro”. 

“Isso é interessante”, ele disse. 

Não falamos mais sobre isso aquele dia. Mas isso é algo típico em nossas conversas. Elas evoluem.

Um mês depois, Jeff e eu almoçamos em um de seus restaurantes favoritos em Palm Beach, um pequeno bistrô italiano.

Este seria um longo e luxuoso almoço. Primeiro, nós tomamos espumante. Então, comemos uns aperitivos, o prato principal e, finalmente, cafés expressos lá fora, no pátio, para que eu pudesse desfrutar um charuto.

Quando eu almoço sozinho, como rápido – quase furiosamente. É como se comer fosse um mal necessário. Quanto mais rápido eu terminar, mais rápido eu posso voltar ao trabalho.

Mas, com o Jeff, almoçar é bem diferente. É devagar. É deliberado. É consciente. Jeff comenta sobre o menu do dia. Ele saboreia o vinho. Ele aprecia a comida. O tempo fica mais devagar e me sinto mais consciente da experiência.

Sentados no pátio depois do almoço, bebendo nossos expressos, eu trouxe à tona nossa discussão anterior.

“Eu tenho pensado sobre como eu me sinto quando penso sobre riqueza”, eu disse a ele.

“E…”, disse Jeff.

“De maneira franca, meus sentimentos me surpreenderam. Tranquilo? Seguro? Isso é muito diferente do que eu teria adivinhado”.

Eu disse a ele que eu achava que esses sentimentos vieram de minha infância. Nós éramos uma família de 10 pessoas vivendo com o salário de professor. Nós éramos a família mais pobre na rua Maple, que era uma das ruas mais pobres da cidade.

O sentimento que eu tinha então era uma combinação de ansiedade (o medo de que meus colegas de escola fossem me desprezar por eu ser pobre) e vergonha (por causa das roupas usadas que eu vestia, os sanduíches baratos de mortadela que eu levava para o almoço... esse tipo de coisa).

Eu disse a Jeff que eu percebi que meus sentimentos adultos sobre riqueza – tranquilidade e segurança – eram sentimentos opostos aos que eu tinha quando era pobre – ansiedade e vergonha.

“Isso é interessante”, ele disse.

Depois de um momento, ele disse: “Mark, você teve muito sucesso em conquistar riqueza – mais sucesso que 99% das pessoas que procuram por isso. Você está dizendo agora que sua busca por riqueza, na verdade, era uma procura pelos dois sentimentos que você associava à riqueza quando era uma criança?” 

“Sim”, eu disse.

“E ainda assim, você descobriu que quando você tinha os símbolos de riqueza – a casa e os carros – você ainda não tinha aqueles sentimentos?”

"Certo”.

Ele acenou com a cabeça.

“E quanto de seu tempo que você gastou trabalhando para ganhar dinheiro para comprar os símbolos de riqueza?”

"Muito tempo", eu admiti. 

“Agora, deixe-me te perguntar isso: você já passou algum tempo tentando se sentir rico?”

“O que quer dizer?” eu perguntei.

“Digo, buscando os sentimentos ao invés das coisas?”

Eu admiti que eu não passei quase tempo nenhum fazendo isso.

“E com que frequência você se sente rico?” ele perguntou.

“Não é muito frequente”, eu admiti.

“Quando foi a última vez que se sentiu rico?”

“Eu me sinto rico agora”, eu disse. “Na verdade, me sinto rico sempre que nós aproveitamos um de nossos longos almoços. Eu acho que tem algo a ver com a maneira que você me ajuda a saborear cada parte da experiência”.

Ele balançou a cabeça novamente.

“Vamos dar uma volta”, ele disse. “Tem uma pequena banca de jornais aqui perto que tem uma grande seleção de revistas internacionais”.

Nós vagamos pela rua e passamos cerca de 20 minutos olhando revistas francesas, italianas e japonesas que eu nunca tinha visto antes. O ritmo, assim como o ritmo do nosso almoço, era calmo - quase lânguido. E isso, de alguma forma, me abriu.

Me deu ideias para algumas das revistas que eu publico. Me deu ideias sobre projetos de arte que eu posso começar. Me deixou com sentimento de inspiração... e algo mais. Me deixou me sentindo mais rico. 

Então esse era, eu percebi, outro sentimento que eu tinha quando me sentia rico. Era o sentimento de aquisição – não das coisas... mas de inspiração e conhecimento.

Foi um momento “Uau!” para mim.

Eu passei a maior parte de minha vida adulta sob estresse – estresse que eu coloco em mim mesmo para adquirir os símbolos da riqueza. Ainda assim, eu raramente me sinto rico. Jeff, por outro lado, parecia se sentir rico o tempo todo!

Jeff não evita os aspectos materiais da riqueza. Coisas bonitas e serviços elegantes são reais e ele sabe disso. Mas ele entende algo que a maioria das pessoas não entende: não são as próprias coisas que dão a sensação que você procura. É saber vivenciar o prazer que elas proporcionam.

Se você for como eu, o sentimento de riqueza tem três elementos: tranquilidade, segurança e enriquecimento intelectual ou emocional.

Você consegue a tranquilidade, Jeff me ensinou, simplesmente desacelerando. Quando você desacelera, você pode prestar atenção conscientemente no que você está vivendo.

Você obtém o sentimento de segurança ao não gastar mais do que pode dispor. Isso você faz banindo a ilusão de que precisa gastar dinheiro a rodo para ter “o melhor”.

Exemplo: Quando minha esposa e eu vamos a Paris, nós fazemos questão de experimentar o rico ambiente do Hotel George Cinq – mas nós o fazemos sem reservar um quarto de US$ 1.500. Ao invés disso, nós gastamos uns 90 minutos incríveis no bistrô do terraço bebendo vinho.

E você obtém o sentimento de enriquecimento emocional ou intelectual ao entender o que faz você se sentir rico e buscar isso.

Você precisa de dinheiro – muito dinheiro – para possuir símbolos de riqueza. Mas para ter o sentimento de riqueza, você não precisa gastar muito.

Ouça a música! Sinta a brisa do oceano! Sinta o cheiro das rosas! Agora, eu sei que é disso que se trata a “vida de rico”.

Bons investimentos,

Mark  

PS.: Caro(a) leitor(a), acabamos de liberar o primeiro episódio da série original A Nova Ordem Cripto. Entenda o fenômeno capaz de oferecer retornos de até 30.000% em apenas 5 meses, que está varrendo o mundo das criptomoedas aqui. 

A Inversa é uma Casa de Análise regulada pela CVM e credenciada pela APIMEC. Produzimos e publicamos conteúdo direcionado à análise de valores mobiliários, finanças e economia.
 
Adotamos regras, diretrizes e procedimentos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Resolução nº 20/2021 e Políticas Internas implantadas para assegurar a qualidade do que entregamos.
 
Nossos analistas realizam suas atividades com independência, comprometidos com a busca por informações idôneas e fidedignas, e cada relatório reflete exclusivamente a opinião pessoal do signatário.
 
O conteúdo produzido pela Inversa não oferece garantia de resultado futuro ou isenção de risco.
 
O material que produzimos é protegido pela Lei de Direitos Autorais para uso exclusivo de seu destinatário. Vedada sua reprodução ou distribuição, no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa.
 
Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Antonyo Giannini, CNPI EM-2476

Conteúdo protegido contra cópia