Mercadores da Noite #78 - Além da Imaginação

Ivan Sant'Anna Publicado em 10/09/2018
7 min
O Jogo da Década está apenas começando

Mercadores da Noite

Caro leitor,

O exemplo mais comum que se cita sobre a Teoria do Caos, baseada no determinismo, conceito formulado por Pierre-Simon Laplace (1749-1827), é o de que se uma borboleta bate as asas na China isso pode provocar um furacão no outro lado do mundo.

Embora possa parecer exagerado, é mais ou menos o que acontece na História, com um fato totalmente inesperado podendo alterar o curso dos acontecimentos.

Na página 151 de meu livro Armadilha para Mkamba está escrito:
“...se no outono de 1836 uma mulher de nome Maria Anna Schicklgruber, austríaca e solteira, não se deixasse seduzir – num instante de fraqueza ou, talvez, embalada por um copo a mais de cerveja – por um aldeão de Strones, 54 anos mais tarde não teria nascido Adolf Hitler, neto de ambos. O copo de cerveja pode ter gerado a Segunda Guerra Mundial. Mas se ela não o tivesse bebido, e cedido, poderia ter sido pior. Quem sabe em alguma outra época teria havido uma guerra nuclear, com um número de mortos dez vezes maior.”

O certo é que acidentes ou incidentes podem alterar radicalmente a rota dos acontecimentos.

No dia 28 de junho de 1914, o arquiduque Franz Ferdinand, da Áustria, durante uma visita que fazia à cidade de Sarajevo, na Bósnia, foi assassinado por um fanático chamado Gavrilo Princip.

Os fatos que se sucederam ao atentado desencadearam a Primeira Guerra Mundial.

A História brasileira mudou de rumo no inicio da madrugada de 5 de agosto de 1954 quando, na rua Tonelero, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, pistoleiros contratados por pessoas ligadas ao presidente Getúlio Vargas (sem o conhecimento do chefe de Estado) atiraram conta o jornalista Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Vargas, matando o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que escoltava Lacerda.

O episódio foi causa direta do suicídio de Getúlio, 21 dias mais tarde, alterando por completo a trajetória política do Brasil. 

Além dos 17 livros que publiquei até agora, abortei outros planos literários, por razões das mais diversas. Dois deles eram romances históricos nos quais eu alterava o curso dos acontecimentos e iniciava uma ficção a partir desse ponto.

No primeiro, o projeto alemão de construção da bomba atômica durante a Segunda Guerra, que realmente existiu e foi conduzido pelo físico Werner Heisenberg, alcançou êxito nos últimos meses de 1944.

Nessa hipótese, Hitler poderia ter derrotado a Grã-Bretanha e a União Soviética, assinado um armistício com os Estados Unidos e dominado toda a Europa, com consequências terríveis para a Humanidade.


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Em minha segunda “ficção histórica”, em vez de os militares terem dado o golpe em 1964, simplesmente teriam monitorado e mantido sob pressão o presidente João Goulart, evitando uma guinada maior do governo para a esquerda nos moldes de Cuba (Fidel Castro, acompanhado de seus guerrilheiros, entrara triunfalmente em Havana cinco anos antes).

Haveria eleições diretas para presidente em 1965, sendo candidatos Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda e Leonel Brizola. Os últimos 54 anos de história do Brasil teriam sido totalmente diferentes.

No meu livro, o vencedor das eleições seria... Bem, desisti da ideia antes de chegar nesse ponto.

Como qualquer pessoa de bom senso percebe, o atentado contra Jair Bolsonaro poderá mudar o desfecho do segundo turno das eleições, no qual, mesmo antes de ser esfaqueado, ele tinha lugar garantido. Só que em todas as simulações de intenção de voto, a não ser contra o candidato do PT, Bolsonaro perdia.

Com as facadas que sofreu, o capitão trocou seus nove segundos diários de TV por praticamente 24 horas. De agressor, tornou-se vítima indefesa, em uma cama de hospital. Isso poderá lhe garantir a vitória no 2º turno, já que seu índice de rejeição deve ter caído muito em detrimento dos adversários que o atacavam inclementemente até o episódio juiz-forano.

Passemos à ficção que estou criando só para este artigo. Lula é candidato, seja porque o TRF-4 de Porto Alegre o absolveu, seja porque os 6 a 5 do Supremo foram a seu favor, considerando-o inocente até que sua condenação, por corrupção e lavagem de dinheiro, transitasse em julgado em todas as instâncias, inclusive o Supremo.

Imaginemos agora Lula fazendo corpo a corpo com eleitores em Juiz de Fora na quinta-feira, dia 6, e sendo apunhalado por um extremista tresloucado de direita.

Luiz Inácio Lula da Silva, o pai dos pobres, muito provavelmente teria sido eleito presidente no primeiro turno.

Por mais que estudem os fundamentos e gráficos, traders e analistas não podem descartar o imponderável, seja ele o assassinato, a queda de um avião, o terremoto, o escândalo, ou mesmo algo tão imprevisível que eu não consigo imaginá-lo neste texto.

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna 

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