De: Pão de Açúcar - Para: Inversa - Assunto: Plano em execução

15 de outubro de 2021
A venda do Extra para o Assaí destrava valor e tem o potencial de mudar a forma como investidores poderão encarar a empresa e suas ações, devendo gerar valor para ambas as companhias. 

De: Pão de Açúcar

Para: Inversa          

Assunto: Plano em execução

 

Por Rodrigo Natali, João Abdouni e Nícolas Merola, CNPI

 

 

Nós, da Inversa, gostaríamos de parabenizar a administração do grupo e das companhias pela decisão de transformar as lojas do Extra no formato Assaí. Esse destravamento de valor tem o potencial de mudar a forma como investidores poderão encarar a empresa e suas ações.  E mais, isso deve gerar valor para ambas as companhias. 

No dia de ontem, após o fechamento do mercado, o Grupo Pão de Açúcar divulgou a venda de 71 lojas do hipermercado Extra para o Assaí pelo montante de 5,2 bilhões de reais, que deve ser pago entre dezembro de 2021 e 2024.

Com a venda, o Grupo Pão de Açúcar deu sequência na estratégia de segregar melhor seus ativos que de forma agrupada não tinham o valor justo percebido pelo mercado e de forma concomitante melhorou muito sua situação de liquidez financeira, visto que a empresa tinha uma dívida líquida de 4,6 bilhões de reais e com a entrada desse capital deve ficar com caixa líquido de 600 milhões e as linhas de negócios que vinham se mostrando mais rentáveis e promissoras.

As operações do Extra, no antigo modelo de hipermercado, eram consideradas as menos rentáveis da companhia e por isso foram vendidas ao Assaí, que irá transformá-las no modelo de atacarejo.

Com essa série de melhorias, contando com o trio Pão de Açúcar Brasil, Exito e Cnova,  estimamos que a empresa consiga entregar um lucro líquido por volta de 1,5 bilhão de reais em 2022, resultado da melhoria operacional e da redução dos custos com despesas financeiras.

Esse movimento de venda de ativos está em linha com as nossas expectativas, como já havíamos colocado. No entanto, a venda em separado do Hipermercado Extra, foi uma adição de valor, em nosso modelo de valor justo, que no último relatório estava em 20 bilhões de reais, com os fatos apresentados ontem, chegamos a 23 bilhões de reais, ou 85 reais por ação, um potencial de valorização de 157%.

Abaixo também disponibilizamos nosso relatório da semana passada, dia 05 de outubro de 2021 (dia que a PCAR3 fez mínima dos últimos 6 meses), onde recomendamos a compra. Naquela data, as ações negociavam a R$24,69, para quem nos acompanhou naquela data já está com uma valorização 32%.
 



 

Para: Pão de Açúcar
Assunto: Cnova - Venda
Dia 05/10 

Nos últimos dias acompanhamos a cisão de Itaú e XP, onde os acionistas do Itaú receberam um BDR (XPBR31). Essa operação destravou um valor que estava praticamente marcado a ZERO dentro das ações do Itaú. Esse tipo de provento, distribuído através de BRD’s da XP, equivale à uma distribuição de dividendos. O valor das ações do Itaú caiu  18%, mas, em contrapartida, o investidor recebeu o equivalente em um BDR de XP.

Em nossa visão a operação foi tão bem arquitetada que pode ser replicada em outra empresa que recomendamos em nossas carteiras, contudo com potencial de destravamento de valor muito maior.

Para quem vem acompanhando nossos relatórios, temos uma tese de soma das partes em:
 

Pão de Açúcar (PCAR3)
 

Como já falamos nos relatórios anteriores, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) detém 34% das ações do e-commerce francês Cnova.

Essa participação, no valor de mercado negociado na Bolsa da França, é de 6,4 bilhões de Reais. Enquanto isso, todo o Grupo Pão de Açúcar, incluindo a sua participação em Cnova, está valendo em bolsa os mesmos 6,4 bilhões de Reais, ou seja, a Cnova está precificada a ZERO.

Realizamos um exercício simulando a mesma operação realizada pelo Itaú e XP, porém, agora em  PCAR3 e Cnova.

Os investidores sediados no Brasil receberiam sua parte em Cnova via BDR, na razão de 1 BDR para 1 Ação que possuem de PCAR3, assim como ocorreu no evento do Assaí (ASAI3).

Como os BDRs acompanham as cotações das ações de Cnova negociadas na bolsa francesa, esses recibos distribuídos passariam a ser negociados a um patamar próximo de R$ 23,60 tendo como base a cotação de fechamento do dia 4 de outubro de 2021.

Nesse caso, a bonificação dos BDR’s equivaleria a uma distribuição  de praticamente 100% do valor atual da ação, em forma de proventos, como você pode acompanhar na tabela abaixo.
 

Cálculo do Valor justo do Grupo Pão de Açúcar sem a Cnova
 

Soma-se ainda ao Grupo Pão de Açúcar, o Êxito, uma operação de varejo colombiana  que conta com 1.488 lojas físicas e vem apresentando resultados melhores ao longo dos anos, avaliado em 7,4 bilhões de reais na Bolsa Colombiana.

Somando as três partes separadamente Pão de Açúcar Brasil, Cnova e Exito, chegamos a um valor de  20,1 bilhões.

Nesse momento, o investidor de Pão de Açúcar irá precisar de resiliência para obter o retorno máximo desta alocação de capital, dado que será preciso aguardar por determinados eventos ocorrerem, para que o destravamento de valor da companhia conclua-se.

O primeiro evento já ocorreu, o grupo realizou a cisão da sua subsidiária Assaí, o braço de “atacarejo”. Assim, atingiu o objetivo de aumentar o valor de mercado das empresas que compõem o grupo. O próximo passo será envolver a participação de Cnova, que pode gerar um destravamento de até 6,4 bilhões de Reais.

As etapas podem levar meses, por isso, reiteramos que o investidor precisará ser paciente até que tudo se suceda, vide que o varejo brasileiro como um todo caiu entre 40% e 50% nos últimos quatro meses, puxados pela alta dos juros que vem ocorrendo no Brasil em 2021.

No entanto, existem segmentos dentro do varejo como o alimentar, que é justamente o foco de atuação do Grupo Pão de Açúcar, que devem sofrer muito menos a alta dos juros e que acreditamos que terão seu reconhecimento pelo mercado ao longo do tempo.

Com isso, neste momento, acreditamos que as ações de PCAR3 são uma excelente oportunidade para o investidor.

Conheça o responsável por esta edição:

Nícolas Merola

Ações e Fundos de Investimento

Formado em Engenharia Civil pela UVA (Universidade Veiga de Almeida - RJ) em 2017 e com MBA pelo IBEC/INPG em 2018. Nícolas começou a estudar sobre investimentos ainda no início de sua faculdade, quando se apaixonou pelo assunto. Depois de atuar por mais de três anos no mercado de renda variável, de forma autônoma, se juntou em 2019 ao time de especialistas da Inversa Publicações.

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Rodrigo Natali

Diretor de Estratégia

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais, onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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João Abdouni

Analista CNPI

Graduado em Contabilidade e administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, João possui grande experiência em auditoria contábil, trabalhando por anos na Ernst & Young, famosa empresa inglesa de consultoria. Apaixonado pelo mercado financeiro, integra o time de especialistas em investimentos da Inversa e está à frente das séries Premium Caps, Ações Alpha dentre outras.

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Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Nícolas Merola - CNPI Nº: EM-2240