Warm Up #192- Reflexões de um ex-defunto

Ivan Sant'Anna Publicado em 16/05/2019
2 min
No dia de seu aniversário, Ivan escreve sobre tempo de vida e como alcançar uma aposentadoria tranquila

Nota do editor: Na edição de hoje, Ivan brinca com as estatísticas de tempo de vida para ensinar – atenção à parte PRO – onde você deve investir para ter “uma morte tranquila”. 

 

Caro leitor,

Hoje completo 79 anos de idade. Sou, by far, o colaborador mais velho da Inversa. Confesso que, se a empresa contratar um ancião mais ancião do que eu, ficarei com ciúmes.

Quando nasci, a expectativa de vida de um homem no Brasil era de 42 anos e onze meses. Portanto, de acordo com os cálculos atuariais da época, deveria ter morrido em abril de 1983.

Por sinal, era um momento de grande euforia. Após nove meses de uma doença seriíssima na família, houve um final feliz.

Se eu tivesse morrido naquela época, como anteviram as estatísticas na época de meu nascimento, não teria deixado um centavo para meus herdeiros.

Além dos gastos hospitalares, que carcomeram minhas economias, estava desempregado, havia um ano fora do mercado e, por conseguinte, desatualizado.

Recomecei com salário mínimo, mais comissões, vendendo barras de ouro em uma fundidora. Durou pouco. Em menos de um ano já operava futuros em Nova York e Chicago.

Atualmente, a expectativa de vida de um homem brasileiro é de 72,5 anos. Portanto, teoricamente, morri em novembro de 2015.

Até que foi um momento legal. Acabara de lançar o livro Bateau Mouche e vendido os direitos de filmagem para uma produtora.

Embora a fita não tenha saído (sei lá se vai sair), recebi uma boa grana. Minha morte foi noticiada no JN, o que não teria acontecido em 1983.

Só que aí há uma distorção. Embora a perspectiva de vida de um brasileiro do sexo masculino ao nascer seja de 72 anos e seis meses, para quem já tem 80 (faltam 12 meses para eu chegar lá) é de 89 e meio.

Agora é definitivo. Vou morrer em 2029. Ainda verei duas copas do mundo e, se o cérebro não me aprontar uma falseta, escreverei mais uns cinco livros e 500 crônicas como esta.

Um abraço.

Ivan Sant’Anna 

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