Tônica da Semana: ALTAS SEM FUNDAMENTOS? ELTON JOHN E MERCURY NOS AJUDAM A ENTENDER

Willian Castro Alves Publicado em 13/01/2020
9 min
Alta recente das bolsas emergentes descolou bem da lucratividade das empresas. Mas quando olho para o Brasil, sigo otimista pois acredito numa inflexão de mais longo prazo.

Nota do editor: Na edição de hoje, o William escreve sobre múltiplos mais caros das bolsas, inclusive no Brasil. Apesar disso, ele reforça a confiança no crescimento do país no longo prazo. O William é estrategista-chefe da Avenue Securities e tem 15 anos de experiência no mercado financeiro.

DICA DE FILMES…

Depois de tônicas mais curtas de acordo com o momento festivo e a correria de final de ano, bora botar as ideias no lugar com uma tônica bem completa!

Começando pelo mais importante. Assisti a dois filmes muito bons nos últimos voos que fiz: Bohemian Rapsody e o Rocketman. Dois caras fora da curva em termos de talento e personalidade. Achei o segundo melhor, mas recomendo ambos! Não tem nada a ver com o mercado. Por que precisaria ter?!?!

 

DON’T STOP ME NOW!

Mas a música do Queen pode ser usada para o mercado hoje: “Don’t Stop me Now! I’m having such a good time”.

Nem mesmo o risco da guerra conseguiu de fato balançar as bolsas mundiais. Foi um dia, ou até umas horas ali de receio e deu. No Brasil, o Ibovespa caiu 2.59%, ou seja, nada! Uma queda puxada pelos bancos com questões específicas do setor. Nada geral, para a bolsa, digamos assim.

Ah, é porque o Brasil vai muito bem e está com tudo! 

Calma! Muita calma! Abaixo o Ibov (verde), S&P (preto) e emergentes (vermelho).

O Brasil está bem, sim, mas outros mercados estão indo bem também… veja a Turquia:

Ou a bolsa da Índia perto das máximas mesmo depois da queda recente…

Ou, quem sabe, todos os mercados. Gráfico abaixo mostra que todas classes de ativos performaram melhor que a média em 2019!

I’m burnin’ through the sky, yeah
Two hundred degrees
That’s why they call me Mister Fahrenheit

Ou seria Mister Market bubble?

I’m traveling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don’t stop me now, I’m having such a good time

 

ELTON JOHN ALBUM 

Em 1970, Elton John lançava seu segundo álbum que carregava seu próprio nome artístico, um dos de maiores sucessos de todos os tempos, uma jóia rara! Não por acaso foi seu primeiro álbum de ouro! Naquele tempo, a onça do ouro bateu um low de US$ 35!!

O frenesi recente entre Irã e EUA só serviu para o ouro pular de patamar novamente atingindo aproximadamente US$ 1.550! Tal qual a obra-prima de Elton John o ouro é uma jóia admirada por muitos, aquela que é sempre bom ter na estante, tipo o disco do Elton. 

Pra quem não sabe, é fácil se expor a ele nos EUA: tem um ETF de código IAU que você pode comprar e ter esse que é um dos melhores hedges de carteira em momentos de paúra! 

 

E obviamente o outro hedge essencial para qualquer portfólio que preze a construção de patrimônio de longo prazo, o dólar subiu. Deixou de lado o seu flerte com os R$ 4,00 e voltou para mais perto dos R$ 4,10. É outro daqueles que tem que ter na estante de casa ou na playlist do Spotify.


I HOPE YOU DON’T MIND…

Nesse disco do Elton, tem a “Your Song”, aquela que ele canta:

I hope you dont mind
I hope you dont mind
That I put down in a words

I hope you dont mind, não sou pessimista, não consigo ser. Mas gosto sempre de revisitar o call contrário, ter a guarda levantada sabe. Prefiro sempre a verdade que incomoda do que a mentira que “conforta”. Algumas verdades me incomodam sabe…

It’s a little bit funny this feeling inside
I’m not one of those who can easily hide,

E uma verdade é que essa alta recente das bolsas emergentes descolou bem da lucratividade das empresas. Abaixo o gráfico que compara o desempenho das bolsas emergentes na linha escura e o lucro em dólar que se mostrou decrescente nos últimos tempos (linha verde)

E não foi só nos emergentes. Na real, no mundo todo, a alta de 2019 foi essencialmente expansão de múltiplos, ou num português mais simples: as bolsas ficaram, sim, mais caras quando levamos em conta um detalhe fundamental chamado lucro!

Agora que vocês já sabem disso….

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but
Now that it’s done
I hope you don’t mind
I hope you don’t mind


LIVE AID 1985

Em 1985, foi realizado o Live Aid, um dos maiores concertos de todos tempos. O filme Bohemian Rapsody obviamente retrata a participação do Queen neste. Freddy Mercury rouba a cena nesse concerto que foi transmitido a mais de 100 países! Mais de 2 bilhões de pessoas assistiram!  O objetivo do concerto foi arrecadar recursos para lutar contra a fome na Etiópia.

