Warm Up #280 - Viva Chile, mierda!

Ivan Sant'Anna Publicado em 19/11/2019
1 min
Protestos como do Chile e da Bolívia podem se repetir no Brasil? Confira a opinião do Ivan sobre a instabilidade nos nossos vizinhos e riscos para nosso país

Caro Leitor,

Não, meu caro amigo leitor, não estou querendo ofender o Chile ao chamá-lo de mierda.

Em 1962, quando passei um mês naquele país, para assistir a segunda Copa do Mundo vencida pelo Brasil, descobri que os chilenos usam essas expressões “Chile, mierda!” ou “Chile de mierda!” em sinal de regozijo. Pode ser num jogo de futebol ou em qualquer tipo de evento festivo.
 
É um hábito que eles curtem e há semelhanças em outros setores.

Antes do início de uma prova, é comum pilotos de Fórmula 1 dizerem para um adversário, desejando-lhe boa sorte: Break your neck (quebre o pescoço).

Alguns escritores, principalmente os mais antigos (eu sou dos novos, comecei em 1996), em vez de desejar sucesso a um colega, dizem “Merda!”.

Pois bem, agora o Chile está literalmente na merda, com milhões de pessoas enfrentando nas ruas a polícia e o Exército.

Curioso é que há bem pouco tempo o país era considerado um modelo não só para a América do Sul, como também para o mundo.

Uma das razões pelas quais os chilenos estão protestando são as baixíssimas aposentadorias.

É bom lembrar que eles adotaram o regime de capitalização, regime esse que se torna inviável num cenário de taxas de juros baixíssimas, em muitos casos até negativas, considerando-se a inflação. Que é o que está acontecendo agora.

Para quem não sabe, no Chile a transição da ditadura para a democracia se deu pacificamente. O presidente Augusto Pinochet se submeteu a um plebiscito, perdeu e entregou o poder. Mas deixou como herança uma Constituição na qual o regime de aposentadoria com salário integral é privilégio exclusivo dos militares.

O resto ficou na capitalização. E, mesmo com o risco de ser repetitivo, deu merda. Volta e meia me perguntam se acho que o que está acontecendo no Chile e na Bolívia pode se repetir no Brasil. Duvido!

Senão, vejamos...

Lula foi solto. Algumas centenas de integrantes dos “movimentos sociais” (as aspas entram aqui como deboche mesmo) protestaram na avenida Paulista e em outros lugares, sem a menor repercussão.

O Supremo Tribunal Federal deu um ippon na Lava-Jato e outras centenas foram às ruas. Pacificamente.

Reformaram a Previdência, o que geralmente dá merda (viciei na palavra) em qualquer país e a população aceitou numa boa, seja por resignação bovina, seja por percebê-la inevitável.

Mudaram diversos tópicos da legislação trabalhista. O povo (talvez por causa do alto índice de desemprego) ficou na sua.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

A Inversa é uma Casa de Análise regularmente constituída e credenciada perante CVM e APIMEC.

Todos os nossos profissionais cumprem as regras, diretrizes e procedimentos internos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Instrução 598, e pelas Políticas Internas estabelecidas pelos Departamentos Jurídico e de Compliance da Inversa.

A responsabilidade pelas publicações que contenham análises de valores mobiliários é atribuída a Felipe Paletta, profissional certificado e credenciado perante a APIMEC.

Nossas funções são desempenhadas com absoluta independência, não sendo dotadas de quaisquer conflitos de interesse, e sempre comprometidas na busca por informações idôneas e fidedignas visando fomentar o debate e a educação financeira de nossos destinatários.

O conteúdo da Inversa não representa quaisquer ofertas de negociação de valores mobiliários e/ou outros instrumentos financeiros. Os destinatários devem, portanto, desenvolver as suas próprias avaliações.

Todo o material está protegido pela Lei de Direitos Autorais e é de uso exclusivo de seu destinatário, sendo vedada a sua reprodução ou distribuição, seja no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa, sob pena de sanções nas esferas cível e criminal.  

Conteúdo protegido contra cópia