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COPOM: o que deveria fazer, o que fará e o risco

Rodrigo Natali Publicado em 03/08/2021
3 min
O que o COPOM vai fazer amanhã? Existem 3 cenários mais prováveis para essa reunião, particularmente dividida

COPOM: o que deveria fazer, o que fará e o risco

Por Rodrigo Natali


Amanhã, no dia 3 de agosto, teremos o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o COPOM, sobre o novo nível da Selic, a taxa de juros básica da economia brasileira, hoje em 4,25%.

Existem 3 cenários mais prováveis para essa reunião, particularmente dividida: altas de 0,75%, 1,00% e 1,25%. 

No primeiro cenário, uma alta de 75bps, elevaria a taxa para 5%. Esse, na minha opinião seria o mais razoável para o BC, por vários motivos. Dentre eles, destaco: somente agora estamos começando a sentir os efeitos das altas recentes nas taxas de juros, que levam um tempo para serem sentidos na economia. Com a exceção do IPCA, tivemos diversos números de inflação vindo abaixo das expectativas e, mesmo observando o dado oficial, na última reunião, a inflação para o ano que vem estava a 3,80% no boletim Focus, hoje está em 3,81%.

Na última reunião o COPOM deixou claro que estava mirando o IPCA para 2022, não mais o deste ano. Logo, uma vez que o BC já acelerou o ritmo de altas de 50bps para 75bps, me parece razoável mantermos esse ritmo. E finalmente, vários setores mais voláteis de inflação parecem ter uma probabilidade maior de recuarem do que de subirem. Segundo os preços, essa é a hipótese menos provável.
 


No consenso do mercado, teremos a alta de 1%. Vimos essa precificação pela primeira vez depois da Ata da última reunião do Copom, depois o mercado foi aos poucos em direção aos 75bps, na esteira dos números melhores de inflação, apenas para reverter na semana passada bruscamente após o IPCA-15 vir 0,72%, contra um número esperado de 0,65%. Se o Copom decidir dessa forma, teremos o menor impacto nos preços. 

E, com alguma probabilidade razoável, temos ainda o cenário de uma alta de 125bps. Eu acredito que os partidários dessa vertente não estão levando em conta que podemos jogar a economia real para baixo com essa medida. Refiro-me aos efeitos negativos no serviço da dívida e o risco de estarmos cometendo, de novo, um exagero na condução da taxa de juros, errando agora para cima como já erramos para baixo.

Mas acredito que quem pede essa taxa mais alta o faça não por acreditar que seria o ideal, mas sim por acharem que isso jogaria o câmbio para baixo. Mesmo com o dólar a 5,25, a maior parte do mercado se posicionou para um dólar em torno de 4,50-4,80 no final do ano e agora pedem juros mais altos para na esperança que esse movimento ajude esse cenário se consolidar.

Ocorre que, mesmo que haja uma alta mais acentuada, não há garantias de que esse resultado seja alcançado. Logo, vejo poucas vantagens em uma aceleração desta magnitude, da qual ainda surgiria a possibilidade de uma reação contrária do mercado, com tiro saindo pela culatra.

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