Warm Up #143 - Explicação aos leitores

Ivan Sant'Anna Publicado em 14/02/2019
4 min
Qual a importância da política para o mercado financeiro no momento? O Ivan Sant’Anna comenta nesta newsletter porque Brasília está no centro das mesas de operação

 

Nota do editor: A equipe da Inversa está convencida de que o Ibovespa ainda está longe de chegar ao seu auge e nós vamos te explicar porque acreditamos que a Bolsa vai subir muito mais. Para isso, vamos destrinchar os motivos da alta da Bolsa em uma série especial de newsletters que vamos enviar para você a partir de sábado (16/02). Ela envolve todos os editores e especialistas da Inversa, que vão te ajudar a entender esse ciclo de alta. Aguarde para receber em seu e-mail essa série especial com o título Na Alta da Bolsa e não fique de fora desse movimento com enorme potencial para fazer seu dinheiro crescer. Abaixo, você fica com a Warm Up de hoje, na qual o Ivan comenta a forte relação entre política e mercado financeiro no momento atual.

 

Caro leitor,

Quase todos os dias recebo e-mails de assinantes comentando minhas newsletters. Boa parte deles elogia, mas tem alguns que metem o pau. Há também aqueles que dão sugestão de pautas. Outros se queixam do tema escolhido.

Ontem, por exemplo, recebi uma mensagem reclamando que ultimamente só falo de política.

Na verdade, quase sempre procuro escrever sobre o assunto para o qual o mercado está olhando. De que me adianta falar da ditadura nicaraguense, ou da queda do helicóptero que matou o jornalista Ricardo Boechat, se os investidores só querem saber da reforma da Previdência?

Caro amigo leitor, raciocinemos juntos. Se o Ibovespa vai cair ou subir de acordo com as mudanças previdenciárias, e essas alterações serão definidas pela combinação Executivo/Legislativo, isso se o STF não meter o bedelho, é sobre esses eventos, que terão Brasília como palco, que irei falar. Pois é neles que o mercado prestará atenção.

Nem sempre foi assim.

Durante os 21 anos de regime militar, a política sumiu dos periscópios das trading desks. Havia muito boato, inside informations (fakes e verdadeiras), mas como o Planalto legislava por decreto-lei em matéria econômica, ninguém se interessava pelo que acontecia (se é que acontecia alguma coisa) na Câmara e no Senado.

Outro tema que influenciou a Bolsa por muito tempo foi a inflação. E, mais do que a inflação, os choques heterodoxos usados (sem sucesso até o Plano Real) para abatê-la.

Só que o dragão (ou hidra de sete cabeças) inflacionário levava um tiro de canhão, dava arrancos de cachorro atropelado, estrebuchava, semicerrava os olhos, encolhia as patas por algumas semanas e depois ressurgia com novo, e fantasmagórico, vigor.

Nessas épocas, restava a nós, traders, acertar o momento da volta do monstro. Quem era esperto, ganhava tanto dinheiro quanto se ganha hoje.

Bom exemplo disso foi o Plano Cruzado, cujo sucesso (congelamento de salários e preços) durou dez meses, de 28 de fevereiro a meados de novembro de 1986. Nesse tempo, com inflação próxima de zero, aconteceu um formidável bull marketnas Bolsas de valores de São Paulo e do Rio de Janeiro. Depois melou.

Houve uma ocasião em que os operadores de mercado se transmudaram em médicos. Foi durante o martírio de Tancredo Neves, que durou infindáveis 38 dias.

“É só uma diverticulite”, garantia um broker para seu cliente. “Numa semana, ele (Tancredo) toma posse (o vice, José Sarney, assumira a presidência). Pode comprar (ações), e correr para os abraços.”

“Ferrou, meu chapa. Fodeu. Tancredo foi transferido para o Incor, em São Paulo. Acho que já era.”

No dia 21 de abril de 1985, Tancredo Neves morreu. Com esse fait accompli, o mercado foi buscar novos fundamentos.

Gostou dessa newsletter? Então me escreva contando a sua opinião no warmup@inversapub.com.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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