Warm Up #104 - O dia em que descobri que não sou imortal

José Castro , Mateus Fontanini e Ivan Sant'Anna Publicado em 29/11/2018
5 min
Você sabe poupar?

Nota do editor: Nesta edição, o Ivan fala sobre a importância de poupar para o futuro, enquanto na parte PRO o José Castro e o Mateus Fontanini comentam sobre uma ação com potencial de ganhos no novo governo e após reestruturações recentes. Além disso, você pode se juntar ao grupo de leitores da série Income Builder e conquistar uma renda extra de aproximadamente R$ 4 mil por mês. Clique aqui para ter mais informações sobre esse bônus.


Caro leitor,

Aconteceu numa quarta-feira, 17 de agosto de 1988. Eu era o único hóspede de uma pousada à beira-mar em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte.

Um mês antes, recebera US$ 150 mil (equivalente a US$ 320,6 mil em valores de hoje) de gratificação por um trade no mercado de grãos, em Chicago. E decidira comemorar sozinho numa viagem de carro (uma perua Chevrolet Caravan do ano) do Rio até Jericoacoara (CE), ida e volta.

Na ida fui direto, com pernoites em Governador Valadares, Vitória da Conquista, Petrolina e Fortaleza, etapas de aproximadamente 800 quilômetros cada uma.

Regressei aos pouquinhos, parando em diversos lugares, sempre praias paradisíacas. Pois foi justamente em Baía Formosa que descobri que um dia iria morrer.

Eu tinha 48 anos de idade, já ganhara muito dinheiro e perdera tudo diversas vezes, sempre especulando nos mercados mais arriscados, principalmente de Nova York e Chicago. Futuros, opções, etc.

Pois bem, 48 x 2 = 96. Já passara da metade da vida. E minha poupança se limitava a uns US$ 200 mil (contando os US$ 150 mil recentes).

Naquela ocasião eu escrevia um diário. Eis o que relatei naquela quarta-feira de agosto de 1988.

“Dia muito chato. Saí de Natal às 11 horas e fui até a Praia da Pipa. O local é maravilhoso, mas muito deserto. Fui então para Baía Formosa, também bonita, mas também semideserta, apenas os pescadores locais. Fiquei o dia inteiro sem fazer nada. Eu era o único hóspede da pousada. Almocei peixe e jantei ovo frito com arroz num barzinho da cidade. Tomei 4 doses de vodka, dois comprimidos para dormir e fui pra cama às 9 horas.”

Pois bem, ali começou minha grande depressão, que só foi terminar em janeiro de 1990, após me tratar, simultaneamente, com um psiquiatra, Jorge Jaber (que me inspirou a criar o doutor Rebaj de Os mercadores da noite) e uma analista, Lina Zapulla Bandeira de Mello (que já nos deixou há muitos anos). Fora um grupo de dependentes químicos que se reunia todas as segundas-feiras no People Down, uma “boate” do Baixo Leblon. Pode uma coisa dessas? Curar dependência enchendo a cara num bar!

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Hoje em dia tenho profunda convicção que minha psique padecia de medo. Medo de morrer passando por dificuldades materiais, medo de continuar vivendo depois que o dinheiro acabasse, medo de ficar incapacitado na enfermaria (ou no corredor) de um hospital público.

Foi quando comecei a poupar. Ganhando muito ou quase nada, meus livros fazendo sucesso ou fracassando, de qualquer dinheiro que recebo, mesmo que sejam 100 reais, guardo um pouco em investimento seguro.

Calculo que preciso de pelo menos US$ 2.500,00 por mês para viver com um mínimo de dignidade.

Baseado nessa quantia, em 9 de janeiro de 2001, se tudo desse errado em minha vida a partir de então, eu tinha dinheiro para viver até março de 2004.

Agora minha poupança me garante, sempre com os 2.500 dólares mensais, até novembro de 2028. Excluo da conta o valor da casa própria.

Essa data está sempre esticando. E, melhor, esticando mais do que minha vida se estica. Daí o aumento do gap. Quem sabe eu possa viver indefinidamente.

Meu conselho para os leitores dessa Warm Up PRO é tão simples quanto óbvio.

Se você é jovem, poupe. Se gosta de viajar uma vez por ano para o exterior, vá a cada dois anos. Se sai para jantar com a namorada (ou namorado) todas as semanas, vá uma semana sim e outra não.

Se tem uma Ferrari, troque por um Audi. Se tem um Audi, troque por um Corolla. Se vai para o trabalho de Uber, passe a ir de metrô. E assim por diante.

Se seu sítio é em Campos do Jordão, troque por Atibaia. Se é em Búzios, troque por Maricá. 

Mas poupe. Todos os meses, guarde algum.

Não deixe para tomar a decisão aos 48 anos de idade, quando a fossa bater forte numa praia isolada do Nordeste.

Pode ser que não dê, tal como aconteceu comigo, para trabalhar aos 78 anos e fazer planos para daqui a mais dez. E trabalhar com prazer, vibrando a cada crônica que termino, o que é ainda melhor.

Me poupe. Poupe!

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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Mais seguro, por José Castro e Mateus Fontanini

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