Warm Up Inversa #12 - COPA: No Vale do Silício russo

Pedro Carvalho Publicado em 17/06/2018
6 min
Além, é claro, da estreia do Brasil – estaremos torcendo na arquibancada em Rostov!

Warm Up

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Caro leitor, cara leitora,

Na primeira olhada, Skolkovo parece um campus universitário. O “Vale do Silício russo” é basicamente uma série de prédios espalhados por 2,6 milhões de metros quadrados nos arredores de Moscou, onde funcionam 1800 startups, laboratórios, universidades e alguns apartamentos residenciais.

Quem nos recebe ali é a jornalista Luybov Korotetskaya, a simpática Lyuba, que logo me deixa de olhos arregalados: ela conta que até quatro anos atrás não existia nada em Skolkovo, o lugar era – como se diz nas piadas da internet – tudo mato.

Isso é ainda mais surpreendente porque estamos dentro do Technopark, um moderníssimo edifício de vidros pretos com um imenso “Sk” branco na fachada.

O governo russo anunciou a construção de Skolkovo em 2010, como uma iniciativa para tornar a Rússia economicamente menos dependente do petróleo e de recursos naturais, mas as obras só começaram mesmo a partir de 2013. Apesar do pouco tempo de vida, o ecossistema de inovação e empreendedorismo criado ali parece bem maduro – e seus números são impressionantes.

Nas quatro horas seguintes, Luyba mostrou coisas legais de Skolkovo – desde diamantes artificiais até um cientista assustadoramente gênio de 17 anos. O prato principal foram as startups, e nesse ponto Skolkovo tem um pouco de tudo: energia, biotecnologia, TI, indústria criativa...

As empresas instaladas ali pagam menos impostos sobre funcionários e lucros, além de contarem com advogados, mentores de negócios, bureau de desenho industrial, fundo de investimentos próprio (o Skolkovo Ventures) e uma série de eventos de relacionamento.

Por falar em eventos, a primeira coisa que vi ao entrar no prédio foi um workshop para formação de mentores de startups, no andar térreo do Technopark. Faltavam poucas horas para a estreia da seleção russa na Copa, mas a sala – assim como o resto do parque – estava cheia e em pleno funcionamento.

Lyuba começou o passeio na Wonder Diamonds, uma startup fundada em 2016 que cria diamantes em laboratório. Feitos a partir de gás natural e eletricidade, eles são 30% mais baratos que os naturais. A principal clientela é formada de jovens (os millenials, como diz o folheto da empresa) que usam as pedras como joalheira.

Parece que a moda do storytelling – aquela coisa de que um produto precisa ter uma “narrativa” – já chegou à Rússia:

Anastasia Tnusova, responsável pela divisão de joalheria, tentou me vender que os diamantes representam uma nova filosofia, porque são ecofriendly e frutos de um trabalho intelectual, não apenas algo retirado da natureza...

Eu não comprei o blá-blá-blá.

Mas e a Copa? “Por aqui, estamos muito ocupados para pensar nisso”, ela diz.

Na sequência, Luyba apresentou uma das pequenas estrelas do polo, a Motorica, uma startup que cria próteses de mãos e braços para crianças usando impressoras 3D. A empresa desenvolve produtos mais baratos (na faixa de 200 dólares), o que permite que as crianças troquem de modelo conforme seu crescimento.

E detalhe: a Motorica não se limita ao mercado russo. A empresa garantiu venda a 300 clientes em 2018, contra 350 de todo o ano passado, com um processo de internacionalização.

A parada seguinte foi na Shield, que criou um tecido com bloqueador de celular. Na prática, são estojos de couro (e em breve bolsos de casacos) para guardar o aparelho, onde ele fica “irrastreável” – sem sinal, sem GPS, sem nada.

Andrey Fedorov, o CEO Shield, garantiu que não é apenas questão de privacidade, mas também de saúde, uma vez que você deixa de receber emissões eletromagnéticas.

Ele também fez questão de contar que Skolkovo ajudou a levantar financiamento e forneceu advogados para patentear o produto.

Mas preciso confessar que o mais legal da visita foi o encontro casual com um dos funcionários da empresa: o Kirill, de 17 anos (na foto, ele é o da direita).

      
Ele não é muito falante, mas é fácil perceber que é um menino brilhante. Kirill decidiu não ir para a universidade e se “auto-educou” em ciências, com foco em materiais aeroespaciais (não, essa “autoeducação” não é algo comum na Rússia).

Ele desenvolve os tecidos da Shield.

“É um gênio”, sussurra Andrey, depois que deixamos a sala.

Realmente, um gênio!

Mas as surpresas não pararam por ai...
Já imaginou um carrinho de supermercado com GPS e table? Pois é exatamente isso que a Navigine proporcionou para uma varejista finlandesa.

A startup desenvolveu um sensor que deixar seu celular funcionar mesmo dentro de lugares como prédios, shopping ou supermercados e de quebra facilita a localização dos carrinhos dentro das 70 lojas da finlandesa, identifica produtos e envia descontos aos clientes.

A empresa teve receita de 500 mil dólares no ano passado e já levantou 1,5 milhão de dólares em investimentos.

Pelo que diz Oleg Demidov, um dos fundadores da startup, o montante só foi possível com os negócios fora da Rússia: “é difícil conseguir investidores se seu produto atender apenas o mercado russo”.

Hora de voltar para os jogos do Mundial?

Não mesmo.

Sergey Khodakov, o diretor de operações de Skolkovo, falou que “não muito envolvido” com a Copa do Mundo. Bom mesmo para ele é ficar de olho nos negócios criativos.


Você não pode perder a chance de ler uma crônica exclusiva do Ivan Sant’Anna na série Trading Journal. E mais: além do brilhante raciocínio do mestre Ivan, você também vai conferir uma nova sugestão do José Castro. Importante: a última operação sugerida por ele teve alta de 14,4 por cento em sete dias. Para saber como, clique aqui.


Sergey apenas reformou minha impressão de de que as pessoas envolvidas em novas tecnologias – seja em Moscou, na Califórnia ou na Av. Faria Lima – têm uma cabeça meio parecida: são entusiasmadas, comunicativas, “globalizadas”.

Por fim, Skolkovo me pareceu uma usina bastante eficiente de acelerar startups, dando aos empreendedores o que eles precisam: recursos, conselhos, contatos etc.

Também é verdade que uma pessoa em Moscou me disse que o parque tecnológico é no fundo uma forma de lavar dinheiro (essa pessoa tem um cargo importante em uma multinacional russa e contou que lida com corrupção e subornos em uma base diária).

Bem... os brasileiros sabem muito bem que esse não é um problema exclusivo dos russos.

Então, por um certo ângulo, Skolkovo também é uma forma de transformar essa realidade. Uma forma de substituir velhos modelos oligárquicos por uma nova geração de empreendedores focada em ciência e inovação.

Venha de onde vier o dinheiro, o parque parece muito bem planejado e estruturado. Pelo menos durante a minha visita, o único problema grave que notei ali foi mesmo a falta de amor pelo futebol.

Nas próximas newsletters, vamos falar sobre algumas coisas aparentemente banais que observei em Moscou, mas que dizem muito sobre a economia do país. Além, é claro, da estreia do Brasil – estaremos torcendo na arquibancada em Rostov!

Quero saber sua opinião sobre a “Inversa na Copa”. Você também pode enviar suas sugestões ou dúvidas para warmup@inversapub.com.  

E, para ganhar dinheiro durante a Copa, com uma nova fonte de renda, acesse aqui.

Um forte abraço,
Pedro Carvalho

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