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Vale é China

Rodrigo Natali Publicado em 20/08/2021
6 min
A bolsa chinesa caiu para um nível 20% mais baixo que as máximas apresentadas em 18/2/21. Consequentemente, o mercado mundial volta as atenções para o Oriente, mas esse foco está correto?

Relatório Inversa

Vale é China

Por Rodrigo Natali

 

A bolsa brasileira segue em mais um dia de queda, principalmente em meio às preocupações com a economia da China. 

A bolsa chinesa caiu hoje, dia 20, para um nível 20% mais baixo que as máximas apresentadas em 18 de fevereiro deste ano. 

Consequentemente, o mercado financeiro mundial volta as atenções para o Oriente, mas esse foco está correto?

A dinâmica da economia chinesa é muito diferente da de um país tradicional do ocidente. Vamos usar os Estados Unidos como exemplo:

Enquanto o governo americano reage a cada queda na bolsa e tem um cuidado extremo para comunicar qualquer possível mudança na condução da política monetária, o governo chinês tem criado esses movimentos de venda de ativos de propósito e de forma estratégica e planejada.

Enquanto a maioria dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é reativo, o governo chinês é extremamente proativo e focado em um plano de longo prazo. E, dentro desse plano de longo prazo, estava o objetivo de desalavancar as apostas financeiras da população.

Isso veio de forma clara e direta através de várias frentes, impedindo a especulação em commodities, banindo a mineração e pagamentos com criptomoedas, coibindo sua indústria de tecnologia nos setores de redes sociais e gaming, praticamente estatizando o setor de educação e, por último, depois de o presidente Xi Jinping questionar o consumo de bens de luxo, o setor apresentou uma forte queda, sentida até mesmo no mercado europeu.

Ou seja, eles estão desalavancando a economia e as pessoas do país na marra (e propositalmente), enquanto o resto do mundo ainda está com seus ativos próximos das máximas e sem um plano de como fazer isso, uma vez que não controlam todas as variáveis econômicas, como no caso do governo chinês. 

Logo, a China já está praticamente na outra ponta: pronta para reagir com estímulos assim que achar necessário, uma vez que tem feito o contrário do resto do mundo.

O que nos leva finalmente ao mercado de commodities, que, por mais que a mídia esteja destacando sob uma ótica muito negativa, eu entendo que, hoje, já se encontra em patamares bem mais consolidados e, como falei anteriormente, pronto para ser defendido caso o governo ache necessário.

Se olharmos o mercado de minério de ferro, a commodity já apresenta diversas características positivas, tais como o nível de preço, os baixos estoques, tanto nos portos como nas siderúrgicas que, inclusive, estão trabalhando com margens de 25%. 

 

Assim, finalmente, chegamos na Vale. 

 

E aqui, para o ponto que quero provar, serei bem simplista.

Hoje, a China dita o preço da commodity e o coloca onde quiser. Usando o preço atual de US$ 145 por tonelada, a estimativa é que a empresa consiga uma geração de caixa de 17% ao ano na comparação com seu valor de mercado atual. 

Isso ocorre porque o mercado já espera um minério de ferro mais baixo, em torno de US$ 100. E mesmo se fosse esse o caso, nos preços atuais, fica implícita uma geração de caixa de 10% ao ano, o que consideramos, ainda assim, um bom negócio.

Tudo que precisamos é o governo chinês acorde um dia e resolva estimular novamente a economia. Alguns investidores e especialistas acreditavam que poderia ter sido ontem, 19, na reunião de política monetária do Banco Central Chinês, mas este acabou por manter as taxas de juros inalteradas. 

Só que no momento em que for mais conveniente, possivelmente até reagindo a perigos externos, eles farão os preços subirem e, consequentemente, a Vale vai junto. 

Afinal, a Vale é China.

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