Bolsa e dólar: o que fazer de olho na CPI?

8 de julho de 2021
O dólar subiu cerca de 7,5% nos últimos 12 dias úteis. Com um cenário político bastante complicado no Brasil, principalmente após os últimos desdobramentos da CPI da Covid, a bolsa pode sofrer e o dólar continuar a subir. Saiba o que fazer.

Bolsa e dólar: o que fazer de olho na CPI?

Por Rodrigo Natali

Contribuiu para esta edição: Antonyo Giannini, CNPI

 

Olá, leitor(a) Inversa!

Após fechar abaixo de R$ 5,00 em meados de junho - pela primeira vez em um ano -, o dólar subiu cerca de 7,5% nos últimos 12 dias úteis, saindo de R$ 4,93 para R$ 5,28.

Esse movimento foi bem contra consensual e pegou a maioria do mercado de surpresa, já que uma apreciação da moeda para patamares de R$ 4,50 era esperada, ao menos pela maioria.

Acreditamos que essa convicção da indústria financeira ocorreu por uma série de fatores pontuais e passageiros, que não vêm ao caso agora, mas que provocaram uma onda repentina de revisões de dados econômicos e preços-alvos para os ativos financeiros.

Vamos explicar melhor. 

Tudo começou com a revisão das projeções para a balança comercial, que foi mais alta do que inicialmente estimado, mas que, ao final, não trouxe o fluxo de divisas esperado e a maior parte dos recursos ficou fora do país. Em tempo, o termo divisa, no mercado financeiro, se refere a uma moeda utilizada em fora de seu país de origem. Trata-se, geralmente, de moedas fortes. Neste caso, o dólar.

Bem, dando continuidade, houve uma animação com os números maiores de arrecadação e, consequentemente, melhora da relação da dívida/PIB; ambos podem ser explicados por uma alta da inflação, mais do que pela melhora econômica em si.

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, também veio à mídia comunicar que o dólar iria cair, proferindo a famosa frase: “o gringo vai vender a R$ 5,30 e vai comprar de volta a R$ 3,50”.

Soma-se a isso um dólar que vinha se apreciando lá fora por medo de inflação nos EUA e uma bolsa americana batendo consecutivos recordes (de uma hora para outra), o resultado foi que um sentimento de segurança em relação à moeda norte-americana tomasse conta do mercado.

E nesse movimento de queda do dólar, olhando agora, podemos identificar que os principais vendedores foram os fundos locais. Isso é bastante relevante, porque ao abrirem mão dessa posição, permaneceram nos outros dois grandes ativos, bolsa e renda fixa, carregando posições otimistas. Com isso, deixaram de ter um hedge ou um seguro, ficando suscetíveis a qualquer deterioração.

Não é à toa que praticamente todos os fundos que acompanhamos caíram de terça para quarta; parecem ter a mesma posição.

Isso só aumenta o potencial de altas renovadas da moeda, pois agora podem buscar refazer seus hedges, e aumenta a chance de terem que se desfazer de posições em bolsa e juros por estarem possivelmente perto de “stopar”.

Com um cenário político bem mais complicado no Brasil, posição técnica ruim, reversão do movimento do dólar lá fora e consenso do mercado com relação à direção de um ativo, hoje temos um ambiente onde vale a pena ficar com menos risco de mercado: a bolsa pode sofrer e o dólar pode continuar subindo.

A esse cenário, podemos adicionar o aumento de preocupação nos mercados externos por dois motivos principais: a variante Delta do Coronavírus e indicadores da economia chinesa vindo mais fracos.

Nossas carteiras começaram a reduzir risco semana passada, focando em ativos que consideramos mais protegidos, como exportadoras.  Sugerimos, inclusive, a compra do câmbio.

Acreditamos que essa postura deve ser mantida, porque, pelo o que estamos observando, o mercado ainda não se reajustou para esse mundo mais complicado e cheio de riscos.

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Diretor de Estratégia

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais, onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

Conheça o responsável por esta edição:

Antonyo Giannini

Analista CNPI

Antonyo Giannini é analista CNPI formado em Ciências Econômicas e Administração de Empresas pelo Insper, com passagem pela Universitat Autònoma de Barcelona, na Espanha. Atualmente é responsável pelas carteiras Premium Caps, Ações Alpha e Renda Passiva Semanal, onde segue uma estratégia de renda com derivativos utilizando linguagem de programação avançada. Após anos estudando o mercado financeiro, se juntou em 2020 ao time de especialistas da Inversa Publicações.

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