A falta de crescimento de lucros para fundamentar altas na bolsa não é uma causa nobre, mas exige igualmente um approach global ao problema, tal qual o Live Aid. A explicação para a falta do fundamento nas altas recentes reside na fraqueza do comércio internacional.

Veja que o lucro das empresas dos países emergentes tem uma correlação estreita e direta com o nível e capacidade das empresas em exportarem!  Gráfico abaixo relaciona o lucro por ação do MSCI de mercados emergentes com o volume exportado na linha vermelha….

Mas, ao menos, alguém vê que isso deve mudar em breve. O Deutsche Bank advoga que é uma questão de tempo para que o aumento de pedidos (new orders) às fábricas comecem a aparecer nos números das empresas, e elas consigam entregar bons lucros.

 

Pra justificar essas altas dos ativos, precisaríamos algo bem coordenado no mundo, algo tipo o Ay-Oh do Freddy Mercury no Live Aid.


ROCKET MAN OU ROCKET COUNTRY?  

Rocketman. O filme conta como o tímido Reginald Dwight se transforma na grande estrela que hoje conhecemos: Sir Elton John, um cara de uma fortuna estimada em aproximadamente US$ 500 mihões! Detalhe que o filme sobre ele gerou outros  US$ 200 milhões em bilheteria! 

O cara não teve uma historia familiar das melhores. Teve que se assumir homossexual numa era muito mais fechada do que hoje, e ainda lutou contra dependência química do álcool e das drogas, um rocket man mesmo!

I’m not the man they think I am at home
Oh no no no I’m a rocket man
Rocket man burning out his fuse up here alone

O Brasil hoje me parece ser o rocket man do mercado internacional, um cara que vem enfrentando dificuldades para se provar como algo bom que é! Somos o quinto maior país em área, o sexto em termos de população e a nona economia do mundo – grandes chances de deixarmos a Itália para trás e nos tornarmos a oitava maior!

Quando olho para o Brasil, sigo otimista pois acredito numa inflexão de mais longo prazo, na melhora da economia por mais uns três anos, e isso gerando frutos muito positivos a todos.

Agora é um fato que os últimos dados andaram dando uma decepcionada…

MAMMA MIA, MAMMA MIA! como diria Mercury

Veja por exemplo o dado de produção industrial que decepcionou a todos … e bem!

E o PMI corroborou o mesmo, com dados de exportações bem fracos! Justamente as exportações que, como mostrei acima, são mega relevantes para países emergentes como o Brasil.

Ruim, sim!

Mas semana passada comentei o que acredito estar acontecendo no Brasil…

Sim, ficamos mais caros com essa alta, mesmo considerando que os lucros possam crescer. Sim, o múltiplo da bolsa brasileira ficou mais caro, ou, pensando de outra forma, houve uma reprecificação do Brasil no cenário externo. Fora isso, com juros baixos o que fazer? Ir para bolsa e um pouco para fora. Não tem outra alternativa para quem quer buscar rentabilidade. 

Curto prazo esticado, sim, apesar da correção da semana passada. Mas somos o Rocket man do momento?!

Ou ainda como outra música do Elton Jonh fala...

Don’t you know I’m still standing better than I ever did
Looking like a true survivor, feeling like a little kid
I’m still standing after all this time
Picking up the pieces of my life without you on my mind

I’m still standing yeah yeah yeah
I’m still standing yeah yeah yeah

 

MÚSICA PRA ANIMAR? 

E segue a música pra animar a segunda…

Era isso.

Aquele Abs.

William Castro Alves.

A Inversa é uma Casa de Análise regularmente constituída e credenciada perante CVM e APIMEC.

Todos os nossos profissionais cumprem as regras, diretrizes e procedimentos internos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Instrução 598, e pelas Políticas Internas estabelecidas pelos Departamentos Jurídico e de Compliance da Inversa.

A responsabilidade pelas publicações que contenham análises de valores mobiliários é atribuída a Felipe Paletta, profissional certificado e credenciado perante a APIMEC.

Nossas funções são desempenhadas com absoluta independência, não sendo dotadas de quaisquer conflitos de interesse, e sempre comprometidas na busca por informações idôneas e fidedignas visando fomentar o debate e a educação financeira de nossos destinatários.

O conteúdo da Inversa não representa quaisquer ofertas de negociação de valores mobiliários e/ou outros instrumentos financeiros. Os destinatários devem, portanto, desenvolver as suas próprias avaliações.

Todo o material está protegido pela Lei de Direitos Autorais e é de uso exclusivo de seu destinatário, sendo vedada a sua reprodução ou distribuição, seja no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa, sob pena de sanções nas esferas cível e criminal.  

Conteúdo protegido contra cópia