Mercadores da Noite #73 - Corner, o trade perfeito

Ivan Sant'Anna Publicado em 06/08/2018
7 min
Você conhece este episódio

Mercadores da Noite

Nota do Editor: Hoje o Ivan conta uma história vivida por ele e que marcou o mercado brasileiro. Se você já conhecia esse episódio, não deixe de escrever para o Ivan! Veja também, em primeira mão, a carteira elaborada por um de nossos colunistas mais experientes para o segundo semestre. Ela foi baseada em uma tacada de +145 por cento e tem 3 ações que estão no ponto máximo da estratégia, prontas para decolar. Se você demorar pode ser tarde demais. As ações estão neste link.

 

Caro leitor,

Todo operador que conhece profundamente a história dos diversos mercados torce para participar de um corner. Ou melhor, para participar do lado certo. Pois quem é “corneado” (no sentido mercadológico, bem entendido) geralmente vai à falência ou, no mínimo, sofre um prejuízo colossal. Quem “corneia” costuma dar a grande tacada de sua vida.

Para quem não está muito familiarizado com esse tipo de operação, deixe-me explicar: Corner é quando alguém, ou um grupo de pessoas, está comprado em algum ativo no mercado em número superior ao existente daquele ativo.

Por exemplo, você adquire um lote de debêntures de determinada empresa em quantidade maior do que as debêntures existentes daquela série. Nesse caso, para o tresloucado vendedor, só haverá uma solução: comprar de você para entregar para você. Portanto, o preço será aquele que você decidir.

corner mais famoso de todos os tempos aconteceu entre o outono (do Hemisfério Norte) de 1979 e o início do ano de 1980. Teve como palco o mercado de prata da Comex, uma das bolsas de futuros de Nova York. Eu conto essa história na Quinta Parte de meu livro Os Mercadores da Noite.

Os riquíssimos irmãos Hunt, do Texas, dois dos maiores especuladores dos Estados Unidos, segundo seus próprios e elaborados cálculos estavam comprados em contratos futuros de prata em quantidade maior do que toda a prata existente no mundo. Ou seja, os vendidos teriam de comprar prata dos próprios Hunt para entregar aos irmãos no vencimento dos contratos.

A operação só não deu certo, para os Hunt, porque a Comex apelou para o tapetão. Valendo-se de um dispositivo de seus estatutos, determinou que ninguém poderia aumentar suas posições. Fez mais do que isso. Forçando a barra, aumentou drasticamente as margens dos comprados, e apenas dos comprados. Por isso, e só por isso, o corner fracassou.        

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Quando, no final da década de 1960, eu me iniciei como floor trader da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, à época a bolsa mais importante do Brasil, resolvi copiar aqui uma prática que conheci quando estagiara na New York Stock Exchange. Tornei-me especialista em uma ação, mais precisamente a da Ducal Roupas, empresa comercial e industrial que fazia parte do conglomerado do qual eu era diretor na área financeira.

Tal como explico em meu livro “1929”, os especialistas de determinado papel dão liquidez a ele. Ou seja, têm sempre um bid and ask. Com um spread meio largo, mas têm.

Como, entre uma especulação e outra, os floor traders da BVRJ às vezes ficavam com algum recurso disponível, eu espalhei pelo pregão que a Ducal subiria um centavo por dia e teria um spreadtambém de um centavo.

“Compro a 42 centavos e vendo a 43”, eu apregoava na segunda-feira.

“Compro a 43 e vendo a 44, era o bid and ask da terça.

Quarenta e quatro com quarenta e cinco na quarta. Quarenta e cinco com quarenta e seis na quinta. E assim por diante.

No início, o pessoal ficou desconfiado. Mas logo a Ducal Roupas tornou-se a poupança dos floor traders, entre uma especuleta e outra.

Como eu vendia mais papéis do que comprava, a empresa ficou com seu capital muito diluído. Até que determinado dia um diretor da Ducal me procurou e disse:

“Ivan, você vendeu ações demais.”

“Ih, caramba, nós perdemos o controle acionário da companhia”, eu fiquei preocupado. Mas não muito. Afinal de contas, acabara de vir dos Estados Unidos, onde o controle das empresas às vezes é exercido com apenas quatro ou cinco por cento das ações, tal a pulverização dos papéis.

“Acho que não está me entendendo, Ivan”, o diretor muniu-se de paciência. “Você vendeu mais ações do que o capital da empresa. Estamos entregando papéis sem lastro. Eu descobri isso ontem. Vai ter de comprá-los de volta.”

Gelei até o tutano dos ossos. Realizara um corner suicida e eu era o corneado. Àquela altura, a Ducal Roupas estava sendo cotada a 2,01 para compra e 2,02 para venda, ou algo parecido. Se o pessoal do pregão desconfiasse do corner logo surgiriam compradores a 2,50, 3,00, 3,50. O céu seria o limite. Eu pusera em risco um conglomerado que empregava mais de 20 mil pessoas, em vários estados brasileiros. Por pura invencionice.

Pedi encarecidamente ao diretor que me alertara sobre o fato para não comentar nada com ninguém, nem mesmo com o nosso presidente, e parti para uma tática camicase.

Após uma noite em claro povoada de pesadelos mesmo acordado, na manhã seguinte, assim que abriu o pregão, um dos “poupadores” se acercou de mim.

“Qual é o spread de hoje?” – ele esperava algo como 2,03 com 2,04.

Com a maior cara de pau de meus longos anos de mercado, respondi:

“Ducal Roupas?, tô fora. Deixei de ser especialista. O mercado agora é livre.”

Devo ter nascido virado para a lua porque meus melhores desígnios se realizaram.

“O filho da puta do Ivan largou a Ducal. Tá um barata-voa lá no posto. Tem vendedor a 1,50. Sem comprador.”

Se eu entrasse comprando naquele nível, poderia até ser linchado. Mas, tal como muitos operadores da época, Ivan Sant’Anna tinha seu laranja. Ele se chamava Jerônimo (o nome aqui é falso), amigo e parceiro de várias paradas (algumas não muito éticas, confesso), falecido há uns dois ou três anos.

Contei tudo para o Jerônimo, prometi-lhe um belo “bicho” e combinei que ele seria o comprador. 

Em dois ou três pregões, a Ducal estava safa, fora o belo lucro que realizamos na operação.

Foi o único corner do qual participei. Do lado errado, é verdade, mas vitorioso. Enchi as burras de dinheiro.

Por mais alguns meses continuei negociando no pregão da bolsa. Sem nunca mais operar a Ducal Roupas. Quem ficou com raiva naquela época acabou perdoando, pois quase todo mundo fazia das suas.

Se algum de vocês, caros leitores, conhece alguém que operou no pregão da Praça XV, número 20, no final dos anos 1960 e início dos 1970 (deve ser um velhinho entre 70 e 85 anos) ele vai se lembrar do episódio, assim como de outros insólitos que aconteceram naquela ocasião, época em que se amarrava cachorro com linguiça.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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A partir deste exato momento o ativo citado passa a integrar a carteira abaixo, com as indicações recentes do Sistema Águia 3.0:

        

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