Warm Up #124 - A montanha pariu um rato

Ivan Sant'Anna Publicado em 10/01/2019
3 min
O mercado ignora

Caro leitor,

Anteontem Donald Trump e a imprensa fizeram tanto estardalhaço com relação a um pronunciamento do presidente norte-americano pela televisão às 21 horas, fuso da Costa Leste (meia-noite no horário de Brasília) que liguei a TV nessa hora para assistir. Quem sabe haveria alguma novidade a respeito da paralisação dos órgãos do governo ou mesmo uma boa notícia vinda de Pequim, onde representantes dos Estados Unidos estão negociando com autoridades chinesas um tratado comercial.

Os líderes do Partido Democrata devem ter pensando a mesma coisa pois reservaram um horário nas emissoras logo após a fala de Trump para rebater seus argumentos, fossem quais fossem.

Só que a montanha pariu um rato.

Trump nada mais fez do que repetir uma de suas promessas de campanha, a de que iria construir um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de ilegais. Para bons observadores, pela primeira vez ele não falou que os mexicanos iriam pagar a obra. Aliás, tergiversou sobre o assunto. Disse que a economia feita com o novo tratado comercial em substituição ao NAFTA já compensava o custo da obra.

Escolheu a dedo alguns episódios, uns quatro ou cinco, nos quais imigrantes ilegais teriam assassinado cidadãos americanos, para reforçar seus argumentos.

E ficou nisso. Quem pensou em novidades a respeito do comércio com a China ficou decepcionado. Como também devem ter ficado decepcionados a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e o líder da oposição democrata no Senado, Chuck Schumer, que gastaram dinheiro do partido à toa para rebater com argumentos velhos notícias velhas.

Aos poucos, o mercado americano está se acostumando com as baboseiras de Trump e sendo pouco influenciado por seus twitters, discursos e entrevistas.

Eu já vi isso acontecer em outros países.

No Japão, por exemplo, lá pelos anos 1980, os escândalos políticos (subornos aceitos pelo primeiro-ministro e outros parlamentares) eram tão comuns que ninguém ligava para eles. Não influenciavam o Nikkei de modo algum. Por sinal, os valores eram ridículos se comparados a níveis cabralianos: 20 ou 30 mil dólares compravam um deputado japonês.

Em meu comentário na Warm Up Pro do dia 3 de janeiro, intitulado O Ibovespa já fez a mínima do ano, tive o desplante de fazer essa afirmativa. E expliquei meu raciocínio:

“Feeling, puro feeling. É só o que consigo responder. Feeling. Trata-se de algo que só senti umas dez vezes nesses 60 anos nos quais acompanhei os mercados. Dessas dez, acertei umas oito.”

Pois bem, continuo acreditando que em 2019 teremos um dos maiores bull markets do mercado de ações brasileiros em todos os tempos. A dimensão dessa alta dependerá da abrangência da Reforma da Previdência. 

Ontem o Ibovespa fez nova máxima. Isso já representa uma alta de aproximadamente 7% em apenas 10 dias (seis pregões). Mas já bateu a taxa Selic para todo o ano de 2019.

Há muito espaço para cima.

Sei que, nesta altura do campeonato, estou dando uma de “Maria vai com as outras”, mas digo com convicção:

Investidores em ações e especuladores no Ibovespa futuro:

Fiquem comprados!

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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