Warm Up #113 - Menos direitos, mais empregos

Ivan Sant'Anna Publicado em 14/12/2018
3 min
Capital fluindo

Nota do editor: Na edição desta sexta-feira, o Ivan fala sobre o potencial de crescimento de investimento nas empresas com mudanças nas leis trabalhistas. Na parte PRO, ele cita ainda o impacto para a economia como um todo e na Bolsa.

Caro leitor,

Nos últimos anos da década de 1980, e nos primeiros da de 1990, eu era diretor de uma distribuidora chamada FNJ. Entre outras coisas, escrevia newsletters mensais, semestrais e anuais para os clientes da empresa.

A publicação se chamava Relatório FNJ. Já falei sobre ela aqui neste espaço. Agora volto a citá-la, pois um pequeno trecho do exemplar de 29 de julho de 1988 tem tudo a ver com minha argumentação de hoje.

“A estrutura da economia brasileira necessita uma mudança total. É preciso acabar com os direitos adquiridos, terminar com as distorções salariais, liquidar as isonomias, estabilidades e vitaliciedades. É preciso, enfim, desatar o nó que é o Brasil de hoje (de julho de 1988).”

Pois bem, passaram-se 30 anos, um ex-capitão do Exército foi eleito presidente da República. Dispõe-se a cortar direitos trabalhistas.

Eis algumas coisas que ele disse em reunião com as bancadas do DEM na Câmara e no Senado:

“A legislação trabalhista, no que for possível, sei que está engessada no artigo 7º, mas tem de se aproximar da informalidade.”

O tal artigo 7º da Constituição de 1988 (não por coincidência o ano no qual redigi meu texto para o Relatório FNJ) garante aos trabalhadores direito a férias, décimo terceiro salário e Fundo de Garantia, entre outras prerrogativas. Justamente porque assegura tudo isso é que temos 12 milhões de desempregados, legião essa que não tem direito algum.

É melhor ter emprego sem direitos do que direitos sem emprego”, já disse e repetiu Jair Bolsonaro diversas vezes.

Agora está na hora de aproveitar seu índice de 75% de popularidade (segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem), muito maior do que aquele que o levou a vencer as eleições, para corrigir essa anomalia.

Nos primeiros meses de governo, Bolsonaro terá de tornar a legislação trabalhista mais atraente para as empresas.

Entre as 25 maiores economias mundiais, o Brasil é o país que tem os encargos trabalhistas mais elevados. Os salários brutos dos empregados com carteira assinada têm um acréscimo de 57,56%, comparado à média global de 22,52%.

Enquanto isso, os 12 milhões não têm direito algum, assim como não têm direito os biscateiros, camelôs e ambulantes que o IBGE não inclui em sua legião de desempregados. Aquele cara que percorre o trem ou o ônibus vendendo balas está fora da lista dos sem-emprego. Não há lei alguma que o proteja.

Se os investidores nacionais e estrangeiros começarem a acreditar em um Brasil menos engastalhado na malha de leis que inibe a contratação de pessoal, o capital vai fluir para a expansão das empresas atuais.

Como que por encanto, novos projetos surgirão na área privada.

Isso vai criar um círculo vicioso - e virtuoso - de desenvolvimento.

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

 

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