Mercadores da Noite #69 - Alcateia bancária

Ivan Sant'Anna Publicado em 09/07/2018
7 min
E o solta-não solta de Lula...

Mercadores da Noite

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Olá, leitor.

Em meados dos anos 1960, quando eu trabalhava na mesa de câmbio da corretora H. H. Picchioni, em Belo Horizonte, cartões de crédito eram uma raridade no Brasil. Não só raridade como privilégio de poucos.

Certa ocasião, recebi uma carta do Diners Club me oferecendo um cartão. Junto havia uma ficha cadastral para ser preenchida, coisa que fiz imediatamente, retornando-a pelo correio à instituição emissora.

Para minha surpresa, a reivindicação que não fiz foi recusada. Não sei se por causa de minha idade (eu tinha 20 e poucos anos), ou por não possuir imóveis (morava com meus pais). O certo mesmo é que não aceitaram meu nome.

Fiquei com birra de cartões.

Mais tarde, quando me mudei para os Estados Unidos (país no qual se você não tem um cartão de crédito é tratado como um pária), pedi e recebi um American Express.

Desde aquela época (1966), nunca mais deixei de ter cartões, mesmo porque aqui também tornou-se impossível viver sem eles.

Há alguns anos, as administradoras passaram a enviar para as pessoas cartões de crédito não solicitados. Eu picotava e jogava fora. Até que um dia me irritei. Ao receber um cartão do extinto Banco Nacional simplesmente o lancei intacto na lixeira, inclusive com o espaço da assinatura em branco. E avisei o banco. O atendente tentou me passar uma reprimenda, mas levou uma espinafração antes mesmo que começasse.

A moda de espalhar cartões a esmo tornou-se tão corriqueira que, após a reclamação de diversas pessoas, acabou sendo proibida pelo Banco Central. Cartões de crédito, só quando solicitados.

Hoje em dia, quase todo mundo tem no mínimo um. E os cartões já não representam tanto perigo, a não ser para os viciados em compras.

O risco agora passou para o crédito consignado.

Um amigo meu, aposentado pela Previdência, morador de Niterói, recebeu uma oferta de uma operadora de cartões de crédito oferecendo-lhe um cartão isento de anuidades e com limite de gastos de R$ 4.000,00.

Até aí, tudo bem.

Passados alguns dias, creditaram-lhe R$ 4.000,00 em sua conta bancária. Ele indagou do gerente do banco do que se tratava e ficou sabendo que contraíra um empréstimo consignado do BMG vinculado à sua aposentadoria. Agora está tendo de se valer dos serviços de um advogado especializado no assunto, não só para anular a operação de crédito como para processar o banco.

A mãe de minha cozinheira, uma idosa que mora em Queimadas, no interior da Paraíba, aposentada rural com um salário mínimo, ficou surpresa quando lhe creditaram um valor junto com o pagamento regular mensal.

Indagando no Banco do Brasil, onde tem conta, ela ficou sabendo que o BMG lhe concedera um empréstimo consignado.

É bem possível que num de seus saques mensais, ela tenha se confundido com os botões da máquina 24 horas e apertado uma tecla que lhe concedia o tal empréstimo. Ou, quem sabe, veio na marra mesmo, do tipo “se colar, colou”.

O que eu gostaria de saber é como o BMG tem acesso aos nomes, CPFs e dados pessoais dessas pessoas.

Eu tenho conta corrente no banco Itaú, mais precisamente no Itaú Personnalité. Toda vez que entro no site do banco, no aplicativo do meu celular, nas máquinas ATM ou 24 horas, recebo uma oferta de crédito de R$ 43.336,15, consignada à minha aposentadoria mensal do INSS de R$ 3.906,23. Basta clicar em “Contrate agora” e “Confirmar”, ou seja, tão ou mais fácil do que votar nas eleições.

Por isso, caro amigo leitor, cuidado com a alcateia bancária. Eles estão sempre à espreita para capturá-lo na primeira oportunidade.

Longe vai o tempo no qual ter um cartão de crédito era sinal de status e que obter um empréstimo bancário fazia a gente sentir que o gerente do banco acabara de nos prestar um grande favor.

Agora, se o leitor quiser fazer parte da banda lucrativa dessa história, compre ações de bancos. E não fique com remorsos. Você está apenas pegando o seu dinheiro de volta.

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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