Warm Up #276 - Corrupto solto nas ruas

Ivan Sant'Anna Publicado em 11/11/2019
1 min
Nos próximos dias, o comportamento de Lula e do presidente da República ditará o rumo do mercado. Se eles continuarem trocando ofensas e exagerando nos adjetivos, logo haverá um clima de instabilidade no país.

Caro leitor,

Na última quinta-feira, 7 de novembro, o Ibovespa fez uma nova máxima histórica ao alcançar os 109.671,91 pontos durante o pregão. Nessa mesma quinta, após o fechamento do mercado, em sessão que avançou pela noite, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os condenados (ricos, que podem pagar bons advogados, embora Suas Excelências não tivessem mencionado o detalhe) devem ser considerados inocentes.

Permanecem em liberdade até trânsito em julgado da sentença, ou seja, até que o STF aprecie o caso, o que pode significar não fazer isso nunca.

Na manhã seguinte, o Ibovespa já abriu em forte queda, queda essa que se acentuou no final da tarde quando o juiz federal Danilo Pereira Júnior mandou libertar o sentenciado por corrupção Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao final do pregão, o Ibovespa apresentava uma queda de 1,86% em relação à máxima de quinta.

O curioso nesta história é que, se examinarmos os jornais de segunda-feira, dia 4, terça, 5, e quarta, 6, todas as matérias já antecipavam que a decisão do STF contra a prisão após segunda instância iria passar no plenário do Supremo.

Davam até os nomes dos ministros que votariam contra e a favor da medida. Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia manteriam o status quo que possibilitou o êxito da Lava-Jato.

Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli seriam a favor de manter soltos os condenados (ricos, com bons advogados, repito) que não esgotaram seus recursos.

Cacete! Se os traders já tinham conhecimento antecipado dos fatos, por que não liquidaram suas posições antes? A resposta é simples: sempre que o mercado faz novo high, é sinal de que quem comprou está ganhando. E isso dá cagaço.

“Vou liquidar minha posição, para ver no que vai dar”, aposto que foi esse o raciocínio dos touros.

Nos próximos dias, o comportamento do condenado (por corrupção, repito) Lula e do presidente da República ditará o rumo do mercado. Se eles continuarem trocando ofensas e exagerando nos adjetivos, logo haverá um clima de instabilidade no país.

Não duvido que Lula entre na rotina Anthony Garotinho, prende/solta, solta/prende. Logo, algum juiz achará que ele está extrapolando suas funções de condenado por ladroagem, solto, atuando como político, como se cidadão de bem fosse, e cerceará sua liberdade, confinando-o nos limites do município de São Bernardo do Campo, sob pena de prisão, prisão essa da qual será solto por um habeas corpus concedido vocês sabem por quem.

Bolsonaro, que sempre foi do baixo clero, e do baixo clero continua como presidente (sendo seu governo salvo por Paulo Guedes), é homem que adora uma refrega. Para ele abandonar as reformas e se dedicar ao combate dos monstros vermelhos, não custa.

É simplesmente masturbação mental ficar imaginando agora o resultado das eleições presidenciais de 2022. Antes disso, muita água suja vai rolar por baixo da ponte.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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