Sunday Notes #55 - Economia = comportamental

Olivia Alonso Publicado em 25/11/2018
3 min
Sugestões de leitura

Sunday Notes

Caro investidor,

1) “Falar ‘economia comportamental’ é redundante”. 

Essa foi uma das primeiras frases de Richard Thaler na palestra que deu aqui em São Paulo na sexta-feira, como convidado especial para o evento de aniversário da Empiricus. 

Thaler é especialista em finanças comportamentais e levou o Nobel de Economia no ano passado por seus estudos nessa área. 

Hoje eu dedico a Sunday Notes a ele, começando com uma sugestão de leitura: aqui neste link, o Seu Dinheiro publicou em primeiríssima mão um capítulo do novo livro do Thaler, “Misbehaving”. 

Eu li ontem e achei sensacional.  

2) Dois trechos do capítulo:

“Vivemos em um mundo de Humanos. E, igualmente, a maioria dos economistas também é humana, portanto sabem que não vivem em um mundo de Econs. Adam Smith, o pai do pensamento econômico moderno, reconheceu explicitamente esse fato. Antes de escrever A riqueza das Nações, seu opus magnum, escreveu um livro dedicado ao tópico das “paixões” humanas, uma palavra que não aparece em nenhum livro de economia. Econs não têm paixões; são otimizadores de sangue-frio (...)

Não precisamos parar de inventar modelos abstratos que descrevam o comportamento de Econs imaginários. Porém, precisamos parar de presumir que esses modelos são descrições acuradas do comportamento e parar de basear decisões sobre políticas em tais análises falhas. E temos que começar a prestar atenção àqueles fatores supostamente irrelevantes...”

3) Status Quo Bias (Viés do Status Quo): as pessoas tendem a não fazer nada; continuar a fazer o que estão fazendo. 

“A Economia Comportamental já sabe que nosso cérebro resiste a mudanças, e qualquer mínimo esforço para sair do estado atual é rejeitado pela nossa psique”, diz a Julia Wiltgen, do Seu Dinheiro, que também acompanhou a palestra do Thaler. 

Nesta matéria, ela fala um pouco mais sobre o Viés do Status Quo, dá 3 lições do Thaler para investidores e conta um pouco sobre a economia econômica clássica x os vieses comportamentais.

4) “Nós achamos que temos mais autocontrole no futuro do que temos agora. Muitas pessoas planejam dietas, mas não para hoje. Muita gente vai começar a fazer dieta em 1 de janeiro. Isso nunca funcionou antes, mas agora a gente acha que vai funcionar”.

Imagino que todo mundo se identifique um pouco com as palavras acima, do Thaler. Ele sugere driblar isso com os “nudges”. Um exemplo: comprometa-se a aumentar o percentual do valor que você poupa/investe toda vez que você tiver um aumento de salário ou de renda. Isso é nudge. 

No ano passado, assim que ele ganhou o Nobel, contei um pouco mais sobre nudges nesta Sunday Notes

5) Para finalizar, algumas sugestões de leituras:

• Previsivelmente irracional, de Dan Ariely.

• Positivamente irracional, de Dan Ariely.

• Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, de Daniel Kahneman

• A mais pura verdade sobre a desonestidade, de Dan Ariely. Ou, se preferir, veja no Netflix (ou Net Now) o filme “(Dis)Honesty: The Truth About Lies”.

Um abraço,

Olivia Alonso

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