Vale: é uma opção segura para você ter na sua carteira?

Katia Kazedani Publicado em 25/01/2020
3 min
O que dizem os nossos especialistas um ano após Brumadinho...a empresa recuperou seu valor de mercado? O que levar em consideração para investir na mineradora? Veja no texto


Olá, caro leitor!
Tudo bom?

O rompimento da barragem de Brumadinho completa neste sábado (25) um ano.

E tenho a impressão de que todos se lembram o que faziam neste dia, assim como quando houve o atentado às Torres Gêmeas nos Estados Unidos.

São Paulo fazia aniversário e estava de folga...

Foi pelo Twitter que soube da barragem de Brumadinho...

Mas nunca imaginei as proporções do ocorrido até ligar a televisão e ver aquelas imagens que me deixaram triste e indignada...

Como uma empresa do tamanho da Vale, que na época tinha R$ 297 bilhões em valor de mercado, não conseguiu evitar essa situação?

O rompimento da barragem de Brumadinho ocorreu em menos de dez segundos, despejou 9,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos em menos de dez minutos no Córrego do Feijão – comunidade que dá nome à mina -, deixou mais de 250 vítimas, destruiu cerca de 125 hectares de florestas, o que equivale a 125 campos de futebol, e poluiu o rio Paraopeba.

Se a Bolsa estivesse aberta, acho que as ações VALE3 teriam despencado. Por isso, no primeiro dia de negociações após Brumadinho, os papéis caíram de R$ 56,15 para R$ 42,36.

A mineradora registrou no primeiro semestre do ano passado um prejuízo de quase R$ 7 bilhões.

Eu não sei a decisão que você tomou na época, mas e hoje? Você sabe se deve comprar ou não as ações da Vale?

Para responder essa pergunta, fui conversar com o Ivan e o Felipe.

O Ivan me disse que a Vale deixou de ser uma empresa atraente para os investidores porque “a mineradora tem diversas barragens idênticas a de Brumadinho e novas tragédias podem ocorrer”.

Felipe, o nosso especialista em ações, concorda.

“O ocorrido prejudicou bastante a companhia, especialmente pela reincidência (já havia acontecido um acidente algum tempo antes em Mariana), como apontamos imediatamente após o ocorrido e os resultados reportados seguintes não me deixam mentir”, disse.

Não à toa, a empresa chegou a perder quase 30% de valor de mercado e passou a valer R$ 208 bilhões após Brumadinho. 

Mas a empresa voltou a apresentar bons números no último trimestre e recuperou o seu valor de mercado pré-Brumadinho...

Por isso, a VALE3 voltou a chamar a atenção no mercado.

Mas o Ivan não confia nas ações da Vale. Tanto é que assim que perguntei se ele teria os papéis da mineradora na carteira, ele respondeu direto e reto:

“Não, acho arriscado ter Vale na carteira”, disse.

Para Felipe, a companhia vive um momento operacional e financeiro muito positivo...

Já que tem margens em expansão, alavancagem sob controle e baixa necessidade de investimento...

Capacidade de geração de caixa livre bastante positiva nos próximos trimestres, que potencialmente podem converter-se em remuneração aos acionistas...

A Vale ainda está sendo negociada perto de cinco vezes o seu EV/EBITDA (valor da empresa sobre proxy de geração operacional de caixa) para 2020, abaixo de sua média histórica.

Por conta disso, Felipe “acredita que as ações da Vale têm espaço para valorizar”.

Mas será que é apenas isso que devemos levar em consideração?

Felipe concorda que os fundamentos são importantes, mas acha que antes investir em qualquer empresa é importante se perguntar:

“Você investiria em uma empresa cujo fator de risco está ligado a eventos como aos ocorridos? Até que ponto a moralidade deve entrar na conta do investidor? Eu gostaria de ser dono dessa empresa? Pois é isso que você vai acontecer ao clicar “buy” no homebroker", disse.

Essas são perguntas muito difíceis de responder...

Mas Felipe, por exemplo, diz que "está cada vez mais convicto de que o investidor deve pesar estes fatores antes de tomar suas decisões”.

Eu concordo com ele!

Bons investimentos!

Ah...e se você não sabia como se posicionar depois de Brumadinho, convido você para assistir a série "Como Faço para Investir o Meu Dinheiro?"

Um abraço,
Kátia

 

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