Warm Up #177 - Blue chip ou caderneta?

Ivan Sant'Anna Publicado em 17/04/2019
3 min
A política de preços da Petrobras precisa ficar clara, seja ela qual for. Veja os comentários do Ivan Sant’Anna sobre o assunto

Caro leitor,

Dei à minha newsletter “Os mercadores da noite” de anteontem um título provocativo: Bolsonaro, quem diria, ‘dilmou’. Estava me referindo ao fato de o presidente ter postergado (ou cancelado) um aumento de 5,7% no preço do óleo diesel, fixado pela Petrobras na semana passada.

Em resposta, recebi dezenas de mensagens de leitores. A maioria gostou. Outros se manifestaram educadamente contra minha opinião. Alguns destes exibiram argumentos tão sólidos que inclusive me fizeram refletir sobre a propriedade do que escrevi.

Finalmente houve aqueles mal-educados que me dirigiram uma série de impropérios. Pareciam até integrantes das Sturmabteilung dos anos 1930. Quem leu sobre a ascensão do Terceiro Reich, sabe do que estou falando.

Quando escrevi minha crônica, quis fazer uma crítica contra a mudança de política de preços da Petrobras de uma hora para outra, desconcertando os acionistas da empresa. Mesmo que mais tarde Bolsonaro volte atrás em sua decisão, o que pode ser que esteja acontecendo.

A estratégia da estatal precisa ficar bem definida. Qualquer que seja ela. Não pode flutuar ao sabor dos ventos políticos e das pressões de quem quer que seja.

No modo de ver de Pedro Parente, que presidiu a Petrobras no governo Temer, juízo esse mais tarde seguido por Roberto Castello Branco, o preço para o consumidor brasileiro deve ser a cotação do petróleo multiplicada pelo valor do real.

Mesmo que essa fórmula acabe prevalecendo, a dúvida ficou por dois ou três dias.

Indecisões, marchas e contramarchas são tudo que os investidores detestam. As regras, sejam quais forem, têm de ser claras. Estou certo, Arnaldo?

Não há nada demais se a Petrobras passar a calcular o preço de venda de seus derivados tendo como base o custo de produção.

As distribuidoras de energia elétrica fazem isso. Tanto é assim que existe o sistema de bandeiras. O quilowatt-hora fica mais caro quando as termoelétricas são acionadas.

Nos Estados Unidos, as utilities (concessionárias de serviços públicos) funcionam assim. Há até um Dow Jones especial para elas. Trata-se do Dow Jones Utilities Average Components. Essas companhias pagam dividendos (pequenos) regularmente. Não sobem muito nos bull markets e muito menos despencam nos crashes.

As pessoas idosas adoram aplicar dinheiro em ações das utilities. São uma espécie de caderneta de poupança.

Gostou dessa newsletter? Então me escreva contando a sua opinião no warmup@inversapub.com.

Um abraço, 

Ivan Sant'Anna

Para ter acesso a mais comentários e insights do Ivan Sant’Anna acesse aqui.

A Inversa é uma Casa de Análise regularmente constituída e credenciada perante CVM e APIMEC.

Todos os nossos profissionais cumprem as regras, diretrizes e procedimentos internos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Instrução 598, e pelas Políticas Internas estabelecidas pelos Departamentos Jurídico e de Compliance da Inversa.

A responsabilidade pelas publicações que contenham análises de valores mobiliários é atribuída a Felipe Paletta, profissional certificado e credenciado perante a APIMEC.

Nossas funções são desempenhadas com absoluta independência, não sendo dotadas de quaisquer conflitos de interesse, e sempre comprometidas na busca por informações idôneas e fidedignas visando fomentar o debate e a educação financeira de nossos destinatários.

O conteúdo da Inversa não representa quaisquer ofertas de negociação de valores mobiliários e/ou outros instrumentos financeiros. Os destinatários devem, portanto, desenvolver as suas próprias avaliações.

Todo o material está protegido pela Lei de Direitos Autorais e é de uso exclusivo de seu destinatário, sendo vedada a sua reprodução ou distribuição, seja no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa, sob pena de sanções nas esferas cível e criminal.  

Conteúdo protegido contra cópia