DIAS TURBULENTOS - Coronavírus e Mercados Frágeis

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 09/03/2020
15 min
Viveremos momentos pessimistas e outros otimistas nos próximos dias. Mas é importante se informar e buscar orientações corretas para que, em momentos de estresse, você possa agir em segurança. Por isso, gravei este vídeo abrindo meu viés sobre os principais eventos desta segunda-feira.

Caro assinante. Se você ainda não segue o André Barros na série Money Maker em Ação, comece imediatamente a ter um acompanhamento profissional clicando aqui. 

Olá, leitor(a) Inversa.

9 de março promete ser um dia tenso para os mercados.

Neste vídeo, compartilho um pouco da minha visão e como se comportar nesse e nos próximos dias que virão.

"É só uma gripe!", talvez você esteja pensando.

Não, não é.

Mesmo que seja, o problema são as implicações econômico-financeiras em mercados já debilitados. A maior letalidade dessa doença está entre os mais idosos, com estado de saúde já debilitado. Exatamente como o nosso Bull Market atual...

Veja o vídeo acima para saber o que penso sobre o momento atual do mercado.

Ou, confira abaixo a tradução: 

Olá, aqui é o André Barros, o Money Maker.

Achei interessante compartilhar esse vídeo com vocês, porque obviamente estamos passando por um momento crítico.

Quem tem me acompanhado na série Money Maker em Ação ou na Smart Trades sabe que desde novembro venho reduzindo a nossa exposição em ações e aumentando nosso peso em caixa.

Saímos de um nível de caixa de 15% em meados de outubro e novembro. Fui aproveitando o rali de fim de ano para realizar lucros e hoje nosso caixa está em uma média de 32%.

A decisão de fazer essa movimentação não foi porque eu sabia do coronavírus ou que os árabes iriam aumentar a sua produção de petróleo. A decisão naquele momento foi baseada na percepção de que tínhamos mercados extremamente inflados surfando um otimismo.

O último crash que tivemos foi há 11 anos, em 2008. É uma curva de um Bull Market extremamente longa, sem paralelos na história.

E, fora do mercado acionário, acompanhava a trajetória de juros negativos, os excessos de liquidez e mercados (excluindo Estados Unidos) estagnados ou até caindo.  

O mercado que crescia era justamente o mercado consumidor, a ponta final dessa curva, nos Estados Unidos.

Então, olhando para a frente, eu enxerguei dois cenários que poderiam ser gatilhos: ano eleitoral nos Estados Unidos e no Brasil (esse com menos importância) e uma agenda de reformas que não é tão obvia quanto a Reforma da Previdência.

O coronavírus naquele momento estava fora do radar. Os primeiros casos surgiram na China em dezembro e foram abafados. Só em janeiro começamos a falar sobre o vírus.

O curioso é notar a fase da negação, em que as pessoas ainda achavam que era apenas uma pequena gripe.

Bom, vamos imaginar que de fato eles estivessem corretos, que a doença em si não é um fator alarmante. Mesmo nesse cenário, não poderíamos ter fechado os olhos para os efeitos colaterais.

A interrupção da cadeia de produção na China por semanas, que ainda não estabeleceu 100% de seus níveis, trouxe seus impactos. E é obvio que isso seria percebido no PIB.

Mais ainda, mesmo com o belo trabalho de contenção do vírus na China, ainda sim os casos foram surgindo ao redor do mundo. Ou seja, o problema que começou em um país essencialmente produtor, agora começa a migrar para os países consumidores e financiadores desse crescimento. Por isso, é natural que as tensões fiquem maiores.

No dia de hoje, o primeiro impacto será extremamente negativo, mas se estendermos nosso horizonte e olharmos um pouco mais a frente, poderemos projetar uma recuperação.

E de quanto tempo estamos falando? Uma semana?

Não. Não podemos traçar um paralelo com outras crises. Precisamos tomar muito cuidado, pois não é um Joesley Day.

Quem faz essa comparação está errado e errado em vários sentidos:

  1. Não é uma crise aguda e de breve duração;
  2. Não é uma crise em um único país, ela atravessa fronteiras;
  3. Ela não acontece em um momento em que os mercados estão deprimidos, ela acontece em um momento em eles atingiram as máximas;
  4. Isso acontece em um momento em que é muito mais fácil e prudente realizar os ganhos ou sair do que pagar para ver.

Então, não tire isso do seu horizonte: o momento pelo qual estamos passando é sim mais preocupante e você deve ser prudente.

Não dá para comprar o seguro hoje de um carro que já bateu. Isso não existe.

Então, quem fez caixa e acompanhou os relatórios aqui da Inversa, está em uma situação melhor. Mas obviamente irá sofrer também.

