Mercadores da Noite #87 - Mercado de A a Z

12 de novembro de 2018
Reação em cadeia

Mercadores da Noite

Nota do editor: Nesta segunda-feira, o Ivan tira uma série de dúvidas e traz um glossário com termos do mercado financeiro. O tema não poderia ser mais adequado nesta Semana da Riqueza Infinita. O próprio Ivan e outros especialistas da Inversa gravaram uma série de aulas para ensinar você a ganhar dinheiro sempre no mercado. O primeiro vídeo foi divulgado ontem e o segundo vai ao ar ainda hoje. Cadastre-se aqui para acompanhar essas aulas e aprender como ganhar dinheiro sempre.

 

Caro leitor,

Volta e meia alguém me escreve perguntando sobre termos (tanto em português como em inglês) usados nas crônicas que publico na Inversa. Decidi fazer aqui um pequeno glossário por ordem alfabética.

A – Ações ordinárias e preferenciais: As primeiras são as que dão direito a voto nas assembleias de acionistas de uma empresa. Os detentores das preferenciais têm prioridade no caso de dissolução da companhia. Estas segundas são mais procuradas e, portanto, têm maior liquidez.  

B – Bull market e bear market: O primeiro é o mercado do touro, em alta. O segundo, do urso, em queda. A simbologia vem do fato de que o touro ataca para cima, com os chifres. O urso, para baixo, com a pata.

C – Call: Opção de compra. Dá ao seu proprietário o direito, mas não a obrigação, de adquirir determinado ativo a determinado preço até determinada data.

D – Day trade: Compra e venda feita no mesmo dia. A venda pode ser feita antes da compra. Day trader é o especulador que executa esse tipo de operação. Ele sempre dorme zerado.

E – EBITDA: Sigla em inglês que representa o lucro de uma empresa antes do pagamento de juros, de impostos e dos cálculos de depreciação e amortização. Passou a ser muito usada nos últimos anos para avaliação se uma ação está cara, barata ou no preço adequado.  

F – FED: Federal Reserve Bank, banco central dos Estados Unidos. Trata-se de uma instituição autônoma. Seu chairman é apontado pelo presidente da República e, se aprovado pelo Senado, tem independência de operação e mandato fixo não coincidente com o ocupante da Casa Branca.

G – Gap: É quando um mercado abre com uma cotação acima da máxima ou abaixo da mínima da véspera.

H – Hard landing: Recessão ou queda abrupta da Bolsa de valores nos Estados Unidos provocada por um aumento mal calibrado nas taxas de juros por parte do FED.

I – Ibovespa:  Índice que atualmente agrega 65 ações entre as mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo. 

J – Jobless Claims: Estatística divulgada semanalmente pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos mostrando o número de pessoas que pleitearam auxílio desemprego. Trata-se de um dado importante para acompanhamento da atividade econômica naquele país.

K – Key rates: São as duas taxas de juros mais importantes do mercado americano. Discount rate (taxa de desconto, que o FED cobra dos bancos) e Fed Funds rate (taxa básica de juros, equivalente à nossa taxa Selic).  

L – LIBOR: Taxa interbancária do mercado de Londres. Já foi mais importante, quando ainda não existia o euro.

M – Margem: Valor que um investidor ou especulador tem de depositar nas bolsas quando opera nos mercados futuros. Serve de garantia contra inadimplência. Se o mercado vai na direção contrária à da operação, as bolsas pedem reforço de margem. 

N – Nasdaq: Mercado eletrônico global de ações de alta tecnologia como a Apple, o Google, a Microsoft, a Oracle, a Amazon e a Intel. A cada ano ganha mais importância. 

O – ORTN: (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional). Título do governo brasileiro, com juros e correção monetária, muito usado na época de inflação. Era também utilizado como unidade de moeda. Um carro, por exemplo, podia ser anunciado para venda com valor expresso em ORTN.

P – Put: Opção de venda. Dá ao seu proprietário o direito, mas não a obrigação, de vender determinado ativo a determinado preço até determinada data.  

Q – Quant Fund: Trata-se de um fundo que escolhe seus investimentos através de análise quantitativa. Os gestores usam modelos de software customizados para determinar as aplicações.  

R – Rali: do inglês “rally”, é um movimento de alta de um ativo. No Brasil, os traders costumam improvisar verbos baseados nas palavras “rali” e “rally”. Tipo: “o mercado ‘raliou’ após o comunicado do Banco Central.

S – Short covering: Rally baseado em cobertura de shorts. Explicando melhor: diversos especuladores vendidos a descoberto em determinado ativo correm para zerar suas posições ao mesmo tempo provocando um rally.

T – Trade, trading, trader: Operação, operando, operador.

U – Underwriting: Oferta de lançamento de ações ou de outros títulos mobiliários. Leva esse nome porque no documento inicial os bancos e outras instituições participantes assinam embaixo.  

V – Valor presente: Além dos valores de lançamento e de resgate, os preços dos títulos de renda fixa variam a cada dia, não necessariamente para cima, de acordo com mercado. O “valor presente” é também chamado de PU (Preço Unitário).

W – Wall Street: Como todo mundo sabe, Wall Street é a rua onde fica a Bolsa de Valores de Nova York. Mas o termo é usado para se referir ao mercado americano como um todo. Os jornais usam expressões do tipo: “Wall Street não está gostando nem um pouco dos resultados iniciais das negociações entre Washington e Pequim”.

X – XD: quer dizer “ex-dividendo”. Se uma ação está sendo negociada XD, é porque já não tem direito ao dividendo mais recente.

Y – Yield: Rentabilidade. Se a gente diz que as obrigações de 10 anos do Tesouro americano estão sendo negociadas com um “yield” de 3,20%, é porque rendem 3,20% sobre o valor de mercado. Esse “yield” não necessariamente significa a taxa fixada por ocasião do lançamento do título. Depende do “valor presente” ou “PU” (ver acima).

Z – Zero-Coupon Bond: Se uma obrigação tem “cupom zero”, isso mostra que ela não paga juros prefixados. Sua rentabilidade é calculada pela diferença entre o preço de negociação e o valor de resgate. Nesses casos, o lançamento foi feito com deságio.

Evidentemente existem centenas e mais centenas de palavras e expressões usadas pelo mercado além destas que selecionei aqui, uma para cada letra do alfabeto. Encorajo os leitores a me escreverem quando, em minhas crônicas, uso uma cujo significado desconhecem.

Cheerio! (“Até logo”, num linguajar britânico informal e arcaico).

Gostou dessa edição de Mercadores da Noite? Então, me escreva e conte a sua opinião no isantanna@inversapub.com.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

Conheça o responsável por esta edição:

Ivan Sant'Anna

Trader e Escritor

Uma das maiores referências do mercado financeiro brasileiro, tendo participado de seu desenvolvimento desde 1958. Atuou como trader no mercado financeiro por 37 anos antes de se tornar autor de livros best-sellers como “Os Mercadores da Noite” e “1929 - Quebra da Bolsa de Nova York”. Nas newsletters “Os Mercadores da Noite” e “Warm Up Inversa”, Ivan dá sugestões investimentos, conta histórias fascinantes e segredos de como realmente funciona o mercado.

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