Mercadores da Noite #71 - Existe um mundo novo lá fora

Ivan Sant'Anna Publicado em 23/07/2018
7 min
E você está convidado

Mercadores da Noite

Nota do Editor: Olá, leitor! Hoje o Ivan usa toda a sua experiência de mais de 50 anos no Brasil e em Wall Street para dar uma rápida aula sobre investimentos no exterior, com insights imperdíveis. Tão imperdíveis quanto o seu acesso gratuito e sem compromisso a todos os detalhes do projeto da Inversa que vai abrir as portas do mundo para seus investimentos, neste link. Aproveite! Um abraço, Frederico Rosas.

 

Caro leitor,

Meu primeiro contato com as bolsas americanas aconteceu em 1966, quando estudei portfolio management na New York University – NYU.

Só 17 anos mais tarde, após uma desilusão (não amorosa; mercadológica mesmo) que custou quase todo o meu dinheiro no mercado daqui (de CDBs e letras de câmbio, bem entendido) é que passei a me dedicar única e exclusivamente às bolsas internacionais. Fazia algumas coisas no Japão e na Europa, mas o grosso do negócio era em Chicago e Nova York.

Administrei carteiras de clientes, fui broker e especulei com meu próprio dinheiro. Com “todo” o meu dinheiro. Com “mais” do que todo o meu dinheiro, pois estava sempre alavancado.

Com 100 ou 200 mil dólares na conta, operava milhões. “Treidava” com stops curtos e, principalmente, com ativos de grande liquidez.

Comecemos pelo mercado futuro do S&P 500, o famoso índice composto por 500 ações, negociado em Chicago. A liquidez é tão grande que uma ordem de um bilhão de dólares é executada em minutos. Você pode operá-lo 24 horas por dia, do início da noite de domingo (não é por acaso que o título em inglês de meu livro Os Mercadores da Noite é The Sunday Night Traders) até o final da tarde de sexta-feira.

Foi no S&P 500 que vi, infelizmente inerte, duas das maiores oportunidades de lucro de minha vida. Quem “shorteou” o mercado no fechamento de sexta-feira 16 de outubro de 1987 para recomprá-lo na abertura de segunda-feira, dia 19, ganhou 33% em pontos. Alavancado, duplicou, triplicou, quintuplicou, decuplicou seu dinheiro.

Quem, na outra ponta, comprou nos lows daquela segunda, a famosa Black Monday, fez a aquisição do século. E o gênio que vendeu na sexta e comprou em dobro na segunda, se é que existiu tal trader, é o meu ídolo desconhecido, com direito a chama eterna em Wall Street.

Treasuries de 10 anos também são negociados em Chicago. Tal como o S&P, encaram qualquer parada, mesmo que seja o banco central da China (People’s Bank of China) vendendo a futuro parte de seu trilhão de dólares de reservas, aplicadas em obrigações do Tesouro americano.

No mercado de treasuries, uma ordem de 100 milhões de dólares passa despercebida. A execução é mais rápida do que a troca de pneus de um bólido de Fórmula 1.

É bom para a dopamina de um humilde trader brasileiro negociar assim:

“Sell fifty 10 years at the market!”

“Done at eight four (99,84 por cento do par)” – o fill (execução) demora cinco segundos.

Digamos que você é notívago ou simplesmente acha que as horas do dia são um tempo muito curto para seu talento. Ou tem pressa em ficar rico...

Nenhum problema.

Do outro lado do mundo, o auge do movimento do Nikkei 225 se dá por volta das 13 horas de lá, 1h da madrugada aqui. Se você está bullish para o mercado de ações em geral, o Nikkei é uma grande pedida.

Certa ocasião, saí tarde de meu escritório no Rio. Atravessava a avenida Presidente Vargas falando em meu celular, um trambolho que era o suprassumo do modernismo e da ostentação na época. Eu operava a abertura do Nikkei em Tóquio quando um passante me perguntou.

“Quanto está o jogo?”


O dólar vem testando altas consecutivas e ensaia dobrar de valor em relação ao real. Você pode aproveitar o momento para lucrar, pegando carona nessa valorização que só tende a aumentar no cenário doméstico com a chegada da eleição. Quer saber como? Clique aqui.