Temos 30% de caixa, que terá que ser usado com muita sabedoria, disciplina e paciência.

Não podemos sair comprando, porque, como eu disse, não é um Joesley Day. Ainda virá outros dias de altas e baixas. E precisaremos ser muito prudentes, fazendo essa realocação gradativamente para aproveitar as oportunidades.

Eu gosto de lembrar sempre: o caixa não é importante pelo que ele rende. Não monto caixa para ganhar com o CDI, não é esse rendimento que me importa.

O caixa serve justamente para amortizar as quedas e, o mais importante, para que possamos aproveitar oportunidades.

A primeira coisa que você deve estar se perguntando é se deve desmontar posições. Uma pergunta natural.

A minha resposta é: depende de como você está posicionado.

O que sugiro para aqueles que têm caixa é, mesmo sentindo os impactos nas posições montadas, não venda. A não ser que você não tenha tempo para esperar.

Primeiro, você nunca deveria investir em ações tendo uma data para sair. Mas, se for o seu caso, você realmente terá que reorganizar a sua carteira e desmontar algumas posições. E isso pode significar assumir prejuízos.

Uma outra situação: se você está alavancado, não perca tempo esperando. Se você cometeu esse erro, é hora de corrigir e cobrir suas posições.

Essa não é uma situação de um dia. Eu gostaria que fosse, mas tudo indica que é uma crise de um período maior, que no meio do caminho terá momentos de alta.

Uma outra situação é se você tem posições em sua carteira em que você já não cofiava muito.

No ano passado, fiz um ajuste de caixa e aumentei o escopo do meu relatório na série Smart Trades. Ele estava apenas focado em small caps, mas eu percebi que esse tipo de alocação era extremamente frágil. Essas posições surfam bem nas altas, mas no primeiro susto de mercado são as que mais sofrem penalizações e as quedas são intensas.

Então, em novembro deixei de olhar apenas para small caps e comecei a incluir grandes empresas na carteira, o que permitia ser defensivo também.

Se você tem posições em carteira que já não confiava muito, você pode aproveitar o momento para rebalancear seu portfólio. Pode ser que você decida sair de algumas posições.

E, extremamente importante: avalie se a exposição de sua carteira condiz com a sua tolerância a risco. Não adianta você ter 100% investido em ações se o seu estomago não aguenta 20%.

No final do dia, você precisa de duas coisas: qualidade de vida, pois não investimos para sofrer, e poder sofrer, porque caso você não puder resistir a essa dor, você está mal alocado.

Resumindo: aqueles que montaram um caixa, resistam a dor nas posições atuais e vamos com calma alocando esse recurso.

Aqueles que não compuseram caixa ou querem repensar o seu portfólio, pensem sobre essas quatro questões:

  1. Você tem tempo para esperar? Caso não, ajuste;
  2. Está alavancado? Se está, ajuste;
  3. Você tem posições que não acredita? Momento de ajustar;
  4. Veja também como está sua exposição ao risco. Pode ser um momento de repensar.

Essa crise deve demorar mais tempo, então não conte que é uma queda de apenas um dia. No meio do caminho também teremos momentos de otimismo.

Sendo mais realista, considere o que aconteceu na China. Apenas agora no final de março as fabricas voltarão a produzir, se não acontecer nada de errado.

Então, quatro meses é o mínimo que você deve imaginar. Mas, pensando que nem todo país vai ter a mesma determinação da China, alguns mercados levarão seis ou sete meses para que isso aconteça.

Aquilo que eu chamei de red window, como comentei em um tweet no Twitter, é justamente o período pelo qual estamos passando agora.

Não é uma crise de um dia, é uma janela de oportunidades ou de trauma, que irá durar março, abril e maio. E só então poderemos começar a ter alguma perspectiva mais otimista.

Mas, relembre aquela minha recomendação de sempre: ações são feitas para você ter a possibilidade de ganhar em dois dias, mas você tem que ter a possibilidade de esperar dois anos.

Imagine o pior cenário, um menos otimista do que o comentado acima, e que o coronavírus seja o gatilho para estourar essa bolha que os mercados estão vivendo. Nesse cenário, entraríamos em um Bear Market.

Com um Bear Market, o mercado poderia levar de dois a três anos para recuperar as máximas. Se viemos de um Bull Market recordista, poderíamos ter um Bear Market recordista também.

Mas não podemos fazer previsões, o que podemos é nos precaver. Não se esqueça das precauções, se organize e organize a sua carteira e esteja preparado para esperar.

Um abraço e vamos juntos!

 

Abraço,

Money Maker.

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