Warm Up #260 - Uma aposta, 2019 já fez sua máxima

Ivan Sant'Anna há 5 meses
4 min
O low do ano no Ibovespa ocorreu logo no primeiro dia útil, quando tive a audácia de escrever a crônica “O Ibovespa já fez a mínima de 2019”. Vou repetir a dose. Acho que a máxima também já aconteceu.

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Caro leitor,

Às vezes, alguns leitores me enviam mensagens reclamando quando escrevo sobre política.

“Você deveria se limitar ao mercado financeiro”, eles sugerem. Mas quando os fundamentos da Bolsa e do câmbio são políticos, só me resta falar do assunto.

Se as cotações estivessem sendo influenciadas por condições climáticas (seca ou inundação – weather market), estaria comentando meteorologia.

Caso o tema em voga fosse inflação, taxa de juros e eleições, estaria dedicando meus textos a inflação, taxa de juros e eleições.

Só que o assunto dos últimos meses foi basicamente a reforma da Previdência. Aos 45 do segundo tempo (falta a prorrogação, na próxima semana), o Senado tungou mais R$ 76,4 bilhões da economia esperada para os próximos dez anos. Se o motivo foi justo, não vem ao caso. Mas tungou.


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O mercado não gostou nem um pouco desse corte inesperado. Pior, nos destaques votados ontem (e felizmente derrotados) havia a possibilidade de que a reforma perdesse outros R$ 201,3 bilhões, hipótese em que a desidratação teria outro nome: quebra do sistema previdenciário.

Não se pode descartar os tombaços sucessivos que Nova York vem sofrendo. Claro que isso também influenciou a queda de São Paulo.

Voltando à reforma, segundo o relator Tasso Jereissati, “alcançamos um resultado muito bom, não um resultado ótimo”.

No início do ano, quando o assunto começou a ser tratado, a expectativa do governo era de uma economia de R$ 1,2 trilhão, valor esse que, caso o segundo turno de votação no Senado não enxugue mais nada, deverá ficar em pouco mais de R$ 800 bilhões em uma década.

Cá entre nós, esses números podem melhorar, dependendo da economia voltar a crescer, trazendo a reboque maior arrecadação do INSS.

low do ano no Ibovespa ocorreu logo no primeiro dia útil (2 de janeiro), quando o índice foi cotado a 87.537. Na época, inclusive tive a audácia de escrever a crônica “O Ibovespa já fez a mínima de 2019”.

Hoje vou repetir a dose. Acho que a máxima também já aconteceu, a 106.650, no dia 10 de julho, quando a PEC previdenciária foi aprovada em 1º turno na Câmara dos Deputados. Antes dos destaques castradores, bem entendido.

No meu juízo, essa economia de R$ 800 bilhões se deve única e exclusivamente aos esforços do ministro da Economia, Paulo Guedes, do secretário da Previdência, Rogério Marinho, dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, e dos relatores Samuel Moreira (Câmara dos Deputados) e Jereissati.

Durante todo esse tempo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, se preocupou em preservar os direitos dos militares e policiais, como tem sido seu papel desde que assumiu uma cadeira na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em 1989. Aliás, na ocasião, seu projeto mais comentado foi o de que os militares tivessem passe gratuito nos ônibus, trens e metrô da cidade.

O Brasil teve a sorte de Bolsonaro ter se encantado com Paulo Guedes, liberal convicto da Escola de Chicago. Tivesse escolhido para a pasta da Economia um ultranacionalista, como o próprio capitão-presidente foi durante quase toda a sua vida pública, nós estaríamos ferrados.

Ferrados da porra, só para usar a linguagem em voga no Planalto.

Ivan Sant'Anna

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P.S.: Para entender como encontrar oportunidades em momentos de crise como a atual, acompanhe a série de Podcasts Especiais Coronavírus e o Momento dos Mercados clicando aqui.

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