A Guerra Comercial: Episódio 1 - O campo de batalha é o mundo

Marink Martins Publicado em 04/06/2019
8 min
Um dos maiores especialistas em mercados internacionais vai apresentar para você tudo que você precisa saber sobre a Guerra Comercial e vai dizer o que fazer com o seu patrimônio diante dos impasses políticos entre EUA e China. Ouça agora mesmo.

Ouça abaixo o primeiro episódio da série de podcasts sobre a Guerra Comercial entre os EUA e a China.

 

Leia abaixo a transcrição:

 

Olá, leitor Inversa. Seja bem-vindo a esse podcast especial sobre a Guerra Comercial entre os Estados Unidos e a China.

Bem, na verdade, podemos dizer que a batalha entre esses dois gigantes se dá em três frentes: a monetária, a comercial e a tecnológica.

Não é de hoje que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ameaça classificar a China como manipuladora de sua moeda.

Essa batalha na frente monetária já dura bastante tempo, mas nos últimos anos, ganhou ainda mais importância, e como vamos ver nessa série de podcasts, vem ocorrendo um movimento de desdolarização na China.

A China, que é a maior importadora de commodities do mundo, se sente incomodada por ter que carregar uma grande quantidade de dólares para a aquisição desses itens. Estou falando de dinheiro para comprar petróleo, cobre, carvão, soja, minério de ferro, entre outros...

Além disso, considerando as ambições de seu líder imperialista, Xi Jinping, sabe-se que é impossível construir um império baseado numa moeda alheia. Para ele, é necessário que sua moeda seja respeitada mundo afora.

Agora, saindo da frente monetária e passando para a frente comercial, vale mencionar que a surpreendente eleição de Donald Trump no final de 2016 era um prenuncio de uma mudança radical nas relações comerciais. E na ocasião, não sabíamos disso.

Em sua campanha, Trump, auxiliado por falcões da soberania nacional, como Steve Bannon, Peter Navarro, entre outros, fez da Guerra Comercial com a China a sua bandeira.

Trump disse aos americanos que seu país estava sendo roubado pelos chineses. O imenso déficit comercial com a China passou a ser um importante argumento de guerra... Desconsiderando que grande parte dos dólares que vão à China acabam voltando para os Estados Unidos por meio da compra de títulos do tesouro americano.

Observe, e isso é muito importante aqui, que em média, 25% do volume de dólares enviado ao exterior, via importações, volta aos Estados Unidos. Essa é a beleza de ser o detentor da moeda de reserva de valor global. De ser o emissor do dólar... Quem não quer ser o emissor das reservas? A China com certeza quer... A Alemanha, a Inglaterra, o Japão e até o Brasil adorariam ser...

Mas essa prerrogativa, no momento, é um direito exclusivo dos americanos...

Bem, eles trabalharam de forma estratégica para conquistar tal posição... Mas aqui, neste podcast, vou te poupar de uma explicação para isso. Você provavelmente já está bastante familiarizado com as conquistas americanas.

O meu desejo aqui é que o leitor Inversa tenha uma boa compreensão do que está ocorrendo neste confronto, e de suas implicações no mundo dos investimentos.

Quero te auxiliar a navegar de forma segura, em meio à uma guerra que vem se intensificando a cada dia, e que poderá afetar o seu bolso.

Se em algum momento, parecer que eu estou defendendo a China, saiba que isso não é verdade.

Eu, na verdade, me considero meio americano. Fiz faculdade e mestrado em Jacksonville, no norte da Flórida.

Trabalhei nos Estados Unidos por alguns anos, de forma que tenho um profundo respeito pelo país.

Mas o fato é que nos últimos 5 anos, desenvolvi uma aproximação com estrategistas globais, com sede na China, que me permitem transmitir a você um conhecimento diferenciado...

Vamos ao que realmente importa.

A batalha que estava sendo restrita até o momento à frente monetária, passou a ser comercial.

Trump se autoproclamou Mr. Tariff Man. – o homem tributo – e impôs tarifas de 25% sobre um pouco menos da metade das importações de produtos oriundos da China.

Trump se vangloria, dizendo que as tarifas são uma bênção para os Estados Unidos, gerando bilhões de dólares.

A China retaliou na mesma moeda, e impôs tarifas comerciais proporcionais em produtos importados dos Estados Unidos.

E então, a guerra, que estava na frente monetária e comercial, caminhou para a frente tecnológica, que alguns afirmam ser a verdadeira razão do embate entre as duas nações. Você certamente já sabe que os Estados Unidos estabeleceram um limite para as exportações e a atuação da gigante de telefonia chinesa Huawei, líder global em tecnologia 5g.

Pois é, o mundo já caminha para uma tecnologia 5g, que irá permitir que carros elétricos e autônomos, bem como a internet das coisas, deslanchem...

A Huawei lidera o movimento, e é a maior detentora de patentes nesse segmento. Não é atoa que os falcões da soberania nacional querem coibir o desenvolvimento dessa gigante.

Mas o que a China pode fazer de imediato para contra-atacar?

Há muitas especulações no mercado, dentre elas, comenta-se que a China pode dar o troco restringindo a exportação de metais de terras raras, que são conhecidas em inglês como rare earths. Esses metais consistem de 17 elementos químicos, visados pela indústria de alta-tecnologia.

No ano passado, a China foi a maior fornecedora desses metais, vendendo 90% do volume global. Restringir a exportação de rare earths certamente seria um problema, não somente para os americanos, mas também para a indústria de semicondutores no Japão, na Coréia do Sul, em Taiwan e em outros lugares.

Será que isso faz sentido para os chineses? Bem, isso poderia gerar um sentimento de vingança..

Vamos observar: todos os chineses que hoje ocupam posições de destaque no Partido Comunista Chinês, cresceram lendo o livro vermelho de Mao Tsé Tung. O livro é composto por estratégias de guerrilha.

No livro, aprende-se que você não deve confrontar diretamente um oponente que tem vantagens comparativas, como os Estados Unidos.

Deve-se comer pelas beiradas e aprender a recuar. Deve-se aprender também a tolerar dores, em uma primeira fase, para se colher frutos em um período posterior. E é isso que os estrategistas que eu acompanho pensam sobre o assunto.

Mas voltando aos metais de terras raras, estes não são tão raros como o nome sugere. Eles podem ser encontrados na India, na Australia, e até nos próprios Estados Unidos. Sua mineração é complicada e gera muitos problemas ambientais.

Mesmo assim, restringir sua exportação representaria fazer com que a produção desses minerais se desenvolva em outros lugares, o que seria negativo para a China no longo prazo.

Uma outra alternativa de contra-ataque, muito discutida pela mídia, seria promover uma desvalorização de sua moeda, de forma a anular os efeitos da tarifação de Trump. Especula-se também, sobre a possibilidade da China criar dificuldades para a atuação de multinacionais americanas, como a Apple.

Ontem mesmo, ouvimos que há um trabalho sendo feito, e a FedEx foi a primeira empresa americana a cair numa lista negra dos chineses.

Tudo isso, eu vou discutir nos próximos episódios.

Sendo assim, fique sintonizado nessa série. Estou de posse de um conteúdo muito interessante que eu quero muito que você tenha acesso.

Muito obrigado pela sua atenção, e conto com você amanhã.

Um abraço!

Marink.

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