Warm Up #300 - O preço do pãozinho vai subir

Ivan Sant'Anna Publicado em 21/01/2020
4 min
Na bolsa de futuros de Chicago, o bushel de trigo já subiu 25% desde setembro do ano passado.

Caro leitor,

Ontem, quando estava escolhendo o tema desta crônica, recebi um e-mail de meu colega da Inversa Marink Martins anexando um estudo a respeito do mercado de trigo.

O texto “The U.S. Hasn’t Planted This Little Wheat in More Than a Century (Os Estados Unidos não plantaram tão pouco trigo em mais de um século)”, elaborado por Ryan Dezember, revela, entre outras coisas, que:

− a área plantada de trigo no Meio-Oeste americano é a menor em 111 anos. Ou seja, desde 1909, durante a administração William Howard Taft, antes do naufrágio do Titanic e da Primeira Guerra Mundial;

− na Austrália, sexto maior produtor mundial, incêndios estão devastando as lavouras;

− na bolsa de futuros de Chicago, o bushel de trigo já subiu 25% desde setembro do ano passado. A última cotação na CBoT foi de US$ 5,70 ½., o maior preço desde dezembro de 2014.

Outros grãos também estão iniciando bull markets, como é o caso do milho e da soja, embora sem a mesma intensidade do trigo.

Trigo e milho são a base da alimentação de diversos países em desenvolvimento e pobres, entre eles o México (tortilhas, burritos, tacos, etc.) o Paquistão e o Bangladesh (estes dois últimos têm em comum o naan, pão redondo que é comido puro ou acompanhando outros pratos).

Nesses países, a alta dos grãos tem enorme impacto no custo de vida da população, não raro provocando revoltas e obrigando os governos a conceder subsídios.

Em 1988, durante a última grande alta dos grãos, conversando com meu broker em Chicago, Alvaro Ancede, ele me disse que, mesmo se os alimentos dobrassem de preço nos Estados Unidos, isso provocaria um aumento de apenas um por cento na inflação anual.

Evidentemente não é o caso dos países pobres nem do Brasil.

Se a alta do dólar e das commodities agrícolas continuar, isso vai acabar refletindo na inflação brasileira. Esta pode estar fazendo um fundo nos níveis atuais.

Os boletins Focus, as estimativas do mercado, as cotações futuras do mercado de DI, tudo isso embute uma inflação baixíssima (para padrões históricos brasileiros, bem entendido) durante longo tempo.

Isso pode simplesmente não acontecer. Por esse motivo, sugiro ao caro amigo leitor que fique atento ao câmbio e às cotações das commodities. Mesmo as que são produzidas e vendidas aqui no Brasil, acompanham os preços internacionais. Essas detecções prematuras criam oportunidades fabulosas no mercado.

Ivan Sant'Anna

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