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O sell off de sexta-feira. O que aconteceu?

Antonyo Giannini Publicado em 02/08/2021
3 min
O que aconteceu na sexta-feira foi uma sombra de um movimento de deterioração: o medo da possibilidade de estarmos caminhando para o estouro do teto.

O sell off de sexta-feira. O que aconteceu?

Por Rodrigo Natali

O que aconteceu no último dia de julho?

 

Lembremos de como foi o começo desse ano, quando o mercado entrou num movimento bastante otimista: tivemos a chegada das vacinas, os números melhores das contas externas, como a balança comercial, a volta de uma expectativa positiva com relação a agenda de reformas e um mercado externo bastante positivo.

De repente, no meio da discussão do orçamento, um tema veio à tona e foi capaz de reverter todo esse bom humor, fazendo com que o mercado fosse para as mínimas do ano, num movimento de quase 180 graus, de otimista para pessimista, causado por uma conhecida ameaça: o estouro do teto de gastos do governo.

No final das contas, concessões políticas foram feitas, o orçamento passou, mesmo que de uma forma não ideal, e o mercado respirou aliviado e voltou a melhorar.

O que aconteceu na sexta-feira foi uma sombra desse movimento de deterioração: o medo da possibilidade de estarmos caminhando para o estouro do teto.

Nesse sentido, no último dia de pregão do mês de Julho, tivemos duas notícias sobre esse tema. A primeira, o presidente da república, preocupado com sua reeleição e querendo agradar ao eleitorado, revelou que faria o novo Bolsa Família com auxílio de pelo menos 300 reais, não importando muito se teria dinheiro disponível. E o mais grave: Paulo Guedes, o Ministro da Economia, quando confrontado com os 50 bilhões de precatórios a pagar no ano que vem, aventou a possibilidade de classificar esse tipo de gasto como extra-teto, o que, para todos os efeitos, na prática é estourar o teto de gastos.

O mercado reagiu violentamente, primeiro porque sabe que esse caminho é sem volta e que se ele começar a se desenhar já agora, fica muito difícil dimensionar o tamanho do estrago no ano que vem. E segundo, porque viu que não pode contar com seu talvez único aliado, o ministro Paulo Guedes.

A conclusão difícil é que hoje, tanto os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, como o povo de forma geral, são a favor de mais gastos. A única voz contrária vem do mercado, que depois dessas declarações, fica mais isolado. A sua melhor forma de protestar é reagir negativamente, a ponto de chamar a atenção.

Nesse sentido, o melhor mercado para se monitorar como termômetro, onde houve o maior movimento, é o de juros longos pré-fixados, que subiu suas taxas, por exemplo, em mais de 0,30% para o vencimento de 2026. Acredito que foi isso que sinalizou o movimento tão forte que tivemos na sexta-feira: o risco de quebra do teto.

 

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