Warm Up #101 - Oportunidade à vista

Ivan Sant'Anna Publicado em 23/11/2018
3 min
Procurando imóveis?

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Caro leitor,
Em 2010, último ano dos dois mandatos de Lula, a economia brasileira cresceu 7,5%. O governo já sacava no cheque especial embora pouca gente se desse conta disso.

Pela frente teríamos uma Copa do Mundo. O Rio de Janeiro, além da Copa, uma Olimpíada. O crescimento do PIB e a perspectiva dos dois eventos esportivos provocaram enorme valorização dos imóveis, em especial no Rio.

No Jardim de Alah, entre Leblon e Ipanema, havia, como ainda há, um conjunto popular habitacional fundado pelo arcebispo Dom Hélder Câmara em 1955. Para lá tinham sido removidos os moradores da Praia do Pinto, favela de palafitas espetada nas águas da lagoa Rodrigo de Freitas.

A comunidade recebeu o nome de Cruzada São Sebastião. Os prédios, de alvenaria, contavam com água encanada, instalação elétrica e esgoto. Só que o tempo foi transformando o conjunto em favela vertical, com tudo que favela tem: ligações elétricas clandestinas, bocas de fumo, esconderijo de criminosos.
Apesar da penúria, em 2010 um apartamento na Cruzada chegou a ser vendido por 400 mil reais. Os mesmos 400 mil foram pagos por uma unidade em outro conjunto, este na Gávea, no qual parte do térreo foi obscenamente perfurada para dar passagem ao túnel acústico da estrada Lagoa-Barra.

Esse segundo prédio eu conheci bem, pois nele se passa parte de uma história real que roteirizei para o programa Linha Direta, da TV Globo. Não há elevadores e as escadas são estreitas. Desse modo, a personagem principal de meu episódio, uma garota que se tornara paraplégica após receber um tiro na espinha durante um assalto, tinha de ser carregada nas costas pelos parentes para chegar em casa.

Deu para qualquer observador mais atento perceber que esses dois casos de preços absurdos eram indício do fim do boom da construção civil. Outro era a falta de pedreiros, marceneiros, ladrilheiros, encanadores, etc.

Não só no Rio de Janeiro e São Paulo como em outras cidades brasileiras, o preço dos imóveis desmoronou. Como a alta no Rio fora maior, maior também foi a queda. Pior, queda com falta de liquidez. Simplesmente não havia comprador para as dezenas de milhares de apartamentos construídos durante o período de vacas gordas.

Há pouco tempo, conversando com o dono de uma empresa construtora e incorporadora, ele me explicou que o problema maior era a quantidade de pessoas que estavam devolvendo imóveis comprados na planta e fazendo jus, conforme a lei, à devolução de 80% do valor das prestações pagas.

Como o preço de mercado de cada unidade é menor do que os 80%, essas devoluções significam prejuízo. Agora isso mudou.

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

 

 

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