Mercadores da Noite #68 - O óbvio pode custar caro

Ivan Sant'Anna Publicado em 02/07/2018
7 min
O óbvio ululante às vezes custa muito caro para um investidor.

Mercadores da Noite

Nota do Editor: Olá, leitor. Brasil e México disputarão daqui a pouco uma vaga nas quartas de final da Copa. E você já deve estar animado com a possibilidade de festejar o hexa no dia 15 de julho. Imagine então o que poderá comemorar depois de aproveitar a melhor época do ano para lucrar na Bolsa. Mas você precisa estar posicionado agora para aproveitar essa janela histórica. Acesse aqui a Seleção Inversa de ações. Um abraço, Frederico Rosas. 

 

Caro Leitor,

Na terça-feira dia 26 de junho, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal determinou, por três votos contra um, que José Dirceu, já condenado em segunda instância a 30 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, fosse posto em liberdade.

Isso contrariou uma decisão do próprio Supremo, tomada em fevereiro de 2016, de que a pena de um réu já pudesse ter início após seu julgamento por um colegiado, no caso de Dirceu o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre.

Quer dizer que o STF não cumpre suas decisões?

Com certeza. O curioso é que nem mesmo os presidentes militares contrariavam suas próprias regras, como faz o nosso Supremo.

Um juiz federal, com quem tenho relação de amizade, me disse que a Constituição é aquilo que o Supremo diz que ela é.

Acrescento: é aquilo que o Supremo diz que ela é em sua decisão mais recente, não importando o que disse antes.

Aqui no Brasil, com toda a vênia, a jurisprudência é móvel e não raro sorteada nas bolinhas da esfera oficial do bingo de Brasília.

Só que o tema desta crônica não são as decisões do STF. Quero falar mesmo sobre como o mercado reage às notícias.



No dia seguinte à soltura de José Dirceu, o Ibovespa caiu 1,11 por cento, uma queda normal para o momento atual de volatilidade.

Portanto, posso dizer que a Bolsa c.... e andou para o três a um da Segunda Turma.

Tenho certeza de que cada um dos leitores da newsletter Os Mercadores da Noite tem sua própria opinião política, mas é importante lembrar, para efeitos de trading, que o que importa é como o mercado reage à determinada notícia e não a notícia em si.

Eu já escrevi e disse isso diversas vezes, mas nunca é demais repetir.

Durante o governo João Goulart, político de esquerda que pretendia transformar o Brasil em república sindicalista, a Bolsa de Valores só caiu. Certo?

Errado!

Nessa ocasião, as ações tinham valor de mercado alto, porque representavam fatias maiores das sociedades anônimas de capital aberto negociadas em Bolsa. Cansei de comprar e vender títulos da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, por exemplo, por um preço equivalente a um salário mínimo. Lembro que era comum ordens de compra e venda de “uma” ação.

Veio então a reavaliação dos ativos das empresas, cujas ações deram bonificações de 50 por uma, 100 por uma, 200 por uma, etc.

Uma coisa era comprar uma ação da Cia. Vale do Rio Doce por, digamos, 70 cruzeiros. Outra era adquirir o mesmo papel por 70 centavos, embora contabilmente não houvesse a menor diferença, já que sua participação no capital da companhia tornara-se 100 vezes menor por ação.

Tomando, por exemplo, o ano de 1962, no qual a inflação foi de 50 por cento, a Brahma rendeu 313 por cento, a Vale, 265 por cento, a CSN, 205 por cento, as Lojas Americanas, 201 por cento, e assim por diante.

Ou seja, mesmo sob a ameaça da tal república sindicalista, investir em Bolsa foi um ótimo negócio.

Pois bem, Jango foi deposto pelos militares em 1964. O risco de o Brasil virar uma nova Cuba simplesmente deixou de existir. 

A alta da Bolsa acelerou, certo?

Errado! Mais uma vez, errado. A Bolsa caiu pra burro.

Octávio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos, ministros da Fazenda e do Planejamento, respectivamente, implantaram o choque gradual na economia. Para debelar a inflação, que em 1963 chegara a 79,9 por cento, e ameaçava fechar 1964 a 150 por cento, a SUMOC – Superintendência da Moeda e do Crédito – que então exercia as funções de Banco Central (que só seria criado em 31 de dezembro daquele ano), aplicou um choque monetário com taxas de juros reais nunca vistas antes.

A Bolsa não fez outra coisa a não ser cair nos primeiros anos do governo militar.

Quando regressei dos Estados Unidos, onde cursara mercado de capitais na NYU, encontrei ações com PL 1, caso do Banco do Brasil. Foi comprar e correr para o abraço.

O grande bull market da Bolsa naquela época, que durou dos últimos meses do governo Costa e Silva até meados do governo Médici, foi uma das grandes oportunidades de se ganhar dinheiro em ações no Brasil.

Com a doença e a morte de Costa e Silva, e a subida ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, iniciou-se o milagre econômico brasileiro.

Nessa ocasião, o PIB cresceu entre 7 por cento e 13 por cento ao ano.


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Os investidores e especuladores racharam de ganhar dinheiro em Bolsa. Certo? Errado. O bull market de 1969/julho de 1971 antecipara esse cenário.

Durante dez anos seguidos, o IBV (índice da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro) e o Ibovespa caíram. Surgira uma novidade, o open market, e os investidores correram para ela.

Portanto, se o Jair Bolsonaro for eleito, não tenha certeza de que o mercado vai subir ou cair. Ciro Gomes também não é sinônimo de bear market, Marina Silva, de bolsa estável, nem Geraldo Alckmin de alta desconcertante.

Muito menos se um dos 11 tiranetes do STF resolver despejar o hóspede da cobertura do prédio da Polícia Federal em Curitiba e mandá-lo para casa em São Bernardo do Campo.

Antes de shortear o Ibovespa ou comprar o dólar do Lula solto, dê uma olhada na reação do mercado. Observe as cotações por meia hora, para fazer um juízo de sua direção.

O óbvio ululante às vezes custa muito caro para um investidor.

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E, se você quiser saber qual a operação certa para lucrar a partir de hoje, basta acessar aqui.

Um abraço,

Ivan Sant'Anna

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