Tônica da Semana: Samba Enredo Macro de 2019

Willian Castro Alves Publicado em 11/03/2019
7 min
Com a Reforma da Previdência em pauta e os desdobramentos da guerra comercial entre os EUA e a China, William Castro Alves faz seus comentários sobre as perspectivas futuras das economias brasileira e mundial.

Nota do editor:William Castro Alves comenta o cenário macroeconômico e as tendências do mercado após o carnaval. Não deixe de enviar seus comentários para contato@inversapub.com.
O William é estrategista-chefe da Avenue Securities e possui 15 anos de experiência no mercado financeiro.

 

Alô meu povão! Agora é sério, “vamo que vamo” Brasil! A hora é essa!!

O carnaval acabou… Chegou a hora de começar o ano de verdade, é o que dizem. Então, resolvi escrever uma tônica para revisitar os principais atos desse enredo macroeconômico do mercado, para não atravessar o samba dos nossos investimentos na avenida em 2019.

Comissão de Frente: A Previdência Imaculada 

Certamente esse é o tema do ano no Brasil. E quando eu digo do ano, é porque, de fato, ela pode se arrastar o ano todo! A Mangueira ganhou o carnaval deste ano com um slogan/mensagem que dizia: negros, índios e pobres. Eu diria que, sem a Reforma da Previdência, seremos um povo muito pobre!

Nesse sentido, a semana começa com boas novas:

 

Penso que o mercado irá repercutir positivamente a isso. O grande entrave até aqui vem sendo a comunicação do Planalto com o Congresso e a questão dos cargos e sugestões políticas. Resolvendo isso, as coisas tendem a andar. A reportagem comenta ainda que nas próximas 2 semanas o presidente atuará intensivamente em prol da Reforma da Previdência. Logo, a bolsa irá especular bem em cima disso, pode anotar.

Junto a isso, o “coreógrafo” Paulo Guedes também comentou que quer o R$ 1 trilhão de economia e que a reforma como está já precisaria de apenas mais 48 votos para ser aprovada. Se é verdade eu não sei. Além disso, ele deu uma entrevista para o Estadão que vale a pena de ser lida. Se tudo que ele falou de fato sair do papel, os 120 mil pontos não serão suficientes para o Ibovespa! Link para a entrevista completa: Entrevista PG no Estadão.

Sigo acreditando que temos muitos ajustes em nossas “fantasias” internamente. Com as coisas saindo do papel, poderíamos andar com uma dinâmica própria e o Ibovespa seguir bem. No entanto, sempre lembro que não somos uma ilha e que esse carnaval tem outras alas. Vamos a elas:

A Bateria que dá o Tom: Trade War

Mas o principal tema do ano, aquele que dita o ritmo dos mercados, é a Trade War! Não há como negar, afinal são as 2 maiores economias do mundo disputando entre si. Ao passo que ambas são afetadas, a economia mundial padece. Veja que o consumo americano, junto com o PIB chinês, responde por mais de 30% do PIB mundial!

E a nuvem que hoje paira no ar se refere à leitura dúbia dos indicadores americanos. Se por um lado a economia norte-americana segue bem com crescimento projetado para esse ano de 1,9%, muitos seguem receosos de que a desaceleração provocada pela Trade War seja maior do que a que os economistas previram. Veja o gráfico abaixo, que compara as importações chinesas com os novos pedidos às fábricas americanas. Esse é o medo.

Se a correlação persistir, teremos uma forte desaceleração na indústria americana, não é mesmo?  Pois é, mas os últimos dados da balança comercial chinesa também ajudaram a mostrar de forma clara que a China sofre com isso. As exportações caíram 20% na comparação anual em fevereiro. Isso só aconteceu 4 vezes nos últimos 10 anos, sendo em uma delas por conta da grande crise de 2008. Sem dúvidas isso chama atenção!

Sofre a China, sofre os EUA, sofrem as perspectivas de crescimento mundial, sofrem as commodities e BINGO! Sofremos nós! Por isso cada tweet de Trump à respeito gera um certo frenesi no mercado, por isso o tema é tão importante!

Sigo acreditando que cedo ou tarde eles chegarão a algum tipo de acordo que ajudará a retirar essa nuvem hoje existente no mercado. A recente postergação de negociações foi um indicativo disso ao meu ver.

Penso e torço para que essa bateria entre no compasso certinho e que ajude a nossa bolsa a sambar!

E a Velha Guarda vem como? Europa…

A Europa não é o grande destaque desse carnaval, mas a velha guarda sempre merece respeito não é mesmo? Afinal, ali dentro ainda tem gente muito relevante no enredo macro de 2019.

Pra tristeza geral, a “pipa do vovô Alemão” não sobe mais e isso tem sido um problema. A turbina da economia europeia já não tem todo aquele vigor da juventude de outros carnavais. O ano todo de 2018 foi de desaceleração no PMI alemão e a tônica segue a mesma.

Com isso, o Banco Central Europeu não teve outra saída que não fosse reduzir estimativas de crescimento da Zona do Euro de 1,7% para 1,1% (gráfico abaixo). Junto a isso, ainda anunciaram um pacote de empréstimo barato de pai para filho para ver se seguram a economia europeia na marra!

Enfim, muito respeito à velha guarda, mas eles já fizeram a parte deles. Da Europa, esse ano temos que torcer para não estourar nada. Tipo um grande banco quebrando, a Itália se afogando, a França na convulsão política, os ingleses perdidos com o Brexit e etc.

E nas Alas das Commodities?

Quem me acompanha sabe que sempre comento da importância dessas alas para o nosso carnaval! Somos um país emergente e exportador de commodities, então essas alas são muito importantes para o nosso carnaval.

Nesse sentido, comentei um tempo atrás da semelhança que eu via do ano de 2019 com o ano de 2016. Naquele ano, houve um sell off de commodities que depois se mostrou infundado. Confira o post aqui: Déjà vu 2016.

Pois bem, por hora temos visto alguma recuperação dos metais e das commodities energéticas (capitaneadas pelo petróleo).

Agora, chama muito atenção o sell off em grãos. Fico tentado a me meter nesses mercados que conheço pouco.

Dólar, o Carro Alegórico Sempre Presente em nosso Carnaval

Muito do que acontece nas Alas das commodities acima, está intrinsecamente ligado à força do carro alegórico do Dólar! Comentei dia 04 de fevereiro que a R$ 3,66 o dólar estava tipo em promoção das Casas Bahia! LINK PARA O POST. Nesta semana, o dólar bateu R$3,90, isto é, 6,5% de alta. Acho que acertei!

Por mais que falem dos receios com a economia americana, o fato é que eles caminham para um crescimento de 2% em 2019, ao passo que Europa patina e os emergentes são apostas de risco. Posição certeira é em dólar. É assim que o gringo pensa, na minha humilde opinião! Não por acaso o índice dólar (abaixo) segue perto das máximas!

Mas contra o Real penso que temos a dinâmica interna que comentei lá em cima no início que pode jogar o dólar para baixo. Penso que os R$ 3,90 dessa semana já foi uma espécie de teste para o novo presidente do Banco Central ver em que patamar o BC entra no mercado.

Por ora não vejo muito espaço para ir pra cima, a menos que as coisas azedem muito, e abaixo de R$ 3,70 fica barato, considerando o que temos hoje.

Agora vamos para o carnaval da realidade. VAI BRASIL!!

 

Abraços,

William

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