Warm Up #285 - É meu maior prazer vê-lo brilhar

Ivan Sant'Anna Publicado em 02/12/2019
1 min
Você investiria em ações do seu time de futebol? Leia a opinião do Ivan sobre esse tipo de investimento, que pode estar chegando ao mercado em breve.

Caro Leitor, 

Antes de mais nada, quero deixar claro que sou Fluminense desde antes de nascer. Na minha família, seria imperdoável alguém torcer por outro clube. 

Só que o caro amigo leitor, se tem intimidade com o futebol, percebe que o título desta crônica é um pequeno trecho do hino do Clube de Regatas Flamengo, merecidamente não só o time da moda no Brasil, além de ter, com larga vantagem, a maior legião de apaixonados. Agora, imaginem essa paixão se manifestando no mercado de ações. 

Há muitos anos, numa ocasião em que as autoridades francesas vetaram uma mudança na legislação que permitia que os clubes tivessem papéis negociados nas bolsas, um jornal me encomendou um artigo sobre o assunto. 

A crônica se chamou O violento esporte bretão. Dela, destaco o seguinte parágrafo: 

O casamento francês futebol/bolsa não seria nenhuma novidade. Muito menos na Europa unificada de fim de milênio. É só ler as notícias financeiras (eu disse ‘financeiras’, não esportivas) dos jornais: 

“Bilionário Joseph Lewis adquire o controle do AEK de Atenas”; “Joe Lewis, investidor baseado nas Bahamas, compra 25% do Glasgow Ranger”; “Opção do Vicenza da Itália, uma barganha de 2,6 milhões de libras”; “Slavia de Praga, outra pechincha: 3,7 milhões de dólares”; “Ajax de Amsterdã vende 30% de suas ações por 62 milhões de dólares”; “Lazio de Roma coloca 80 milhões de dólares em obrigações na Bolsa de Londres”. “Jesus Gil y Gil, do Atlético Madrid, é criticado pela falta de transparência nos negócios do clube”. E por aí segue a ladainha.”

No Brasil, o Bragantino, do interior de São Paulo, fez uma parceria com a Red Bull. Resultado: o time venceu a série B do Campeonato Brasileiro com cinco rodadas de antecedência e deverá estar pelo menos no bloco do meio na primeira divisão em 2020.

Red Bull, é claro, não entra em um negócio para dar vexame. 

Tendo à frente empresários do quilate dos Moreira Salles, o Botafogo, do Rio, se prepara para seguir o mesmo caminho.

No dia 27 de novembro deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou permissão para que um clube de futebol se transforme em empresa. O projeto segue agora para o Senado.

Avançando no tempo, e abusando da imaginação, vejo, lá por 2025, que diversos clubes brasileiros se tornaram sociedades anônimas, algumas delas de capital aberto, com seus papéis negociados em Bolsa após terem sido lançados por intermédio de IPOs.

Será uma grande oportunidade para se ganhar dinheiro com essas ações. Isso porque muita gente irá comprá-las por amor ao clube. Imagino que poucos corintianos terão ações do Palmeiras, vascaínos, do Flamengo, e colorados, do Grêmio.

Tenho certeza de que isso não acontecerá comigo, pois nunca misturei negócios com paixão. Exemplo disso são os 50 mil dólares que ganhei na Copa do Mundo de 1974, ao apostar na Holanda contra o Brasil.

Sem tomar sustos, a Laranja Mecânica, de Johan Cruijff, venceu por dois a zero e embolsei as verdinhas.

Nestas bandas, o potencial do Flamengo, por exemplo, é gigantesco. Após algumas administrações desonestas, outras incompetentes, e ainda outras desonestas e incompetentes, o clube arrumou suas contas, formou um grande time e passou a tirar partido de sua gigantesca torcida.

A nação rubro-negra representa estádios sempre lotados, maiores cotas de televisão, venda de produtos com a marca do clube.

As pessoas não se apaixonam pela Vale do Rio Doce, nem pelo Banco do Brasil e Magazine Luiza. Mas não consigo imaginar um atleticano short em ações do Galo.

Ivan Sant'Anna

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