Agora, se você dormiu e acordou cedo, ligou a TV na Bloomberg, ouviu as últimas da guerra de tarifas e acha que o BCE vai defender o euro, nada como estar atento ao mercado de Eurobonds, negociado na Eurex, em Frankfurt. Venda alguns contratos porque o PU dos bonds europeus vai cair, ou seja, as taxas vão subir.

A Europa é uma ótima opção para quem acaba de desligar o Japão e espera a abertura dos mercados americanos.

Quer investir no exterior e ganhar com todos os mercados? Descubra como aqui.

Em minha época, eu operava o Deutsche Mark. E havia o franco francês, a lira italiana, a peseta espanhola, a libra esterlina.... Oops, a libra esterlina ainda existe e, com essa confusão do Brexit, é um dos melhores ativos para se operar, por causa da volatilidade.

Se o caro leitor gosta de commodities, recomendo o petróleo, a mais importante e, literal e figuradamente, a mais líquida dentre elas. Existem dois tipos para se negociar. O Brent, do mar do Norte, e o WTI (West Texas Intermediate). O Brent é sempre mais caro, pois rende mais no refino. É “treidado” em Londres. O WTI, na Nymex, em Nova York. Os preços dos dois sobem e descem na mesma proporção.

O petróleo quase me aleijou para sempre. Quando, na quinta-feira 2 de agosto de 1990, as tropas de Saddam Hussein invadiram o Kuwait, eu estava short em WTI.

“Shorteei” burramente. O mercado vinha caindo. Isso porque o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos e o próprio Iraque vendiam acima de suas cotas estabelecidas pela Opep. Faziam-no por baixo do pano, no mercado spot de Amsterdã. De repente, a cotação do barril subiu dois dólares. Foi quando vendi.

“Mercado que responde bem (subindo) a uma notícia ruim (trapaça nas cotas) é mercado de alta.” Eu não segui meus próprios dogmas.

Embora tenha feito um stop rapidinho, perdi uns 50 mil dólares naquela invasão.

Soja, milho, açúcar, cacau, café, madeira, suco de laranja, porco castrado (lean hogs), sempre gostei das agrícolas.

Esses são apenas os mercados futuros. Há ainda uma infinidade de ativos negociados fora do Brasil, ações de empresas que crescem 10, 100, 1.000, 10.000 vezes, tal como aconteceu com a Amazon.

Eu tive duas despedidas da linha de frente do mercado internacional. As duas, vitoriosas. Suponho que tenham compensado, pelo menos psicologicamente, as surras que levei ao longo dos anos.

O primeiro êxito aconteceu no café, no bull market causado pelas geadas de 1994. Ganhei o suficiente para viver 18 meses, tempo que levei para completar Os Mercadores da Noite e Rapina e dar início à minha carreira de escritor.

O segundo, quando Graça Foster era presidente da Petrobras e não pôde publicar o balanço da empresa, simplesmente porque seus auditores não conseguiam descobrir o tamanho do rombo provocado pelas falcatruas.

Nessa ocasião, comprei, em Porto Rico, obrigações da Petrobras, que remuneravam 5 por cento de juros, em dólar, ao ano. Só que com a ameaça (na qual eu não acreditava) de quebra da empresa, o deságio era tal que os juros estavam acima de 10 por cento.

Quando Dilma foi impichada e Michel Temer assumiu em seu lugar, pondo Pedro Parente na Petrobras, o PU de minhas obrigações, que venciam em 2022, simplesmente dobrou.

Ganhei 100 por cento em dólares, sem alavancar.

Como disse, foi meu último trade.

Agora me limito a escrever sobre os mercados e sobre os entes que o povoam. E posso garantir ao prezado leitor:

Existe um mundo novo lá fora esperando por você.

Você gostou desta newsletter? Então me escreva contando a sua opinião no isantanna@inversapub.com. Aproveite e encaminhe para os seus amigos este link de acesso – através dele a Inversa vai apresentar em primeira mão todos os detalhes do projeto que vai abrir as portas do mundo para seus investimentos.

      
Um abraço,

Ivan Sant'Anna

P.S.: A Bolsa brasileira sente o impacto da indecisão política para as eleições? Não tem problema... Em algum lugar do mundo o mercado está disparando agora, podendo fazer você multiplicar seus retornos de forma extraordinária. Para receber em primeira mão, e sem compromisso, o roteiro que vai mostrar como ganhar fora do Brasil, basta acessar este link.

 

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