Money Rebel #7 - Bitcoin na tempestade do coronavírus

Marcel Pechman Publicado em 26/03/2020
3 min
Com a enxurrada de dólares que vem aí para salvar a economia, eu já tomei minha decisão: considero o Bitcoin como único ativo realmente escasso.

Caro leitor,

Tenho uma confissão a fazer: nunca havia presenciado escassez na vida. Lembro vagamente de quando era pequeno, na época do Sarney, quando existia um pedaço de papel, tipo um selo, denominado “vale leite”, que podia ser trocado em mercados.
 
Confesso que não tenho recordações de prateleiras vazias, somente uma anedota: o “Misto Quente” e “Misto Sunab” do Bob’s, versão que contava apenas com uma fatia de queijo e outra de presunto, a fim de atender o preço tabelado vigente.
 
Logo após ouvir o presidente Trump comentar sobre a hidroxicloroquina como potencial tratamento para o coronavírus, liguei a uma farmácia próxima, porém a atendente informou que o medicamento havia se esgotado.

Minha filha tem imunodeficiência, além de bronquite e asma, portanto pensei em comprar uma caixa. Tentei realizar o pedido do remédio pela internet, mas no dia seguinte fui informado que não fariam a entrega, alegando que estavam sem estoque, ainda que a eficácia da hidroxicloroquina no combate ao coronavírus ainda não tenha sido comprovada.

Pronto, agora eu havia experimentado escassez, e o sentimento que passa na cabeça é de impotência, culpa e arrependimento. E se eu tivesse saído de carro na hora tentando todas as farmácias da cidade? E se no dia anterior eu tivesse dado mais importância ao estudo que circulava nas redes sociais?

Isso me fez refletir bastante sobre o que é realmente escasso no mundo, além do tempo, óbvio. Ações de empresas? Terrenos? Ouro? Dólar? Petróleo? Imóveis? É inadmissível, diante da situação pela qual estamos passando, de falta de itens básicos nos hospitais, não parar para pensar neste assunto.

Curiosamente, na mesma semana, James Bullard, presidente do Federal Reserve de St. Louis, anunciou um potencial de compra “ilimitado” de dívida do governo, incluindo programas adicionais de empréstimo. Traduzindo: podem imprimir quantos dólares quiserem.

Eu já tomei minha decisão. Considero o Bitcoin como único ativo realmente escasso. 

Se os terrenos dobrassem de preço hoje, aposto que a oferta aumentaria consideravelmente, especialmente em regiões sub-utilizadas. O mesmo vale a imóveis nas grandes capitais, petróleo e até mesmo o ouro. Minas que antes eram inviáveis passariam a produzir. 

Tudo é questão de preço, exceto no Bitcoin. Outro dia explico melhor como funciona o calendário de emissão da moeda virtual, mas garanto que não há como subornar ou investir trilhões de dólares pra acelerar o processo.

Por enquanto, quero deixar apenas o desejo de que as coisas melhorem para todos.

Forte abraço,

Marcel Pechman

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