Bate-papo com o especialista em ações e fundos Felipe Paletta

Katia Kazedani Publicado em 11/12/2019
10 min
Conversei com o responsável pela série Income Builder, que bateu o Ibovespa, para entender melhor o seu perfil de investidor e qual é a sua estratégia de investimento

Olá, caro leitor!

O meu trabalho – até brinco aqui com os meus colegas especialistas em investimentos – é praticamente encher eles de perguntas.

Todos os dias estou atrás de um ou de todos para saber a opinião deles sobre uma ação, fundo, decisões do governo que podem impactar determinados setores e, consequentemente, o preço de alguma ação.

São tantas perguntas que às vezes fico até com vergonha...

Mas deixo passar e continuo querendo saber tudo o que eles acham, até mesmo para que eu consiga aprender mais e aumentar meus lucros nos investimentos.

Como os bate-papos são muito proveitosos, decidi escrever um pouco mais sobre o perfil de investidor dos meus colegas e como eles conduzem suas séries.

Por isso, a partir de hoje, vou dividir com você o bate-papo que tive com cada um dos nossos especialistas em renda fixa, ações, opções, criptomoedas e fundos de investimento.

Espero que goste dessas conversas!

Felipe Paletta: poucas palavras que fazem a diferença

O Felipe Paletta é sério, de poucas palavras. Mas sempre aberto para conversar quando o procuramos.

Peço as coisas para o Felipe e ele me responde sem titubear.

O conceito dele de tempo é muito diferente do meu e o de muitas pessoas que conheço. Quando ele diz que vai “demorar” para me ajudar com algo...

Já não acredito mais! Pois o Felipe é tão rápido que um dia disse: “desde que te conheci, mudei a minha ideia de demorar”.

O Felipe é responsável pela série Income Builder. As sugestões dele de renda fixa, ações boas pagadoras de dividendos e fundos de investimento bateram o Ibovespa neste ano. Com 24% de rentabilidade contra 21% do Ibovespa, Felipe Paletta escolheu à dedo as sugestões para seus leitores.

Para conhecermos um pouco mais sobre o nosso especialista e essa série voltada para quem busca uma renda extra mensal e tem objetivos para o longo prazo, leia o meu bate-papo com o Felipe!

Quantas sugestões você fez?
Contabilizando aqui cheguei a 9 sugestões neste ano. Foram 3 títulos de Renda Fixa (um público e duas debêntures), 2 ações e 4 FII’s adicionados a seleção do Income Builder, que possui 18 instrumentos atualmente.

Pode parecer um número baixo, mas dado o perfil da série (foco no longo prazo) e o momento de ciclo que vivemos, entendo que as decisões foram bastante seletivas e assertivas.

Vale mencionar ainda que fui um tanto quanto ativo nas modificações de pesos das sugestões e olhando em retrospectiva fiquei bastante satisfeito com o resultado que os assinantes estão tendo!

 

Quantas sugestões você acertou?
Se assumirmos retorno positivo como um acerto, 2019 foi realmente um ano espetacular, isso porque acertamos todas as teses. Obviamente, algumas mais e outras menos, mas como cada sugestão cumpre um papel na composição de um portfólio, o resultado final foi muito bom.

 

Quantas sugestões caíram?
Felizmente nenhuma das sugestões perdeu valor, tomando por base o fechamento no último dia útil de dezembro de 2018 e/ou a data de sugestão dos ativos.

 

O que diferenciou sua estratégia das demais neste ano?
Acredito que a leitura macro tem sido o grande diferencial da estratégia. A maioria dos fundos de ações no Brasil se utiliza pouco da análise macroeconômica para a construção do portfólio de ações, mas no Income Builder a construção das sugestões parte sempre deste primeiro filtro. 

Minha visão é de que no Brasil a análise macro é um importante instrumento de risco e ajuda a controlar a margem de segurança do investidor, especialmente em um ano de transição de governo e de ideologia, essencialmente. 

