Warm Up #202 - Virou o jogo no fim

Mateus Fontanini Publicado em 31/05/2019
4 min
Parecia que a Bolsa teria mais um maio negativo, mas reviravolta desta semana pode quebrar tabu

Prezado leitor,

Chegamos ao último dia de maio e você provavelmente já deve ter ouvido falar do famoso ditado: Sell in May and go away (Venda em maio e vá embora). A intenção da mensagem é alertar investidores a vender seus ativos de renda variável em maio para evitar a queda que, nos últimos anos, tem ocorrido nesse período.

A expressão Venda em maio e vá embora originou-se de um velho ditado inglês: Sell in May and go away, buy again on St Leger Day. Essa frase se refere a um costume de comerciantes, banqueiros e aristocratas que deixavam a cidade de Londres durante o período mais quente do ano (entre maio e outubro).

E o que que isso tem a ver com os seus investimentos?

A partir de 2010 - ou seja, já uma sequência de nove anos -, o Ibovespa passou a registrar, sem exceções, quedas no mês de maio, sendo que, dessas nove quedas, cinco corresponderam ao pior mês do respectivo ano. Veja abaixo:

E esse padrão tinha tudo para se repetir no ano de 2019. Começamos o mês com consecutivos tombos. Em um deles, o Ibovespa chegou a cair mais de 6,5%, alcançando a sua mínima no dia 17, aos 89.400 pontos. Entretanto, até o fechamento de ontem, garantia valorização de 1,15%.

Fonte: Bloomberg

Antes de explicar o motivo dessa virada “repentina” (a partir do dia 24) no ano de 2019, vamos entender por que ocorreu essa queda nos últimos 9 anos.

Não muito diferente do que ocorria em Londres antigamente, hoje em dia, as férias no Hemisfério Norte ocorrem em maio e, diante disso, muitos gestores e investidores vendem suas posições em renda variável para não se preocuparem com as cotações durante o período de descanso.

Sendo assim, nesse período, a liquidez do mercado tende a cair e a volatilidade aumentar. Consequentemente, como cerca de 50% do volume da Bolsa brasileira é gerado por estrangeiros, principalmente do Hemisfério Norte, a liquidez aqui acaba caindo também.

Mas, então, por que neste ano as coisas estão diferentes?

Em relação ao exterior, no início do mês, houve diversas reviravoltas nas negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos, que suscitaram temores a respeito dos possíveis efeitos sobre ambas as economias e, consequentemente, sobre a economia mundial.

Somado a isso, a novela da saída do Reino Unido do bloco europeu (o famoso Brexit) segue sem solução, levando à renúncia da primeira-ministra Theresa May – olha May de novo, mas, neste caso, é só uma coincidência. A situação britânica contribui para que os investidores cobrem maior prêmio de risco nas operações.

Já no cenário interno, temos um ambiente político completamente conturbado: investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro; falta de articulação entre governo e parlamentares; protestos em diversas cidades do país contra o corte na educação. Do lado econômico, contínua queda nas projeções de crescimento do PIB. Uma combinação que só fez elevar as tensões.

Com o cenário interno e externo jogando contra, a Bolsa brasileira sangrou e chegou a cair 2,69% em um único dia. Mas a grande reviravolta ocorreu mesmo no último domingo (26), após os protestos, em várias cidades do país, em prol das reformas necessárias para o país voltar a crescer.

O mercado viu com bons olhos essas manifestações, sobretudo porque, após elas, representantes dos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), que não estavam se entendendo muito bem, se encontraram para uma conversa.

Na terça (28), reuniram-se no Palácio da Alvorada Bolsonaro (presidente da República), Rodrigo Maia (presidente da Câmara), Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e Dias Toffoli (presidente do Supremo Tribunal Federal) para discutir o que foi chamado de "pacto" a favor das reformas.

Com os três poderes deixando de lado os seus desentendimentos, e colocando as pautas necessárias em primeiro lugar, o índice Ibovespa ignorou completamente os problemas externos. Marcou valorização, até o fechamento de ontem, de 4,01% no acumulado da semana, com retorno, até agora, de 1,15% no mês.

Hoje, porém, é o dia decisivo, já que 1% não é muita coisa e o mês pode acabar ficando no vermelho. Será que o Ibovespa vai entregar essa valorização positiva e chegar a dez anos consecutivos de quedas em maio? Ou vai ampliar essa valorização? Vamos acompanhar!

De qualquer forma, eu e o José Castro não queremos pagar para ver. Por isso, sempre sugerimos que você diversifique seus investimentos. Para saber mais sobre a melhor forma de diversificar seu portfólio e proteger o patrimônio, convido você a entrar aqui.

Um abraço,

Mateus Fontanini

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