Warm Up #191 - Esperar é saber

Ivan Sant'Anna Publicado em 15/05/2019
4 min
Ter sangue frio é uma qualidade dos grandes investidores. Neste texto, Ivan Sant’Anna mostra que, nem sempre, agir rápido é o melhor caminho

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Caro leitor,   

Tenho um amigo que é gestor de grandes fortunas. Extremamente bem-sucedido, diga-se de passagem. Um dos seus princípios é aguardar a primeira meia hora de pregão na Bolsa antes de entrar numa posição ou sair de outra.
   
Acho o procedimento correto, com algumas exceções. Se você é um dos primeiros a saber de um acontecimento, seja ele a facada de Juiz de Fora, o início da greve dos caminhoneiros ou o episódio do “Tem que manter isso aí, viu?”, aja rápido.

A facada, desde que Jair Bolsonaro não morresse, é óbvio, era bullish para o mercado de ações. O incidente não só o transformava de carrasco em vítima como também lhe dava o direito de não comparecer a debates.   

Ficar fora do alcance do fogo inimigo é sempre vantajoso para o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto.   

Não houve um dia D nem uma hora H para a greve dos caminhoneiros se tornar um fato real. Os caminhões simplesmente foram parando no acostamento das estradas, mais tarde bloqueando-as até que se tornou um fato consumado.   

A divulgação da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista ocorreu após o fechamento da Bolsa. Mas, desde o começo da tarde, já havia um zum-zum-zum. Quem dele tomou conhecimento, fez bem não só em liquidar sua carteira de ações como ficar short no Ibovespa.   

Houve também a história do telefonema de Dilma para Lula, aquele do Bessias, divulgado no meio da tarde, que representou uma ótima oportunidade de trading do lado comprado.   

Na maior parte das vezes, no entanto, todo o mercado fica sabendo ao mesmo tempo de determinada ocorrência.

Isso acontece, por exemplo, a cada primeira sexta-feira do mês, quando o Labor Department (Departamento do Trabalho) dos Estados Unidos anuncia os números do desemprego.   

É o mesmo caso do Relatório Focus, divulgado às segundas pelo Banco Central do Brasil, sempre antes da abertura da Bolsa, com as previsões dos economistas dos bancos sobre o comportamento do PIB, da inflação, da cotação do dólar e da taxa Selic para o ano em curso e o seguinte.   

Tanto por ocasião do anúncio do desemprego americano como nos dados do Focus não adianta sair correndo para se posicionar.   

Nessas ocasiões, pare, olhe, escute. Espere. Após constatar uma tendência, siga-a. The trend is your friend, diz um ditado da Rua (Wall Street).   

Na noite de 20 para 21 de agosto de 1991, o presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que tinha posto fim, através da perestroika (reestruturação) e da glasnost (transparência), a um regime fechado que já durava 74 anos, foi preso, por militares rebeldes, em sua dacha (casa de campo) na Crimeia.   

Como eu ficava antenado nos mercados internacionais 24 horas por dia, meus brokers em Chicago tinham autorização para me acordar sempre que houvesse uma notícia importante, como a daquela noite.

Imediatamente entrei no plantão noturno do S&P500 e perguntei como estava o mercado eletrônico.   

“Estão saindo negócios no limite de baixa”, me informou o plantonista.
 
“Vende 30 S&P Setembro a mercado!”. Não perdi tempo.
 
A rapidez e a facilidade com que a ordem foi executada me deixaram cabreiro.

No dia seguinte, Boris Yeltsin, chairman do Presidium Soviético Supremo, acionou tropas legalistas, liberou Mikhail Gorbachev e o repôs no cargo (pouco depois o sucederia).
   
Os responsáveis pela prisão de Gorbachev foram imediatamente presos e acusados de alta traição, com exceção de um general que se suicidou.
   
Não foram os únicos perdedores. Os contratos de S&P, nos quais eu estava short, subiram feito um foguete. Perdi uma nota, única e exclusivamente por ser afobado e querer ser mais esperto que os outros.   

E o que esses episódios nos ensinam sobre como agir nos eventos que estão para movimentar o mercado de capitais no Brasil?

Um abraço.

Ivan Sant’Anna 

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