 

Se a pessoa tivesse seguido à risca tudo, quanto ela teria de lucro em relação ao investimento inicial?
Até agora, o retorno em 2019 da seleção do Income Builder rendeu perto de 24% aos assinantes (dados do Bloomberg). Além disso, gosto de pontuar a questão do risco, que geralmente é negligenciada ao investidor e que foi um dos grandes destaques do ano.

O desvio padrão do nosso retorno, que é uma medida simplista de dispersão do valor de mercado do portfólio ao longo do ano, ficou perto de 6,3% no ano, contra 18% do Ibovespa. Isso significa que nosso retorno além de muito interessante, também expõe os seguidores a um risco até 3 vezes menor.

Esse é um ponto que o Investidor deve se atentar.

 

Por que você acredita que acertou tanto?
Como disse anteriormente, acho que a leitura do cenário macroeconômico e dos setores que melhor desempenhariam ajudaram na construção do bom resultado. O vento jogou a favor e estávamos preparados para surfar.

 

Qual foi o maior acerto?
B3, sem dúvidas. Pouco antes da definição eleitoral no final do ano passado optamos por sugerir B3 com a cabeça de que com a trajetória de queda dos juros o ingresso de capital no Mercado de Capitais brasileiro iria acelerar, especialmente no mercado acionário. E confesso que o processo tem acontecido em um ritmo muito mais rápido do que esperávamos lá atrás.

A tese foi, sobretudo, uma tacada macro, da leitura que fazíamos do mercado e que é a base da estratégia da série. Sendo sincero, não gosto de falar de ativos isoladamente, mas tenho certeza que os assinantes devem se lembrar de cor e salteado dessa sugestão.

Até agora o papel se valorizou em mais de 80% no ano.

 

Qual foi o maior erro?
Acredito que demoramos um pouco na virada de mão de Fundos Imobiliários de papel (muito parecidos com Renda Fixa) para FII’s de tijolo (investem de fato em ativos), pois ainda que fizéssemos a leitura de que o mercado imobiliário já apresentava sinais de recuperação, aguardamos as primeiras sinalizações da nova equipe de governo e deixamos algum dinheiro na mesa, mas ainda assim surfamos desde fevereiro o bom momento do setor e conseguimos performar acima do IFIX, o índice de referência desta classe de ativo.

Claro que em retrospectiva é fácil chegar a essa conclusão, mas entendo que a nossa postura foi correta e diligente. O vento jogou a nosso favor, mas estávamos preparados para potenciais estresses.

Como você faz para proteger os assinantes das quedas?
As quedas fazem parte do processo, mas a boa alocação de portfólio e mínimo grau de diversificação contribuem bastante na gestão da volatilidade, mas um trabalho que tenho feito com os assinantes é a introdução de conceitos de Finanças Comportamentais. Está na moda falar de finanças comportamentais, mas para o investidor individual, entender onde estão os seus vieses e comportamentos contraproducentes ajudam com as decisões de investimento.

 

O que você fez de mais valioso para seu assinante no ano?
Além do retorno, rs? Tirando a brincadeira, eu acho que o acompanhamento quinzenal das teses, o foco em sanar as dúvidas mais frequentes e o uso e abuso das discussões envolvendo finanças comportamentais foi muito importante neste ano, pois tenho visto que temos muitas pessoas novas entrando em Bolsa e que não estão acostumadas e ainda não passaram por momentos de grande estresse, como foi o Joesley Day ou a Greve dos Caminhoneiros.

Meu papel tem sido prepará-los e evidenciar a importância de evitar a concentração excessiva de seus investimentos, principalmente em um momento de desaceleração da economia internacional, onde os riscos de uma recessão lá fora podem reverberar aqui, na Bolsa brasileira.

