Mercadores da Noite #236: Passando os mercados em revista

Ivan Sant'Anna Publicado em 07/08/2021
4 min
Tal como faço todos os meses, na última quinta-feira, dia 5 de agosto, fiz uma viagem por todos os mercados mundiais.

Nota do editor: Tomo a liberdade de indicar a você, que gosta das colunas do Ivan Sant'Anna, a nova plataforma de streaming da Inversa, a invLá, você encontra séries inéditas roteirizadas pelo próprio Ivan, que volta aos tempos em que era roteirista de programas como "Carga Pesada" e "Linha Direta". Na série original inv "Os Maiores investidores da História", Ivan te leva de 1772 até meados dos anos 1970 e apresenta personalidades do mundo todo que fizeram fortunas inacreditáveis no mercado de capitais. Algumas talvez você já conheça, como o famoso ator, roteirista, diretor e... investidor, Charlie Chaplin. Clique aqui e conheça agora mesmo os maiores investidores da história.

 

Caro(a) assinante,

Tal como faço todos os meses, na última quinta-feira, dia 5 de agosto, fiz uma viagem por todos os mercados mundiais.

Minha primeira constatação é a de que os juros futuros de longo prazo continuam caindo. 

Os Treasury Bonds americanos de 10 anos, por exemplo, estão sendo negociados a 103.77, o que significa uma rentabilidade anual de 1,22%.

Isso é sinal inequívoco de que não é somente o FED que acredita na recuperação da economia dos Estados Unidos sem ser acompanhada de um salto inflacionário. Os operadores de T. Bonds têm a mesma opinião.

Os índices acionários dos EUA continuam nos highs de todos os tempos, ou próximos a eles, o que é mais do que normal quando as taxas de juros reais são negativas.

Às 16h (15h em Nova York e 14h em Chicago) deste dia 5, o Industrial Dow Jones está em 35.010,84, muito próximo da máxima (35.192,11). O mesmo acontece com o S&P500, transacionado a 4.421,21, coladinho no high histórico (4.422,83). O índice Nasdaq segue na mesma toada.

Indo de um polo a outro, algumas commodities agrícolas estão dando um show para os touros.

Num bull market constante, os contratos futuros de café – negociados em Nova York (na ICE), após as geadas que atingiram diversas regiões cafeeiras do Brasil – trocam de mãos a US$ 1,7690. Está rumando célere para US$ 1,88, marca alcançada em outubro de 2014.

Se o período de estiagem ficar acima do normal este ano, imagino que a libra-peso de café possa chegar a três dólares, cotação de abril de 2011.

Indo logo ao que interessa, daqui até US$ 1,88 o lucro por contrato é de US$ 4.162,.50. Eu nem deveria escrever isso, para não despertar cobiça demais, mas se o café voltar a US$ 3,00, ganha-se US$ 46.162,50 por lote adquirido na ICE.

Adocemos o cafezinho com uma ou duas colheres de açúcar, commodity neste momento cotada a US$ 0,1862 por libra-peso.

O atual bull market, que se iniciou em junho de 1999 a US$ 0,0600, e apresentou fortes correções, tem tudo para ir até 30 centavos de dólar, máxima de janeiro de 2011. Agora estamos falando de um lucro de US$ 12.745,60 por contrato.
    
Outras duas commodities que estão fazendo máximas de muito tempo são algodão e boi gordo (live cattle).

Tudo isso favorece as exportações brasileiras, inibe altas do dólar contra o real e acaba impulsionando as cotações dos papéis negociados na B3.

Falando em Bolsa, é bom lembrar que o mercado continua se expandindo. Embora o Ibovespa tenha fugido dos highs, não podemos nos esquecer que a B3 cresce também para os lados. Claro que estou me referindo aos IPOs, que se sucedem um após o outro, totalizando até agora, em 2021, R$ 57 bilhões.

Mesmo faltando quase cinco meses para o término do ano, os lançamentos já ultrapassaram o recorde anual anterior (2007). Este último foi abortado pela crise americana do subprime, que contaminou as finanças de todo o planeta.

O mercado está maior, mais moralizado e mais equânime.

Apesar do Banco Central do Brasil, através do Comitê de Política Monetária – COPOM −, ter iniciado um ciclo de alta da taxa básica de juros, acredita-se que estes no máximo venham igualar a inflação, ou superá-la por pequena margem.

Inclusive porque 2022 é ano eleitoral, que sempre inibe as garras do gavião.

O Brasil é uma potência de commodities. E elas continuam em alta.

São esses os fundamentos que me deixam otimista. Seja para ganhar um dinheirinho lá fora, operando as commodities diretamente, seja comprando aqui ações das empresas que se beneficiam desse ciclo virtuoso.

Um ótimo fim de semana para vocês.


Ivan Sant’Anna

 

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