Warm Up #259 - O inferno astral da Boeing

Ivan Sant'Anna Publicado em 01/10/2019
3 min
Com reveses somados, a Boeing não se manterá sem uma ajuda financeira sem precedentes. No chute, algo como US$ 1 trilhão.

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Como os leitores de minhas newsletters estão cansados de saber, desde março deste ano os aviões 737 MAX da Boeing foram mantidos no solo após dois acidentes graves. Ambos aconteceram logo depois da decolagem e resultaram na morte de todos os passageiros e tripulantes a bordo.

A primeira dessas tragédias ocorreu em 29 de outubro de 2018 com o voo 610 da empresa indonésia Lion Air. Treze minutos após decolar do Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, em Jacarta, o MAX se precipitou nas águas do mar de Java.

Apenas 132 dias se passaram quando um segundo 737 MAX, este da Ethiopian Airlines, se espatifou nas proximidades da cidade de Bishoftu, seis minutos depois de partir do Aeroporto Internacional Bole, em Adis Abeba, com destino a Nairobi, no Quênia.

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Como os dois acidentes se deram nas mesmas circunstâncias, a Boeing e a FAA (Federal Aviation Administration) não tiveram outra opção a não ser a de manter no solo todos os MAX já entregues às companhias aéreas. Algumas até já tinham se antecipado à instrução e interditado suas aeronaves.

Pois bem, quase sete meses se passaram desde a segunda ocorrência e a Boeing ainda não desenvolveu uma maneira (se é que há) de corrigir a falha de projeto dos MAX.

Eis, então, que surge um fato novo na gigante de Seattle. Alguns jatos da série NG (Next Generation) dos 737 (737-700, 737-800 e 737-900), com muitas horas de voo, estão apresentando rachaduras, causadas por fadiga de material, nos garfos que unem as asas à fuselagem.

Somando-se os MAX (eles continuam sendo fabricados e estocados nos pátios da empresa em Seattle) e os NG, estamos falando de grande parte dos aviões comerciais do planeta.

Se todos os NGs forem chamados para um recall, a aviação mundial sofrerá um baque de proporções inéditas. Mesmo que o defeito seja reparado, e que o tempo de vida útil dos aviões seja apenas diminuído, o estrago está feito. Os aviões ficaram marcados.

Em minha opinião, com todos esses reveses somados, a Boeing não se manterá sem uma ajuda financeira sem precedentes. No chute, algo como US$ 1 trilhão.

Esse socorro só poderá vir do governo americano. Este deverá estatizar a empresa, com algum tipo de cláusula de recompra para os atuais acionistas, quando o problema for resolvido.

Em quase todas essas crises, alguém sai ganhando. Neste caso, a Airbus e, quem diria, a Embraer.

A gigante europeia deverá voltar atrás em sua decisão de parar de fabricar o A380, cuja produção estava prevista para terminar em 2021, em função da baixa taxa de ocupação dos chamados superjumbos, de dois andares. Isso porque vai faltar avião na praça.

Com seu fantástico E195, que tem até 124 lugares (dependendo da configuração de cada aeronave), a fábrica de São José dos Campos poderá crescer muito acima do que foi imaginado.

Ivan Sant'Anna

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