 

A que perfil de leitor a Income Builder se destina?
A todos os investidores que têm um objetivo a concretizar no longo prazo e, para ser menos subjetivo, acredito que esse horizonte de tempo se encontra acima de dois a três anos. Tem um trabalho que é o de conscientizar o investidor também, pois muitas das vezes ele não tem a consciência do que é melhor para ele. 

 

Quanto tempo por semana o leitor tem que dedicar aos investimentos?
Olha, no consumo da assinatura eu acredito que uma ou duas horas por mês é o suficiente, mas para investir o ideal é que o investidor guarde algumas horas a mais, guardando registro de seus investimentos mensalmente. De maneira geral, como minha estratégia tem menos giro, acredito que o investidor tem pouco trabalho. 

 

Quanto risco o leitor tem que aceitar?
Na série, eu monto uma sugestão de alocação entre ações, renda fixa e fundos imobiliários para um perfil que considero moderado, mas o investidor consegue ajustar para contemplar a sua disposição ao risco. Apenas como base de comparação, em termos de oscilação, a volatilidade do portfólio nos últimos 12 meses é três vezes menor do que o do ibovespa. 

 

Como é seu contato com os assinantes? Você tem alguma mensagem ou contato que te deixou muito feliz? Qual?
Sim, mas é difícil escolher apenas um - estou parecendo jogador de futebol falando sobre o gol mais bonito da carreira -, fico extremamente feliz em receber uma mensagem de um assinante contando sua trajetória e falando de seus resultados.

Particularmente, me toca bastante quando um assinante confessa ter começado a investir por meio da série, pois esse é um trabalho de formiguinha que fazemos todos os dias aqui na Inversa. 

Eu mesmo venho de uma família mais humilde que nunca investiu e poder levar isso para um público amplificado é uma responsabilidade que carrego com um prazer enorme. 

 

Você é mais de diversificação ou da concentração o investimento em um único ativo?
Mais para a diversificação. Preciso ressaltar aqui que minha visão sob a diversificação é um pouco menos romântica do que o Markowitz (pai da teoria da carteira) defendia, mas a entendo como um instrumento fantástico para redução do risco.

Como os ativos têm distintos graus de movimentação, a soma dos riscos individuais pode ser menor, otimizando a relação de risco/retorno. Como minhas estratégias são focadas no longo prazo, a diversificação é uma grande aliada, mas sem grandes excessos.

 

Você é contra ou a favor de small caps?
A favor, com certeza. Acho que em um mercado restrito como o nosso não há espaço para preconceitos e minha visão é que os investidores superestimam os riscos de empresas pequenas x grandes.

Conheço vários gestores que operam fundos com foco em small caps há muito tempo e que operam com um risco inferior ao do Ibovespa. Para a estratégia de renda é mais difícil encontrar, mas na minha série mesmo tenho uma boa pagadora de dividendos com R$ 3 bilhões de valor de mercado (o que é considerado uma small).

 

Você é um trader mais agressivo ou conservador?
Gosto da definição do Benjamin Graham sobre investidores e especuladores. Ele diz algo como: investimento pode ser definido como tudo aquilo que após análise criteriosa, "promete" o capital investido e um retorno adequado, tudo o que não se enquadra aqui é especulação. Definitivamente não sou o último.

 

Você gosta ou odeia fundos?
Gosto mesmo da ideia de investir por conta própria, mas existem gestores muito bons e que possuem filosofias similares às que adoto aqui. Como nós aqui na Inversa temos restrições e não podemos comprar ações e fundos imobiliários, minha opção tem sido por fundo de ações de gestores que guardo profunda admiração. 

Agora, não gosto muito de fundos multimercado, acredito que são veículos muito mais interessante para a própria equipe de gestão do fundo, que possui seus investimentos no fundo, do que para o investidor individual, que ainda compõem seu portfólio de "n" ativos distintos à gestão de risco/retorno adotado dentro do fundo. 

Bom, esse é o Felipe responsável pela série Income Builder!

Um abraço, 
Kátia

 

VEJA AS SUGESTÕES DO FELIPE

 

 

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