Warm Up #109 - Fuga para a qualidade

Ivan Sant'Anna Publicado em 07/12/2018
3 min
O exterior azedou?

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Caro leitor,

Como já escrevi uma crônica para o Trading Journal da Inversa com o nome de Flight to quality, estou repetindo o título em português.

Trata-se de um fenômeno do mercado que retrata o momento no qual trades, especuladores, gestores de fundos e investidores em geral compram dólares. Isso acontece em todo o mundo.

Há uma exceção. Ninguém vende ienes japoneses para adquirir dólares. Muito pelo contrário: o iene é mais moeda refugio do que a norte-americana. Só que não tem tanta liquidez e é pouco usada. Duvido que você, caro leitor, saiba o valor de seu portfolio ou de seus imóveis em ienes.

Aqui no Brasil, o dólar deveria estar caindo. Quem sabe até R$ 3,50 ou menos. Mas não está. Sobe e se aproxima do nível psicológico de R$ 4,00.

A última vez que isso aconteceu foi em agosto, quando as pesquisas de intenção de voto para presidente mostravam Lula e Jair Bolsonaro ocupando os dois primeiros lugares – o mercado queria Geraldo Alckmin.

Bem, Bolsonaro venceu as eleições, até com certa facilidade. Lula foi para a cadeia – não pôde nem votar, quanto mais ser votado.

Só que o Jair Bolsonaro que ganhou não foi aquele capitão deputado ultranacionalista que espinafrava o capital “espoliativo” estrangeiro. Muito menos o pai de um jovem político que dizia que para fechar o STF bastava um cabo, um soldado e um jipe.

Nesse novo cenário, bem mais legalista, os traders apostaram que o dólar cairia e que o Ibovespa se elevaria a 100.000 pontos.

Nosso futuro presidente escolheu para ministro da Economia o Chicago Boy Paulo Guedes e este, por sua vez, selecionou diversos Chicago Boys para administrar a economia. Como se não bastasse, o capitão Jair trouxe ninguém menos do que o juiz federal da Lava-Jato, o incorruptível Sérgio Moro, para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro.

Tudo dentro da lei, é claro, pois se quisesse implantar o “prendo e arrebento” Bolsonaro não iria chamar um juiz do quilate de Moro. Muito menos Moro iria aceitar o cargo com tanto gosto, a ponto de jogar fora seus 24 anos de carreira na magistratura.

Acontece que o panorama que cerca o mercado é internacional e não brasileiro. Portanto muito mais abrangente. Libras esterlinas, euros, rublos, rands sul-africanos, pesos mexicanos, dólares do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia, estão todos sendo convertidos em dólares americanos.

Fly to quality.

As obrigações de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, até há poucos dias rendendo 3,03% ao ano, tiveram seu yield reduzido para 2,87%. Isso reflete a enorme procura por esses papéis, cujos PUs (preços unitários) subiram. E quando o PU sobe, a rentabilidade cai. É óbvio.

O petróleo, tipo WTI, West Texas Intermediate, está sendo negociado na Nymex, em Nova York, a US$ 51,51, com a ameaça velada de uma guerra de preços entre os principais produtores. Embora já tenha sido cotado a US$ 161,84 em junho de 2008, época em que alguns analistas juravam que iria a US$ 200,00, em dez anos o preço do barril caiu quase 70%.

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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